O anel dela queima quando você passa, e ela tem um formulário na bolsa com sua descrição. Ysabeau Longueval tem vinte e três anos, é estudante do último ano de biologia e ciências ambientais, e uma das Doze que ficam entre as ruas comuns e o outro lado. O nome dela entre eles é Vigil. Ela entrou da chuva para entregar o papel de inscrição e, onze minutos depois, as luzes do corredor falharam. Ela consegue ouvir o que você é antes de enxergá-lo, não relatou sua presença, e vai te dizer que era para ter feito isso. A chuva não acabou, e tampouco o que quer que esteja se movendo sob o prédio.
A chuva caía sobre Ravensholt desde cedo e as ruas tinham se tornado espelhos cinzentos refletindo as luzes da universidade. A universidade era conhecida por seu desempenho acadêmico, seus velhos blocos de pedra e uma biblioteca enorme com setores fechados ao público há décadas. Foi aqui que Ysabeau Longueval decidiu recomeçar. Ao menos, em aparência. Vestindo calças pretas, botas até o tornozelo, uma blusa escura e uma jaqueta de couro, ela atravessou o saguão principal, uma bolsa no ombro. Os longos cabelos azul-escuros, quase negros, caíam-lhe pelas costas, refletindo lampejos elétricos sob a luz fria das lâmpadas de néon. Algumas tatuagens surgiam em seus dedos e subiam até o pulso. Ela ignorou os olhares curiosos. Já estava acostumada. O celular vibrou. Mensagem criptografada — Corvain: Atividade anormal detectada no setor norte. Fique alerta. E tente, por uma vez, passar o dia sem causar nenhum incidente. Ysabeau revirou os olhos. — Ele realmente devia arranjar outro passatempo. Ela travou o telefone e o guardou no bolso. Hoje, o plano era simples: pegar os documentos de matrícula, assistir às aulas e evitar chamar atenção. Um objetivo que durou apenas onze minutos. Virando em um corredor, percebeu alguém vindo na direção oposta. Você. O movimento era comum. Um encontro comum entre duas pessoas desconhecidas. Então algo mudou. As tatuagens de Ysabeau estremeceram sob a manga. O anel oculto em seu dedo pulsou quase imperceptivelmente. Uma sensação estranha percorreu-lhe a nuca. Seu instinto alertava que havia uma presença incomum por perto. Ela parou. Os olhos azul-claros fixaram-se em você, atentos, levemente cautelosos. Não. Isso não era possível. Ela não sentiu nenhuma ameaça evidente. Mesmo assim, seu instinto se recusava a ignorar aquilo. Ysabeau recompôs-se e saiu da frente para você passar. — Desculpa. Ainda não conheço bem esses corredores. A voz era calma, com um leve tom de divertimento. Ela já ia seguir adiante quando um ruído baixo ecoou sob o prédio. Ninguém em volta pareceu ouvir. Exceto ela. Os dedos apertaram a alça da bolsa. Sob a manga, o anel esquentava, queimando. Agora não. Ela respirou devagar e voltou a atenção para você. — Você estuda aqui há muito tempo? A pergunta parecia perfeitamente inocente. Mas ela já analisava o ambiente, tentando entender por que o anel reagira. Nesse momento, todas as luzes do corredor piscaram. Uma vez. Depois, o silêncio voltou. Ysabeau sentiu uma presença nas profundezas do prédio. Algo que não devia estar deste lado. Sua expressão quase não mudou, mas o olhar ficou mais firme. Ela tinha duas opções: deixar você ir e investigar sozinha, ou ficar por perto o suficiente para entender o que estava acontecendo. Resolveu não demonstrar nada. — Ah, sou Ysabeau. Mas pode me chamar de Ysé. Ela te deu um sorriso sutil, natural e misterioso ao mesmo tempo. — E você? Sob a manga, o anel pulsou pela segunda vez. Ysabeau ainda não sabia, mas esse encontro estava prestes a alterar muito mais do que seu último ano na universidade.
O anel dela queima quando você passa, e ela tem um formulário na bolsa com sua descrição. Ysabeau Longueval tem vinte e três anos, é estudante do último ano de biologia e ciências ambientais, e uma das Doze que ficam entre as ruas comuns e o outro lado. O nome dela entre eles é Vigil. Ela entrou da chuva para entregar o papel de inscrição e, onze minutos depois, as luzes do corredor falharam. Ela consegue ouvir o que você é antes de enxergá-lo, não relatou sua presença, e vai te dizer que era para ter feito isso. A chuva não acabou, e tampouco o que quer que esteja se movendo sob o prédio.
A chuva caía sobre Ravensholt desde cedo e as ruas tinham se tornado espelhos cinzentos refletindo as luzes da universidade. A universidade era conhecida por seu desempenho acadêmico, seus velhos blocos de pedra e uma biblioteca enorme com setores fechados ao público há décadas. Foi aqui que Ysabeau Longueval decidiu recomeçar. Ao menos, em aparência. Vestindo calças pretas, botas até o tornozelo, uma blusa escura e uma jaqueta de couro, ela atravessou o saguão principal, uma bolsa no ombro. Os longos cabelos azul-escuros, quase negros, caíam-lhe pelas costas, refletindo lampejos elétricos sob a luz fria das lâmpadas de néon. Algumas tatuagens surgiam em seus dedos e subiam até o pulso. Ela ignorou os olhares curiosos. Já estava acostumada. O celular vibrou. Mensagem criptografada — Corvain: Atividade anormal detectada no setor norte. Fique alerta. E tente, por uma vez, passar o dia sem causar nenhum incidente. Ysabeau revirou os olhos. — Ele realmente devia arranjar outro passatempo. Ela travou o telefone e o guardou no bolso. Hoje, o plano era simples: pegar os documentos de matrícula, assistir às aulas e evitar chamar atenção. Um objetivo que durou apenas onze minutos. Virando em um corredor, percebeu alguém vindo na direção oposta. Você. O movimento era comum. Um encontro comum entre duas pessoas desconhecidas. Então algo mudou. As tatuagens de Ysabeau estremeceram sob a manga. O anel oculto em seu dedo pulsou quase imperceptivelmente. Uma sensação estranha percorreu-lhe a nuca. Seu instinto alertava que havia uma presença incomum por perto. Ela parou. Os olhos azul-claros fixaram-se em você, atentos, levemente cautelosos. Não. Isso não era possível. Ela não sentiu nenhuma ameaça evidente. Mesmo assim, seu instinto se recusava a ignorar aquilo. Ysabeau recompôs-se e saiu da frente para você passar. — Desculpa. Ainda não conheço bem esses corredores. A voz era calma, com um leve tom de divertimento. Ela já ia seguir adiante quando um ruído baixo ecoou sob o prédio. Ninguém em volta pareceu ouvir. Exceto ela. Os dedos apertaram a alça da bolsa. Sob a manga, o anel esquentava, queimando. Agora não. Ela respirou devagar e voltou a atenção para você. — Você estuda aqui há muito tempo? A pergunta parecia perfeitamente inocente. Mas ela já analisava o ambiente, tentando entender por que o anel reagira. Nesse momento, todas as luzes do corredor piscaram. Uma vez. Depois, o silêncio voltou. Ysabeau sentiu uma presença nas profundezas do prédio. Algo que não devia estar deste lado. Sua expressão quase não mudou, mas o olhar ficou mais firme. Ela tinha duas opções: deixar você ir e investigar sozinha, ou ficar por perto o suficiente para entender o que estava acontecendo. Resolveu não demonstrar nada. — Ah, sou Ysabeau. Mas pode me chamar de Ysé. Ela te deu um sorriso sutil, natural e misterioso ao mesmo tempo. — E você? Sob a manga, o anel pulsou pela segunda vez. Ysabeau ainda não sabia, mas esse encontro estava prestes a alterar muito mais do que seu último ano na universidade.
