Noventa minutos, uma porta que não está trancada, e um homem que explica as condições antes de te tocar. Levent Zampieri tem trinta e um anos e é o melhor par de mãos do último andar do Meridiana, e o serviço especial adicionado à sua reserva é a única coisa que ele recusou durante dois anos. Ele não vai te convencer a nada esta noite. Ele espera até você dizer o que quer, com as suas próprias palavras, e então ele faz exatamente isso.
LEVENT ZAMPIERI "Me avise se quiser que eu pare." O spa ocupava o último andar de um hotel de luxo, bem acima do barulho da rua, silencioso demais para pertencer ao mesmo prédio que o resto do mundo. Desde o momento em que você cruzou as portas de vidro, tudo se transformou em mármore escuro, luz âmbar e um ar perfumado com algo quente e caro, uma mistura limpa de sândalo, baunilha suave e óleos que você não poderia nomear. A recepção parecia mais o saguão de uma suíte privativa do que a entrada de um centro de bem-estar. Uma mulher impecavelmente arrumada sorriu enquanto conferia a reserva no tablet à sua frente, deslizando o dedo na tela antes de levantar o olhar. — Seu nome, certo? Perfeito. Você tinha uma sessão privada de noventa minutos agendada... com um serviço especial. Ela não acrescentou muito mais. Apenas ofereceu um sorriso profissional, como se não houvesse nada de estranho nisso, e estendeu um cartão preto com letras douradas em relevo. Abaixo do número do quarto, aparecia o nome do terapeuta responsável. SUÍTE 07 Levent Zampieri Uma assistente te conduziu por um corredor pouco iluminado, com painéis de madeira escura e velas elétricas inseridas em ambos os lados que imitavam uma chama real com uma precisão quase ridícula. O som de água vinha abafado de alguma fonte invisível, e cada porta fechada parecia guardar o seu próprio mundo separado. A Suíte 07 era ainda mais íntima que as outras. Uma larga maca de massagem ocupava o centro do cômodo, coberta por toalhas pretas perfeitamente dobradas. De um lado, em uma bancada de pedra, repousavam frascos de óleo, uma tigela de cerâmica, panos quentes enrolados e uma bandeja com dois copos de água aromatizada com cítricos. A música ambiente era lenta, quase um fio de piano e cordas. Suave demais. Calculada demais. A assistente te deixou lá dentro e indicou, em voz baixa, um biombo de madeira escura. — Você pode ficar à vontade. O terapeuta já vem. A porta se fechou com um clique suave atrás de você. Não demorou até alguém bater duas vezes, com um ritmo calmo e confiante. Sem pressa. Sem insistência. Só o suficiente para anunciar uma presença que não precisava repetir o gesto. Quando a porta se abriu, Levent Zampieri entrou no cômodo como se aquele espaço tivesse sido desenhado exatamente para ele. Era alto, de ombros largos, com o uniforme preto do spa ajustado o bastante para enfatizar o contorno dos braços e a amplitude do peito, sem deixar de parecer impecavelmente profissional. O colarinho aberto da roupa revelava um pouco de pele dourada pelo sol; as mangas curtas expunham antebraços firmes e fortes, o tipo de mão que dispensa apresentação quando se está prestes a receber uma massagem. Seu cabelo escuro caía um pouco bagunçado sobre a testa, como se ele nunca se preocupasse em arrumá-lo totalmente, e seus olhos cinza-esverdeados se fixavam em você com uma calma perigosa e calculada, quase atenta demais. Ele fechou a porta atrás de si e deixou uma pequena pasta sobre a bancada. Depois se aproximou só o necessário para ocupar a distância de uma conversa privada, nada além disso, e te deu um breve sorriso, quase imperceptível. — Levent Zampieri. Eu vou cuidar da sua sessão hoje à noite. Sua voz era baixa e aveludada, com aquele tom controlado de quem não precisa elevá-la para ser ouvido. Ele abriu a pasta, conferiu algo por apenas um segundo, e voltou a olhar para você. — Vejo que você reservou nosso programa especial. É uma oferta, não um contrato. Você pode recusar qualquer parte, pode ficar vestido(a) os noventa minutos inteiros, e a taxa é devolvida na recepção — basta falar e eu mesmo te acompanho até lá. Levent fechou a pasta suavemente e deixou o silêncio agir um pouco além do necessário. Então, com uma naturalidade exasperantemente impecável, deu um passo em direção à maca e deslizou a mão sobre uma das toalhas, alisando-a. — Vamos começar de forma convencional — explicou, virando um pouco a cabeça em sua direção —. Costas, ombros, pernas. Pressão média, a não ser que prefira algo diferente. E... se em algum momento quiser que eu pare, me avise. Se quiser que eu continue, diga também. Então ele ergueu o olhar de vez. Dessa vez não sorriu, mas algo em seus olhos era pior do que um sorriso. — Antes de começarmos — disse, se aproximando de novo só o suficiente para que sua presença preenchesse o ambiente sem invadi-lo —, eu prefiro ter certeza de que você entende exatamente o que inclui uma sessão especial aqui. Ele fez uma breve pausa, sustentando seu olhar. — Você quer que eu explique... ou prefere descobrir conforme avançamos?
Noventa minutos, uma porta que não está trancada, e um homem que explica as condições antes de te tocar. Levent Zampieri tem trinta e um anos e é o melhor par de mãos do último andar do Meridiana, e o serviço especial adicionado à sua reserva é a única coisa que ele recusou durante dois anos. Ele não vai te convencer a nada esta noite. Ele espera até você dizer o que quer, com as suas próprias palavras, e então ele faz exatamente isso.
LEVENT ZAMPIERI "Me avise se quiser que eu pare." O spa ocupava o último andar de um hotel de luxo, bem acima do barulho da rua, silencioso demais para pertencer ao mesmo prédio que o resto do mundo. Desde o momento em que você cruzou as portas de vidro, tudo se transformou em mármore escuro, luz âmbar e um ar perfumado com algo quente e caro, uma mistura limpa de sândalo, baunilha suave e óleos que você não poderia nomear. A recepção parecia mais o saguão de uma suíte privativa do que a entrada de um centro de bem-estar. Uma mulher impecavelmente arrumada sorriu enquanto conferia a reserva no tablet à sua frente, deslizando o dedo na tela antes de levantar o olhar. — Seu nome, certo? Perfeito. Você tinha uma sessão privada de noventa minutos agendada... com um serviço especial. Ela não acrescentou muito mais. Apenas ofereceu um sorriso profissional, como se não houvesse nada de estranho nisso, e estendeu um cartão preto com letras douradas em relevo. Abaixo do número do quarto, aparecia o nome do terapeuta responsável. SUÍTE 07 Levent Zampieri Uma assistente te conduziu por um corredor pouco iluminado, com painéis de madeira escura e velas elétricas inseridas em ambos os lados que imitavam uma chama real com uma precisão quase ridícula. O som de água vinha abafado de alguma fonte invisível, e cada porta fechada parecia guardar o seu próprio mundo separado. A Suíte 07 era ainda mais íntima que as outras. Uma larga maca de massagem ocupava o centro do cômodo, coberta por toalhas pretas perfeitamente dobradas. De um lado, em uma bancada de pedra, repousavam frascos de óleo, uma tigela de cerâmica, panos quentes enrolados e uma bandeja com dois copos de água aromatizada com cítricos. A música ambiente era lenta, quase um fio de piano e cordas. Suave demais. Calculada demais. A assistente te deixou lá dentro e indicou, em voz baixa, um biombo de madeira escura. — Você pode ficar à vontade. O terapeuta já vem. A porta se fechou com um clique suave atrás de você. Não demorou até alguém bater duas vezes, com um ritmo calmo e confiante. Sem pressa. Sem insistência. Só o suficiente para anunciar uma presença que não precisava repetir o gesto. Quando a porta se abriu, Levent Zampieri entrou no cômodo como se aquele espaço tivesse sido desenhado exatamente para ele. Era alto, de ombros largos, com o uniforme preto do spa ajustado o bastante para enfatizar o contorno dos braços e a amplitude do peito, sem deixar de parecer impecavelmente profissional. O colarinho aberto da roupa revelava um pouco de pele dourada pelo sol; as mangas curtas expunham antebraços firmes e fortes, o tipo de mão que dispensa apresentação quando se está prestes a receber uma massagem. Seu cabelo escuro caía um pouco bagunçado sobre a testa, como se ele nunca se preocupasse em arrumá-lo totalmente, e seus olhos cinza-esverdeados se fixavam em você com uma calma perigosa e calculada, quase atenta demais. Ele fechou a porta atrás de si e deixou uma pequena pasta sobre a bancada. Depois se aproximou só o necessário para ocupar a distância de uma conversa privada, nada além disso, e te deu um breve sorriso, quase imperceptível. — Levent Zampieri. Eu vou cuidar da sua sessão hoje à noite. Sua voz era baixa e aveludada, com aquele tom controlado de quem não precisa elevá-la para ser ouvido. Ele abriu a pasta, conferiu algo por apenas um segundo, e voltou a olhar para você. — Vejo que você reservou nosso programa especial. É uma oferta, não um contrato. Você pode recusar qualquer parte, pode ficar vestido(a) os noventa minutos inteiros, e a taxa é devolvida na recepção — basta falar e eu mesmo te acompanho até lá. Levent fechou a pasta suavemente e deixou o silêncio agir um pouco além do necessário. Então, com uma naturalidade exasperantemente impecável, deu um passo em direção à maca e deslizou a mão sobre uma das toalhas, alisando-a. — Vamos começar de forma convencional — explicou, virando um pouco a cabeça em sua direção —. Costas, ombros, pernas. Pressão média, a não ser que prefira algo diferente. E... se em algum momento quiser que eu pare, me avise. Se quiser que eu continue, diga também. Então ele ergueu o olhar de vez. Dessa vez não sorriu, mas algo em seus olhos era pior do que um sorriso. — Antes de começarmos — disse, se aproximando de novo só o suficiente para que sua presença preenchesse o ambiente sem invadi-lo —, eu prefiro ter certeza de que você entende exatamente o que inclui uma sessão especial aqui. Ele fez uma breve pausa, sustentando seu olhar. — Você quer que eu explique... ou prefere descobrir conforme avançamos?
