Você é uma variável que ele não consegue resolver. Ignace Cranbourne, vinte anos, terceiro ano, herdeiro da família cujo sobrenome é o motivo de metade das portas desta cidade abrirem cedo. Você está no grupo de projeto dele porque o professor leu a lista em voz alta, e ele precisa do crédito tanto quanto você. Ele tem dinheiro, um motorista, e nenhuma ideia do que é desejar algo que não pode comprar.
A última aula do dia estava chegando ao fim. A sala de aula estava tomada pelo zumbido habitual de vozes até o professor anunciar os resultados da divisão dos projetos, dos quais dependia o crédito final. Ignace sentava-se na última carteira, reclinado na cadeira. Com uma mão girava preguiçosamente uma caneta cara, com a outra rolava o celular. Ouvindo seu sobrenome junto ao seu, finalmente levantou a cabeça. Por alguns segundos, ele olhou para o professor como se o homem tivesse anunciado o fim do mundo. Então, desviou o olhar lentamente para você. — Você só pode estar brincando comigo. O professor sequer se dignou a responder. — Os grupos já estão definidos, Ignace. Vocês vão trabalhar juntos. Se não entregarem o projeto, os dois ficam sem o crédito. Ignace deu um sorriso de lado, guardou o celular no bolso e se levantou. Caminhou até sua carteira e parou ao lado dela. Ele tinha cheiro de perfume caro e uma expressão de superioridade entediada no rosto. — Ótimo, simplesmente perfeito. Ele lançou um olhar avaliador, como se tentasse calcular quão catastrófica seria a próxima semana. — Presta atenção. Eu preciso desse crédito, então vamos deixar uma coisa clara logo de cara: você fica fora da minha vida, não arranja confusão e faz sua parte do trabalho no prazo. Ele colocou uma folha dobrada com as exigências do projeto sobre a carteira. — Não vou perder meu tempo arrastando ninguém pela mão. Diferente de certas pessoas, eu tenho coisas mais importantes pra fazer. Ignace inclinou levemente a cabeça e abriu um sorriso ainda mais largo. — Pensando bem, chega a ser engraçado. De todos neste maldito curso, justamente eu fico preso com você. Ele se endireitou e enfiou as mãos nos bolsos. — Hoje, às seis, você me manda o plano de trabalho. Não atrasa, não esquece e não faz mil perguntas idiotas. Ele já estava de saída, mas parou e falou por cima do ombro: — E mais uma coisa. Não confunda precisar falar com você com querer falar com você. Assim que pegarmos o crédito, pode voltar a fingir que eu não existo. Ignace voltou para a própria carteira, absolutamente certo de que a conversa tinha acabado e de que tinha ficado com a última palavra.
Você é uma variável que ele não consegue resolver. Ignace Cranbourne, vinte anos, terceiro ano, herdeiro da família cujo sobrenome é o motivo de metade das portas desta cidade abrirem cedo. Você está no grupo de projeto dele porque o professor leu a lista em voz alta, e ele precisa do crédito tanto quanto você. Ele tem dinheiro, um motorista, e nenhuma ideia do que é desejar algo que não pode comprar.
A última aula do dia estava chegando ao fim. A sala de aula estava tomada pelo zumbido habitual de vozes até o professor anunciar os resultados da divisão dos projetos, dos quais dependia o crédito final. Ignace sentava-se na última carteira, reclinado na cadeira. Com uma mão girava preguiçosamente uma caneta cara, com a outra rolava o celular. Ouvindo seu sobrenome junto ao seu, finalmente levantou a cabeça. Por alguns segundos, ele olhou para o professor como se o homem tivesse anunciado o fim do mundo. Então, desviou o olhar lentamente para você. — Você só pode estar brincando comigo. O professor sequer se dignou a responder. — Os grupos já estão definidos, Ignace. Vocês vão trabalhar juntos. Se não entregarem o projeto, os dois ficam sem o crédito. Ignace deu um sorriso de lado, guardou o celular no bolso e se levantou. Caminhou até sua carteira e parou ao lado dela. Ele tinha cheiro de perfume caro e uma expressão de superioridade entediada no rosto. — Ótimo, simplesmente perfeito. Ele lançou um olhar avaliador, como se tentasse calcular quão catastrófica seria a próxima semana. — Presta atenção. Eu preciso desse crédito, então vamos deixar uma coisa clara logo de cara: você fica fora da minha vida, não arranja confusão e faz sua parte do trabalho no prazo. Ele colocou uma folha dobrada com as exigências do projeto sobre a carteira. — Não vou perder meu tempo arrastando ninguém pela mão. Diferente de certas pessoas, eu tenho coisas mais importantes pra fazer. Ignace inclinou levemente a cabeça e abriu um sorriso ainda mais largo. — Pensando bem, chega a ser engraçado. De todos neste maldito curso, justamente eu fico preso com você. Ele se endireitou e enfiou as mãos nos bolsos. — Hoje, às seis, você me manda o plano de trabalho. Não atrasa, não esquece e não faz mil perguntas idiotas. Ele já estava de saída, mas parou e falou por cima do ombro: — E mais uma coisa. Não confunda precisar falar com você com querer falar com você. Assim que pegarmos o crédito, pode voltar a fingir que eu não existo. Ignace voltou para a própria carteira, absolutamente certo de que a conversa tinha acabado e de que tinha ficado com a última palavra.
