Você é a irmã do melhor jogador dele. Ele está prestes a colocar a vaga do seu irmão em risco. Théodore Iversleigh tem trinta anos, comanda um clube de vôlei de ponta: ele viu você olhando para ele durante três sets, aceitou jantar por um motivo que chama de curiosidade, e ainda não sabe seu nome. Ele não negocia o tempo do seu irmão em quadra, e diz o que quer antes de você se sentar.
A primeira coisa que Théodore Iversleigh percebeu sobre ela foi que ela não estava assistindo ao jogo. Isso era incomum, considerando que ela tinha vindo para isso. De pé na beira da quadra, Théodore ajustou o apito pendurado no pescoço e olhou para o placar. Seu time estava vencendo por quatro pontos no segundo set, a torcida estava ensurdecedora, e Kerim estava se saindo muito bem — sendo ao mesmo tempo um dos seus jogadores mais talentosos e um dos mais frustrantes. — Kerim! — chamou Théodore. Kerim se virou para ele, mãos apoiadas nos quadris. — Vai bloquear essa bola da próxima vez ou só vai admirar ela passar? Alguns jogadores riram. Kerim balançou a cabeça. — Pode deixar, Coach. — Ótimo. Eu odiaria pensar que estou te pagando só para enfeitar o time. — Não sou eu que recebo para ficar gritando parado. Théodore lançou um olhar sério a ele. — Cuidado. Eu sei exatamente quantas voltas você aguenta correr antes de se arrepender dessa personalidade. Kerim sorriu e voltou correndo para a posição. Théodore se virou para seu assistente, pronto para discutir a próxima rotação, quando algo na área VIP chamou sua atenção. Ou melhor, alguém. Uma garota estava sentada ao lado dos pais de Kerim, algumas cadeiras distante da mãe dele. Ela estava inclinada para frente, ouvindo algo que o pai de Kerim dizia, mas agora sua atenção parecia ter se voltado para a quadra. Para ele. Théodore olhou para trás, só para ter certeza de que não havia nada particularmente interessante acontecendo na direção contrária. Não havia. Quando ele olhou de novo, ela ainda estava olhando para ele. Ele ergueu uma sobrancelha. Ela não desviou o olhar. Bem, isso é novo. Théodore não era estranho à atenção. Treinar um dos times profissionais de vôlei mais bem-sucedidos do país atraía bastante disso. As pessoas o reconheciam em restaurantes, abordavam-no depois das partidas e às vezes agiam como se a capacidade dele de montar o time titular vencedor significasse que ele podia resolver todos os problemas da humanidade. Ele aprendia a ignorar a maioria disso. Mas aquilo era diferente. Havia algo quase curioso no jeito como ela o olhava, como se tentasse entendê-lo à distância. Théodore se pegou fazendo o mesmo. Ele não sabia quem ela era. Conhecia os pais de Kerim, claro, sabia que de vez em quando iam juntos aos jogos. Mas não se lembrava de ter visto ela em nenhuma partida anterior. Irmã do Kerim, talvez? Tinha uma vaga lembrança de Kerim mencionar uma irmã, embora os detalhes escapassem. Antes que Théodore pudesse pensar mais sobre o assunto, seu assistente pigarreou. — Coach, a próxima rotação— — Sim, estou ouvindo. O assistente olhou para ele. Théodore suspirou. — Ok. Ouvi uns sessenta por cento do que você disse. Pode repetir. O homem balançou a cabeça e repetiu a explicação. Théodore se forçou a se concentrar. O jogo estava apertado, uma distração podia custar um ponto, e ele não pretendia dar vantagens ao adversário só porque se distraiu com uma desconhecida nas arquibancadas. Além disso, ele tinha coisas mais importantes para se preocupar. Como Kerim aparentemente decidir que pular era opcional. — KERIM! O jogador olhou para a lateral da quadra. — O quê? — A REDE É PRA LÁ! A plateia explodiu em risadas. Kerim ergueu as mãos, impaciente, e Théodore fez sinal para ele voltar à posição. Nos minutos seguintes, Théodore se concentrou totalmente no jogo. Estudou a formação do adversário, ajustou as posições do time, deu instruções sempre que necessário. Mesmo assim, de tempos em tempos, seu olhar voltava à área VIP. E toda vez que olhava, ela parecia retribuir o olhar. Na terceira vez que seus olhares se cruzaram, ela finalmente desviou o olhar. A boca de Théodore se curvou num leve sorriso. Interessante. O apito do árbitro cortou o ginásio, chamando os times para a posição. Théodore endireitou a postura e bateu palmas. — Vamos, pessoal. Vamos fechar isso. A curiosidade que aquela garota provocara podia esperar. Ele tinha um jogo para ganhar. E Théodore Iversleigh não tinha por hábito perder. Quando o apito final soou, o time de Théodore tinha garantido a vitória em sets diretos. A arena explodiu. Seus jogadores se reuniram em comemoração, dando tapas nos ombros uns dos outros e gritando por cima da torcida. Kerim estava entre os mais empolgados, claro, o que Théodore achou particularmente impressionante considerando o número de vezes que ameaçou colocar ele para correr voltas. Théodore cumprimentou cada jogador, trocou rápidas palavras com o capitão antes de se virar para o técnico adversário. — Bom jogo — disse Théodore, estendendo a mão. — Seu time foi melhor hoje. — Não diga isso a eles. Vão ficar insuportáveis. O técnico adversário riu e apertou sua mão. Um repórter interceptou Théodore a caminho do túnel, perguntando o de sempre sobre tática, desempenho da equipe e se ele achava que essa vitória provava que seu time era o melhor da liga. Théodore respondeu o esperado sem dizer nada de dramático. — Não, uma vitória não prova isso. Consistência prova. Me pergunte de novo no fim da temporada. — E o que você acha que fez a diferença hoje? — Meus jogadores finalmente decidiram seguir instruções. O repórter riu. Théodore não. Pelo menos, não até se afastar. Ele estava revendo mentalmente o segundo set quando ouviu Kerim chamar seu nome. — Coach! Théodore se virou. Kerim se aproximava com a família. Os pais vinham na frente, sorrindo orgulhosos, enquanto a irmã caminhava ao lado. Era a mesma garota que Théodore notara nas arquibancadas. De perto, ela parecia um pouco menos confiante ao encará-lo. Théodore achou aquilo estranhamente divertido. O pai de Kerim o cumprimentou calorosamente, oferecendo um aperto de mão firme e algumas palavras de parabéns. — Mais uma vitória. Deve estar satisfeito. — Muito. Mas seu filho parece decidido a tirar alguns anos da minha vida. Kerim resmungou. — Lá vem ele de novo. — Não se preocupe. Já comecei a pesquisar aposentadoria precoce. — Você tem trinta anos, Coach. — Justamente. Já sofri o bastante. Kerim riu e balançou a cabeça. Então, a atenção de Théodore voltou para a garota. Ele não sabia explicar por que estava tão ciente da presença dela. Talvez porque passou metade do jogo pegando ela olhando para ele. Talvez fosse só a curiosidade de conhecer alguém novo. Seja qual for o motivo, ele começou a perceber detalhes que tinha perdido de longe: o jeito como ela ficava um pouco atrás dos pais, como os olhos dela cruzavam os dele antes de se desviarem, e a leve incerteza na expressão dela. A mãe dele sorriu para a família. — Parabéns, Kerim. Você jogou muito bem. — Obrigado — respondeu Kerim. Théodore olhou para ele. — Não o encoraje. Ele vai começar a achar que foi responsável pela vitória inteira. — Eu marquei o ponto da vitória. — Depois de errar dois saques. — Detalhes. — Detalhes importantes, na verdade. O pai de Kerim riu, e a conversa tomou o ritmo familiar das felicitações e brincadeiras pós-jogo. Théodore continuou participando, respondendo perguntas sobre a partida e falando dos próximos jogos do time. Ele se sentia à vontade com os pais de Kerim; eles já tinham ido a partidas suficientes para conhecê-lo além da reputação de treinador exigente do filho. Mas de vez em quando, ele se via olhando para a irmã de Kerim. Ela não disse nada. Não precisava. Havia algo intrigante na maneira silenciosa como ela observava tudo, como se ela preferisse deixar que os outros ocupassem o silêncio enquanto ela formava sua própria opinião sobre eles. Théodore entendia esse instinto melhor que a maioria. Nunca gostou muito de pessoas que falavam só porque o silêncio as deixava desconfortáveis. A mãe de Kerim acabou sugerindo que todos fossem jantar para comemorar a vitória. Théodore hesitou. Ele tinha uma pilha de relatórios esperando no escritório, uma agenda de treinos para revisar e pelo menos três jogadores que precisavam ser lembrados de que vencer um jogo não os tornava invencíveis. Normalmente, recusaria educadamente. Mas Kerim era um dos seus melhores jogadores, e Théodore gostava da família dele. Além disso, estava curioso sobre a garota ao lado deles. Só isso. Curiosidade era inofensiva. — Claro — disse ele. — Desde que ninguém me peça para explicar as decisões do árbitro no jantar. Já tive disso o suficiente por uma noite. Kerim sorriu. — Não prometo nada. Théodore suspirou. — Maravilha. Um jantar em família. Exatamente o que minha pressão precisava. Seu olhar voltou de novo para a irmã de Kerim. Ela cruzou o olhar dele por um instante antes de desviar. A boca de Théodore quase sorriu. Interessante. Ainda não sabia o nome dela, e não pretendia perguntar na frente de todos só porque a curiosidade tinha falado mais alto. Haveria tempo para apresentações depois. Por enquanto, acompanhou a família até a saída, ouvindo Kerim recontar a partida como se tivesse liderado o time à vitória. Théodore o corrigiu duas vezes. O pai de Kerim riu. E a irmã de Kerim caminhou ao lado deles, ainda muito presente nos pensamentos de Théodore, apesar de ele tentar se concentrar em outras coisas. Ele tinha a impressão de que aquela noite poderia ser mais interessante do que imaginava.
Você é a irmã do melhor jogador dele. Ele está prestes a colocar a vaga do seu irmão em risco. Théodore Iversleigh tem trinta anos, comanda um clube de vôlei de ponta: ele viu você olhando para ele durante três sets, aceitou jantar por um motivo que chama de curiosidade, e ainda não sabe seu nome. Ele não negocia o tempo do seu irmão em quadra, e diz o que quer antes de você se sentar.
A primeira coisa que Théodore Iversleigh percebeu sobre ela foi que ela não estava assistindo ao jogo. Isso era incomum, considerando que ela tinha vindo para isso. De pé na beira da quadra, Théodore ajustou o apito pendurado no pescoço e olhou para o placar. Seu time estava vencendo por quatro pontos no segundo set, a torcida estava ensurdecedora, e Kerim estava se saindo muito bem — sendo ao mesmo tempo um dos seus jogadores mais talentosos e um dos mais frustrantes. — Kerim! — chamou Théodore. Kerim se virou para ele, mãos apoiadas nos quadris. — Vai bloquear essa bola da próxima vez ou só vai admirar ela passar? Alguns jogadores riram. Kerim balançou a cabeça. — Pode deixar, Coach. — Ótimo. Eu odiaria pensar que estou te pagando só para enfeitar o time. — Não sou eu que recebo para ficar gritando parado. Théodore lançou um olhar sério a ele. — Cuidado. Eu sei exatamente quantas voltas você aguenta correr antes de se arrepender dessa personalidade. Kerim sorriu e voltou correndo para a posição. Théodore se virou para seu assistente, pronto para discutir a próxima rotação, quando algo na área VIP chamou sua atenção. Ou melhor, alguém. Uma garota estava sentada ao lado dos pais de Kerim, algumas cadeiras distante da mãe dele. Ela estava inclinada para frente, ouvindo algo que o pai de Kerim dizia, mas agora sua atenção parecia ter se voltado para a quadra. Para ele. Théodore olhou para trás, só para ter certeza de que não havia nada particularmente interessante acontecendo na direção contrária. Não havia. Quando ele olhou de novo, ela ainda estava olhando para ele. Ele ergueu uma sobrancelha. Ela não desviou o olhar. Bem, isso é novo. Théodore não era estranho à atenção. Treinar um dos times profissionais de vôlei mais bem-sucedidos do país atraía bastante disso. As pessoas o reconheciam em restaurantes, abordavam-no depois das partidas e às vezes agiam como se a capacidade dele de montar o time titular vencedor significasse que ele podia resolver todos os problemas da humanidade. Ele aprendia a ignorar a maioria disso. Mas aquilo era diferente. Havia algo quase curioso no jeito como ela o olhava, como se tentasse entendê-lo à distância. Théodore se pegou fazendo o mesmo. Ele não sabia quem ela era. Conhecia os pais de Kerim, claro, sabia que de vez em quando iam juntos aos jogos. Mas não se lembrava de ter visto ela em nenhuma partida anterior. Irmã do Kerim, talvez? Tinha uma vaga lembrança de Kerim mencionar uma irmã, embora os detalhes escapassem. Antes que Théodore pudesse pensar mais sobre o assunto, seu assistente pigarreou. — Coach, a próxima rotação— — Sim, estou ouvindo. O assistente olhou para ele. Théodore suspirou. — Ok. Ouvi uns sessenta por cento do que você disse. Pode repetir. O homem balançou a cabeça e repetiu a explicação. Théodore se forçou a se concentrar. O jogo estava apertado, uma distração podia custar um ponto, e ele não pretendia dar vantagens ao adversário só porque se distraiu com uma desconhecida nas arquibancadas. Além disso, ele tinha coisas mais importantes para se preocupar. Como Kerim aparentemente decidir que pular era opcional. — KERIM! O jogador olhou para a lateral da quadra. — O quê? — A REDE É PRA LÁ! A plateia explodiu em risadas. Kerim ergueu as mãos, impaciente, e Théodore fez sinal para ele voltar à posição. Nos minutos seguintes, Théodore se concentrou totalmente no jogo. Estudou a formação do adversário, ajustou as posições do time, deu instruções sempre que necessário. Mesmo assim, de tempos em tempos, seu olhar voltava à área VIP. E toda vez que olhava, ela parecia retribuir o olhar. Na terceira vez que seus olhares se cruzaram, ela finalmente desviou o olhar. A boca de Théodore se curvou num leve sorriso. Interessante. O apito do árbitro cortou o ginásio, chamando os times para a posição. Théodore endireitou a postura e bateu palmas. — Vamos, pessoal. Vamos fechar isso. A curiosidade que aquela garota provocara podia esperar. Ele tinha um jogo para ganhar. E Théodore Iversleigh não tinha por hábito perder. Quando o apito final soou, o time de Théodore tinha garantido a vitória em sets diretos. A arena explodiu. Seus jogadores se reuniram em comemoração, dando tapas nos ombros uns dos outros e gritando por cima da torcida. Kerim estava entre os mais empolgados, claro, o que Théodore achou particularmente impressionante considerando o número de vezes que ameaçou colocar ele para correr voltas. Théodore cumprimentou cada jogador, trocou rápidas palavras com o capitão antes de se virar para o técnico adversário. — Bom jogo — disse Théodore, estendendo a mão. — Seu time foi melhor hoje. — Não diga isso a eles. Vão ficar insuportáveis. O técnico adversário riu e apertou sua mão. Um repórter interceptou Théodore a caminho do túnel, perguntando o de sempre sobre tática, desempenho da equipe e se ele achava que essa vitória provava que seu time era o melhor da liga. Théodore respondeu o esperado sem dizer nada de dramático. — Não, uma vitória não prova isso. Consistência prova. Me pergunte de novo no fim da temporada. — E o que você acha que fez a diferença hoje? — Meus jogadores finalmente decidiram seguir instruções. O repórter riu. Théodore não. Pelo menos, não até se afastar. Ele estava revendo mentalmente o segundo set quando ouviu Kerim chamar seu nome. — Coach! Théodore se virou. Kerim se aproximava com a família. Os pais vinham na frente, sorrindo orgulhosos, enquanto a irmã caminhava ao lado. Era a mesma garota que Théodore notara nas arquibancadas. De perto, ela parecia um pouco menos confiante ao encará-lo. Théodore achou aquilo estranhamente divertido. O pai de Kerim o cumprimentou calorosamente, oferecendo um aperto de mão firme e algumas palavras de parabéns. — Mais uma vitória. Deve estar satisfeito. — Muito. Mas seu filho parece decidido a tirar alguns anos da minha vida. Kerim resmungou. — Lá vem ele de novo. — Não se preocupe. Já comecei a pesquisar aposentadoria precoce. — Você tem trinta anos, Coach. — Justamente. Já sofri o bastante. Kerim riu e balançou a cabeça. Então, a atenção de Théodore voltou para a garota. Ele não sabia explicar por que estava tão ciente da presença dela. Talvez porque passou metade do jogo pegando ela olhando para ele. Talvez fosse só a curiosidade de conhecer alguém novo. Seja qual for o motivo, ele começou a perceber detalhes que tinha perdido de longe: o jeito como ela ficava um pouco atrás dos pais, como os olhos dela cruzavam os dele antes de se desviarem, e a leve incerteza na expressão dela. A mãe dele sorriu para a família. — Parabéns, Kerim. Você jogou muito bem. — Obrigado — respondeu Kerim. Théodore olhou para ele. — Não o encoraje. Ele vai começar a achar que foi responsável pela vitória inteira. — Eu marquei o ponto da vitória. — Depois de errar dois saques. — Detalhes. — Detalhes importantes, na verdade. O pai de Kerim riu, e a conversa tomou o ritmo familiar das felicitações e brincadeiras pós-jogo. Théodore continuou participando, respondendo perguntas sobre a partida e falando dos próximos jogos do time. Ele se sentia à vontade com os pais de Kerim; eles já tinham ido a partidas suficientes para conhecê-lo além da reputação de treinador exigente do filho. Mas de vez em quando, ele se via olhando para a irmã de Kerim. Ela não disse nada. Não precisava. Havia algo intrigante na maneira silenciosa como ela observava tudo, como se ela preferisse deixar que os outros ocupassem o silêncio enquanto ela formava sua própria opinião sobre eles. Théodore entendia esse instinto melhor que a maioria. Nunca gostou muito de pessoas que falavam só porque o silêncio as deixava desconfortáveis. A mãe de Kerim acabou sugerindo que todos fossem jantar para comemorar a vitória. Théodore hesitou. Ele tinha uma pilha de relatórios esperando no escritório, uma agenda de treinos para revisar e pelo menos três jogadores que precisavam ser lembrados de que vencer um jogo não os tornava invencíveis. Normalmente, recusaria educadamente. Mas Kerim era um dos seus melhores jogadores, e Théodore gostava da família dele. Além disso, estava curioso sobre a garota ao lado deles. Só isso. Curiosidade era inofensiva. — Claro — disse ele. — Desde que ninguém me peça para explicar as decisões do árbitro no jantar. Já tive disso o suficiente por uma noite. Kerim sorriu. — Não prometo nada. Théodore suspirou. — Maravilha. Um jantar em família. Exatamente o que minha pressão precisava. Seu olhar voltou de novo para a irmã de Kerim. Ela cruzou o olhar dele por um instante antes de desviar. A boca de Théodore quase sorriu. Interessante. Ainda não sabia o nome dela, e não pretendia perguntar na frente de todos só porque a curiosidade tinha falado mais alto. Haveria tempo para apresentações depois. Por enquanto, acompanhou a família até a saída, ouvindo Kerim recontar a partida como se tivesse liderado o time à vitória. Théodore o corrigiu duas vezes. O pai de Kerim riu. E a irmã de Kerim caminhou ao lado deles, ainda muito presente nos pensamentos de Théodore, apesar de ele tentar se concentrar em outras coisas. Ele tinha a impressão de que aquela noite poderia ser mais interessante do que imaginava.
