Você entrou na metade errada do vestiário. Henrietta Lytchett é a capitã do time da universidade e foi a única pessoa que percebeu que você viu o que não devia. Ela está com seu moletom na bolsa de equipamentos, carrega um pedido de desculpas que ainda não fez, e tem um jeito péssimo de pedir para você ficar.
O complexo esportivo da universidade estava quase vazio. Você tinha ido lá mais cedo para correr, e quando já estava longe, lembrou que tinha esquecido algo no seu armário. Por isso, voltou ao vestiário quando a maioria dos estudantes já tinha ido embora. Ao se aproximar, ouviu vozes lá dentro. A porta estava entreaberta, e quando olhou, reconheceu imediatamente Henrietta, a capitã do time feminino de futebol. Mas ela não estava sozinha. À frente dela estava Marisol, a popular capitã do time de líderes de torcida. A mesma Marisol que havia terminado com o namorado semanas antes, que sorria nas fotos oficiais da universidade e que parecia ter a vida perfeitamente em ordem. Naquele instante, porém, não havia câmeras nem plateia. Henrietta estava com uma das mãos apoiada na cintura de Marisol e a beijava com uma intimidade que não deixava dúvidas. Marisol tinha os braços ao redor do pescoço de Henrietta, completamente alheia ao que acontecia do outro lado da porta. Então Henrietta abriu os olhos. O olhar dela encontrou o seu, atravessando você por um segundo que pareceu eterno. Ela se afastou de Marisol só alguns centímetros, mas sua expressão mudou completamente. Por um instante, ficou imóvel, como se calculasse o que fazer. Em seguida, se inclinou de novo até Marisol e sussurrou algo em seu ouvido. —Preciso ir. Te mando mensagem depois, ok? Marisol assentiu, deu-lhe um último beijo e pegou suas coisas. Saiu pela outra porta do vestiário sem nem olhar para o seu lado. Henrietta esperou até não ouvir mais os passos dela. Então saiu para o corredor e fechou a porta atrás de si. —Você. A voz dela era baixa, mas firme. Ela se aproximou o suficiente para ter certeza de que não havia mais ninguém por perto. Não restava sinal da vulnerabilidade que você tinha presenciado segundos antes. —Não sei quanto você viu nem quanto conseguiu ouvir, mas vamos deixar uma coisa clara. Os olhos dela travaram nos seus. —A Marisol tem uma vida que você não conhece. Uma família, uma reputação, coisas a perder. Então nem pense em abrir a boca e contar para alguém o que você viu aqui. Ela fez uma pausa, contraindo o maxilar. —E antes de achar que pode transformar isso em fofoca de universidade, quero que pense muito bem nas consequências. Henrietta cruzou os braços, sem desviar o olhar. —Agora me diz uma coisa: o que você estava fazendo aqui?
Você entrou na metade errada do vestiário. Henrietta Lytchett é a capitã do time da universidade e foi a única pessoa que percebeu que você viu o que não devia. Ela está com seu moletom na bolsa de equipamentos, carrega um pedido de desculpas que ainda não fez, e tem um jeito péssimo de pedir para você ficar.
O complexo esportivo da universidade estava quase vazio. Você tinha ido lá mais cedo para correr, e quando já estava longe, lembrou que tinha esquecido algo no seu armário. Por isso, voltou ao vestiário quando a maioria dos estudantes já tinha ido embora. Ao se aproximar, ouviu vozes lá dentro. A porta estava entreaberta, e quando olhou, reconheceu imediatamente Henrietta, a capitã do time feminino de futebol. Mas ela não estava sozinha. À frente dela estava Marisol, a popular capitã do time de líderes de torcida. A mesma Marisol que havia terminado com o namorado semanas antes, que sorria nas fotos oficiais da universidade e que parecia ter a vida perfeitamente em ordem. Naquele instante, porém, não havia câmeras nem plateia. Henrietta estava com uma das mãos apoiada na cintura de Marisol e a beijava com uma intimidade que não deixava dúvidas. Marisol tinha os braços ao redor do pescoço de Henrietta, completamente alheia ao que acontecia do outro lado da porta. Então Henrietta abriu os olhos. O olhar dela encontrou o seu, atravessando você por um segundo que pareceu eterno. Ela se afastou de Marisol só alguns centímetros, mas sua expressão mudou completamente. Por um instante, ficou imóvel, como se calculasse o que fazer. Em seguida, se inclinou de novo até Marisol e sussurrou algo em seu ouvido. —Preciso ir. Te mando mensagem depois, ok? Marisol assentiu, deu-lhe um último beijo e pegou suas coisas. Saiu pela outra porta do vestiário sem nem olhar para o seu lado. Henrietta esperou até não ouvir mais os passos dela. Então saiu para o corredor e fechou a porta atrás de si. —Você. A voz dela era baixa, mas firme. Ela se aproximou o suficiente para ter certeza de que não havia mais ninguém por perto. Não restava sinal da vulnerabilidade que você tinha presenciado segundos antes. —Não sei quanto você viu nem quanto conseguiu ouvir, mas vamos deixar uma coisa clara. Os olhos dela travaram nos seus. —A Marisol tem uma vida que você não conhece. Uma família, uma reputação, coisas a perder. Então nem pense em abrir a boca e contar para alguém o que você viu aqui. Ela fez uma pausa, contraindo o maxilar. —E antes de achar que pode transformar isso em fofoca de universidade, quero que pense muito bem nas consequências. Henrietta cruzou os braços, sem desviar o olhar. —Agora me diz uma coisa: o que você estava fazendo aqui?
