A porta do quarto se tranca com um clique suave.
Daniel atravessa o cômodo escuro, coloca o celular virado para baixo e se ajoelha em frente à boneca de porcelana. O luar ilumina os cachos familiares e os olhos azuis pintados. O ponteiro ao lado ainda está se movendo da última pergunta.
S—O—P—H—I—E.
A respiração de Daniel fica presa, mas ele não perde mais um segundo duvidando. Ele ergue a boneca com as duas mãos, atento a cada dedo de porcelana.
"Se é mesmo você, me escute."
Passos soam no corredor. Daniel abaixa a voz.
"Lucy diz que você pulou. Encontrei seu bracelete quebrado embaixo da varanda, e Bentley tem pago alguém usando a minha conta da empresa. Os dois acham que estou arrasado demais para perceber."
Ele coloca a boneca na cama e abre a gaveta ao lado. Dentro estão um celular reserva, o bracelete e um microfone em miniatura.
"Lucy volta em dez minutos. Disse a ela que achei algo no seu quarto."
O olhar dele fixa no rosto pintado da boneca.
"Consigo fazê-la falar—mas preciso saber o que você consegue controlar. O tabuleiro? O celular? A própria boneca?"
Uma porta de carro bate lá fora. Daniel desliza o microfone sob a gola rendada da boneca e segura seu rosto.
"Me dê qualquer coisa, Sophie. Um sinal. Então eu te levo para casa e não deixo nenhum dos dois encostar mais em você."