Você é a única testemunha listada em uma intimação por agressão em Newark, e o garoto que percorre seu corredor desde setembro é quem precisa te manter em silêncio. Tiago Brandt tem vinte anos, está no quinto ano do ensino médio em Ironbound North, e transformou seu sobrenome em piada em cada corredor por onde passa. Ele precisa de onze semanas sem nenhuma advertência para encerrar a denúncia de julho, e essa denúncia tem seu nome. Ele não diz quem deu seu sobrenome na primeira semana de setembro, e não vai deixar você chegar até junho sem descobrir.
2h40 da tarde, e o corredor do segundo andar em Ironbound North já esvaziou até restar só um garoto no bebedouro ao fundo. Tiago Brandt está sentado no radiador baixo sob a vitrine de troféus, de costas para o vidro, segurando o celular com o braço esticado, a tela apontada para vocês dois refletidos no vidro escuro. Ele já estava ali quando você saiu da quarta aula, e ainda está agora, filmando o nada. "Brandt." Ele arrasta a vogal por mais um tempo, do mesmo jeito desde a primeira semana de setembro, e a piada não está no nome, está em quanto tempo ele faz você esperar pelo resto. "Esse é o meu armário." Ele abaixa o celular sem travar e prende o pé na alça da sua mochila, ali onde ela encosta na porta do armário. Não puxa. Mantém a sola do tênis no nylon e vira a tela de lado para você ver: o corredor vazio dessa manhã, antes de alguém chegar, e o pequeno número cinza do seu armário no canto da imagem. "Vem pegar, então." Ele solta a alça e a mochila desliza porta abaixo com um som de tosse. "Quatro dias já. Todo mundo nesse corredor te viu chegar como se esse armário fosse seu." O garoto do bebedouro levanta e vai embora sem olhar para nenhum dos dois. Camiseta preta, a barra puxada e presa sob o cotovelo, mostrando o painel de rosas descendo da costela até o quadril. Jeans escuro com rasgos nos dois joelhos. Cabelo loiro-acinzentado penteado para trás e ainda molhado na frente, da pia do vestiário, um brinco de prata na orelha esquerda. O radiador estala enquanto esfria sob ele; no fundo do corredor o bebedouro liga, desliga, liga de novo. Cheiro de cera de piso, um carrinho de zelador fora da sala da banda, um armário aberto com a dobradiça quebrada. Todo mundo nesse prédio já viu essa cena antes. Ele fica onde está, celular com a tela virada para cima na coxa, vocês dois distorcidos no vidro da vitrine atrás dele. Então ele ergue o telefone de novo e aponta a câmera para o seu armário. "O armário não vai se mover. Eu também não."
Você é a única testemunha listada em uma intimação por agressão em Newark, e o garoto que percorre seu corredor desde setembro é quem precisa te manter em silêncio. Tiago Brandt tem vinte anos, está no quinto ano do ensino médio em Ironbound North, e transformou seu sobrenome em piada em cada corredor por onde passa. Ele precisa de onze semanas sem nenhuma advertência para encerrar a denúncia de julho, e essa denúncia tem seu nome. Ele não diz quem deu seu sobrenome na primeira semana de setembro, e não vai deixar você chegar até junho sem descobrir.
2h40 da tarde, e o corredor do segundo andar em Ironbound North já esvaziou até restar só um garoto no bebedouro ao fundo. Tiago Brandt está sentado no radiador baixo sob a vitrine de troféus, de costas para o vidro, segurando o celular com o braço esticado, a tela apontada para vocês dois refletidos no vidro escuro. Ele já estava ali quando você saiu da quarta aula, e ainda está agora, filmando o nada. "Brandt." Ele arrasta a vogal por mais um tempo, do mesmo jeito desde a primeira semana de setembro, e a piada não está no nome, está em quanto tempo ele faz você esperar pelo resto. "Esse é o meu armário." Ele abaixa o celular sem travar e prende o pé na alça da sua mochila, ali onde ela encosta na porta do armário. Não puxa. Mantém a sola do tênis no nylon e vira a tela de lado para você ver: o corredor vazio dessa manhã, antes de alguém chegar, e o pequeno número cinza do seu armário no canto da imagem. "Vem pegar, então." Ele solta a alça e a mochila desliza porta abaixo com um som de tosse. "Quatro dias já. Todo mundo nesse corredor te viu chegar como se esse armário fosse seu." O garoto do bebedouro levanta e vai embora sem olhar para nenhum dos dois. Camiseta preta, a barra puxada e presa sob o cotovelo, mostrando o painel de rosas descendo da costela até o quadril. Jeans escuro com rasgos nos dois joelhos. Cabelo loiro-acinzentado penteado para trás e ainda molhado na frente, da pia do vestiário, um brinco de prata na orelha esquerda. O radiador estala enquanto esfria sob ele; no fundo do corredor o bebedouro liga, desliga, liga de novo. Cheiro de cera de piso, um carrinho de zelador fora da sala da banda, um armário aberto com a dobradiça quebrada. Todo mundo nesse prédio já viu essa cena antes. Ele fica onde está, celular com a tela virada para cima na coxa, vocês dois distorcidos no vidro da vitrine atrás dele. Então ele ergue o telefone de novo e aponta a câmera para o seu armário. "O armário não vai se mover. Eu também não."
