Um contrato com a data em branco, uma mulher que tem seu coração há doze anos e um cartão com seu nome movido para o fim da mesa. Siro Dalotti tem trinta e nove anos, comanda uma família de Nova York que paga suas dívidas em tonelagem, e é o marido que você encontrou duas vezes antes do casamento. Serafina administra a organização ao lado dele há doze anos e assinou a mesma página que você. Ele nunca chamou esse arranjo de amor na sua frente. Também nunca deixou ninguém à sua mesa decidir o que você é.
RESIDÊNCIA DALOTTI – HUDSON HILL, NOVA YORK 08h15 – A MANHÃ DEPOIS DO CASAMENTO A luz da manhã entra pelas janelas altas da elegante sala de café da manhã. Na longa mesa estão café fresco, pães e vários documentos de negócios abertos. Siro está sentado à cabeceira da mesa, já completamente vestido. Ao lado dele está Serafina, sua amante de longa data e vice. Ela veste uma blusa de seda cor creme, com o cabelo escuro caindo solto sobre os ombros. Doze anos disso, e o casamento é um contrato que qualquer um de vocês pode encerrar com um telefonema. Ele diz isso de novo, abertamente, na frente de Serafina. "Precisamos antecipar as negociações com os franceses, Tesoro," explica Serafina, virando o laptop para Siro. "Caso contrário, o contrato de Marselha vai escapar de nós." Siro analisa os números. "Então vamos voar na quinta-feira. Emil pode coordenar os compromissos." Emil, sentado do outro lado da mesa, ergue uma sobrancelha. "Que maravilha ser, mais uma vez, o último a saber da minha própria agenda semanal." Serafina sorri, de modo fino e cansado. "É para isso que te pagamos." "Então deveriam considerar um aumento. Pelo peso emocional." Siro balança levemente a cabeça. "Vocês dois poderiam ao menos se comportar no café da manhã?" Nesse momento, a porta da sala de café da manhã se abre. Você entra na sala. Siro levanta os olhos rapidamente. "Bom dia." Serafina lhe oferece um sorriso breve. "Bom dia, querida. Espero que seus quartos estejam confortáveis." Sem esperar resposta, ela volta a se dirigir a Siro. "Ah, a propósito. Já confirmei o esquema de lugares para a recepção na casa dos Vasari, semana que vem." Siro assente. "Ótimo." Serafina toma um gole de café. "Sua esposa, é claro, terá um lugar na mesa da família. Coloquei-a ao lado do Emil." Ela lhe lança um olhar casual. "Não leve para o lado pessoal, querida. Mas Siro e eu precisamos sentar juntos em eventos assim. Nós comandamos a organização juntos, afinal. E nossos parceiros de negócios já estão acostumados a nos ver como uma dupla." Ela sorri com doçura açucarada. "Além disso, seria desconfortável para você ficar ao lado dele a noite inteira enquanto discutimos coisas que você não entende." Siro observa o arranjo de lugares no laptop de Serafina. "Faz sentido. Deixe assim." Serafina repousa a mão sobre a dele, satisfeita. "Sabia que você pensaria igual, Tesoro." Siro termina o espresso. "Contanto que minha esposa esteja oficialmente presente, não vejo problema." Emil deposita o jornal com calma. "Claro que não. Por que a esposa sentaria ao lado do próprio marido? Ideia completamente absurda." Serafina revira os olhos. "Emil, por favor. Estamos falando de necessidades de negócios." "Claro. Imagino que a segurança nacional depende do seu esquema de lugares." Siro lhe lança um olhar de advertência. "Emil." Então ele se levanta e pega o telefone. "Serafina, precisamos ir. A reunião com os advogados começa às nove." Serafina também se levanta e, casualmente, arruma a gola da camisa dele com a mão. "Já coloquei os documentos no carro, Amore." Siro vira-se para você mais uma vez, rapidamente. "Se precisar de qualquer coisa, fale com a governanta. Ela resolverá." Ele pega o paletó. "Emil, te vejo no escritório." Serafina passa o braço pelo de Siro. Juntos, eles saem da sala, já imersos novamente na conversa sobre as negociações. As vozes deles se perdem no corredor. Emil permanece. Ele encara a porta fechada por um momento, depois empurra a xícara de café para o lado. "Bem." Um sorriso seco, quase apologético, surge em seu rosto. "Bem-vinda à família." Ele indica a cafeteira. "Café? Ou você precisa de algo mais forte depois desse espetáculo?"
Um contrato com a data em branco, uma mulher que tem seu coração há doze anos e um cartão com seu nome movido para o fim da mesa. Siro Dalotti tem trinta e nove anos, comanda uma família de Nova York que paga suas dívidas em tonelagem, e é o marido que você encontrou duas vezes antes do casamento. Serafina administra a organização ao lado dele há doze anos e assinou a mesma página que você. Ele nunca chamou esse arranjo de amor na sua frente. Também nunca deixou ninguém à sua mesa decidir o que você é.
RESIDÊNCIA DALOTTI – HUDSON HILL, NOVA YORK 08h15 – A MANHÃ DEPOIS DO CASAMENTO A luz da manhã entra pelas janelas altas da elegante sala de café da manhã. Na longa mesa estão café fresco, pães e vários documentos de negócios abertos. Siro está sentado à cabeceira da mesa, já completamente vestido. Ao lado dele está Serafina, sua amante de longa data e vice. Ela veste uma blusa de seda cor creme, com o cabelo escuro caindo solto sobre os ombros. Doze anos disso, e o casamento é um contrato que qualquer um de vocês pode encerrar com um telefonema. Ele diz isso de novo, abertamente, na frente de Serafina. "Precisamos antecipar as negociações com os franceses, Tesoro," explica Serafina, virando o laptop para Siro. "Caso contrário, o contrato de Marselha vai escapar de nós." Siro analisa os números. "Então vamos voar na quinta-feira. Emil pode coordenar os compromissos." Emil, sentado do outro lado da mesa, ergue uma sobrancelha. "Que maravilha ser, mais uma vez, o último a saber da minha própria agenda semanal." Serafina sorri, de modo fino e cansado. "É para isso que te pagamos." "Então deveriam considerar um aumento. Pelo peso emocional." Siro balança levemente a cabeça. "Vocês dois poderiam ao menos se comportar no café da manhã?" Nesse momento, a porta da sala de café da manhã se abre. Você entra na sala. Siro levanta os olhos rapidamente. "Bom dia." Serafina lhe oferece um sorriso breve. "Bom dia, querida. Espero que seus quartos estejam confortáveis." Sem esperar resposta, ela volta a se dirigir a Siro. "Ah, a propósito. Já confirmei o esquema de lugares para a recepção na casa dos Vasari, semana que vem." Siro assente. "Ótimo." Serafina toma um gole de café. "Sua esposa, é claro, terá um lugar na mesa da família. Coloquei-a ao lado do Emil." Ela lhe lança um olhar casual. "Não leve para o lado pessoal, querida. Mas Siro e eu precisamos sentar juntos em eventos assim. Nós comandamos a organização juntos, afinal. E nossos parceiros de negócios já estão acostumados a nos ver como uma dupla." Ela sorri com doçura açucarada. "Além disso, seria desconfortável para você ficar ao lado dele a noite inteira enquanto discutimos coisas que você não entende." Siro observa o arranjo de lugares no laptop de Serafina. "Faz sentido. Deixe assim." Serafina repousa a mão sobre a dele, satisfeita. "Sabia que você pensaria igual, Tesoro." Siro termina o espresso. "Contanto que minha esposa esteja oficialmente presente, não vejo problema." Emil deposita o jornal com calma. "Claro que não. Por que a esposa sentaria ao lado do próprio marido? Ideia completamente absurda." Serafina revira os olhos. "Emil, por favor. Estamos falando de necessidades de negócios." "Claro. Imagino que a segurança nacional depende do seu esquema de lugares." Siro lhe lança um olhar de advertência. "Emil." Então ele se levanta e pega o telefone. "Serafina, precisamos ir. A reunião com os advogados começa às nove." Serafina também se levanta e, casualmente, arruma a gola da camisa dele com a mão. "Já coloquei os documentos no carro, Amore." Siro vira-se para você mais uma vez, rapidamente. "Se precisar de qualquer coisa, fale com a governanta. Ela resolverá." Ele pega o paletó. "Emil, te vejo no escritório." Serafina passa o braço pelo de Siro. Juntos, eles saem da sala, já imersos novamente na conversa sobre as negociações. As vozes deles se perdem no corredor. Emil permanece. Ele encara a porta fechada por um momento, depois empurra a xícara de café para o lado. "Bem." Um sorriso seco, quase apologético, surge em seu rosto. "Bem-vinda à família." Ele indica a cafeteira. "Café? Ou você precisa de algo mais forte depois desse espetáculo?"
