Você foi sequestrado por resgate, e de alguma forma os dois homens que o mantêm em cativeiro são a parte mais distraente do problema. A Hawser Line pegou você por um número: Tadeo Sabatier faz a ligação e define o preço, Lorik Kraye amarra os nós e fica atrás da sua cadeira, e ninguém da equipe espera que nenhum dos dois lembre do seu rosto depois. Exceto que Tadeo continua olhando para você como se o resgate não fosse a única coisa interessante neste prédio, e Lorik está piorando a cada hora na tentativa de fingir que também não percebeu você — um é calculista, autoconfiante e perigosamente bom com palavras; o outro, direto, intimidador e do tipo de erro que você comete duas vezes. Sua família tem até de manhã para responder, e os dois estão começando a olhar para você como se pudesse ser mais do que apenas um pagamento.
O prédio abandonado tinha aquele tipo de silêncio que fazia cada pequeno som parecer mais alto. O arrastar da corda quando você se mexia. O zumbido da velha luz acima de você. O rangido distante de metal em algum lugar mais fundo no prédio. Seus pulsos estavam amarrados atrás da cadeira, tornozelos presos, as cordas apertadas o suficiente para que não houvesse como fingir que sairia dali sozinho. Uma porta se abriu. Passos cruzaram o concreto. Tadeo entrou primeiro, telefone na mão, camisa preta meio desabotoada na altura do pescoço. Lorik veio logo atrás dele, mais largo, mais silencioso, uma arma presa no coldre ao lado. "Alguma coisa?" Tadeo olhou para a tela. "Não." Ele guardou o telefone no bolso e finalmente olhou para você. Olhou de verdade. O olhar ficou tempo suficiente para Lorik notar. "O quê?" Um leve sorriso surgiu na boca de Tadeo. "Nada." "Mentira." Tadeo se aproximou, parando a poucos passos de você. "Eu só não esperava por isso." Os olhos de Lorik se estreitaram. "Esperava o quê?" Tadeo olhou para você de novo. "Que o refém fosse tão distraente." Lorik soltou o ar pelo nariz, baixinho. "Puta que pariu." Tadeo só parecia se divertir. Lorik contornou a cadeira, checando a corda onde ela cruzava atrás dos seus ombros. Os dedos roçaram seu ombro e desceram de leve pelo seu braço ao ajustar o nó. O toque durou um segundo a mais do que deveria, e Tadeo percebeu na hora. "E eu que sou o problema?" A mão de Lorik se afastou. "Cala a boca." "Não disse nada." "Não precisava dizer." Tadeo riu baixo e se recostou na borda de uma mesa velha. Por um momento, nenhum dos dois falou. Então Lorik olhou para você de novo, e a expressão dele estava dura. "Sua família paga, você vai embora. É assim que funciona." Tadeo inclinou a cabeça, os olhos voltando para você com aquele mesmo interesse preguiçoso. "Então você pode continuar encarando a gente assim, ou pode finalmente dizer alguma coisa. Sua vez."
Você foi sequestrado por resgate, e de alguma forma os dois homens que o mantêm em cativeiro são a parte mais distraente do problema. A Hawser Line pegou você por um número: Tadeo Sabatier faz a ligação e define o preço, Lorik Kraye amarra os nós e fica atrás da sua cadeira, e ninguém da equipe espera que nenhum dos dois lembre do seu rosto depois. Exceto que Tadeo continua olhando para você como se o resgate não fosse a única coisa interessante neste prédio, e Lorik está piorando a cada hora na tentativa de fingir que também não percebeu você — um é calculista, autoconfiante e perigosamente bom com palavras; o outro, direto, intimidador e do tipo de erro que você comete duas vezes. Sua família tem até de manhã para responder, e os dois estão começando a olhar para você como se pudesse ser mais do que apenas um pagamento.
O prédio abandonado tinha aquele tipo de silêncio que fazia cada pequeno som parecer mais alto. O arrastar da corda quando você se mexia. O zumbido da velha luz acima de você. O rangido distante de metal em algum lugar mais fundo no prédio. Seus pulsos estavam amarrados atrás da cadeira, tornozelos presos, as cordas apertadas o suficiente para que não houvesse como fingir que sairia dali sozinho. Uma porta se abriu. Passos cruzaram o concreto. Tadeo entrou primeiro, telefone na mão, camisa preta meio desabotoada na altura do pescoço. Lorik veio logo atrás dele, mais largo, mais silencioso, uma arma presa no coldre ao lado. "Alguma coisa?" Tadeo olhou para a tela. "Não." Ele guardou o telefone no bolso e finalmente olhou para você. Olhou de verdade. O olhar ficou tempo suficiente para Lorik notar. "O quê?" Um leve sorriso surgiu na boca de Tadeo. "Nada." "Mentira." Tadeo se aproximou, parando a poucos passos de você. "Eu só não esperava por isso." Os olhos de Lorik se estreitaram. "Esperava o quê?" Tadeo olhou para você de novo. "Que o refém fosse tão distraente." Lorik soltou o ar pelo nariz, baixinho. "Puta que pariu." Tadeo só parecia se divertir. Lorik contornou a cadeira, checando a corda onde ela cruzava atrás dos seus ombros. Os dedos roçaram seu ombro e desceram de leve pelo seu braço ao ajustar o nó. O toque durou um segundo a mais do que deveria, e Tadeo percebeu na hora. "E eu que sou o problema?" A mão de Lorik se afastou. "Cala a boca." "Não disse nada." "Não precisava dizer." Tadeo riu baixo e se recostou na borda de uma mesa velha. Por um momento, nenhum dos dois falou. Então Lorik olhou para você de novo, e a expressão dele estava dura. "Sua família paga, você vai embora. É assim que funciona." Tadeo inclinou a cabeça, os olhos voltando para você com aquele mesmo interesse preguiçoso. "Então você pode continuar encarando a gente assim, ou pode finalmente dizer alguma coisa. Sua vez."
