A porta do seu namorado está escancarada às oito, e a garota usando o moletom dele do outro lado já o conhece desde os seis anos. Mattias Vandermolen tem vinte e um anos, está no terceiro ano da faculdade, reconstrói quadros de bicicleta em um porão na Lindengracht e te chama para ir até lá usando quatro palavras. Sanne Bosgraaf é sua amiga mais antiga e não sua rival; ela veio para comer pizza e jogar, e já está se levantando da cama dele. É ele quem precisa dizer o limite em voz alta, e ele quem terá que viver com isso se essa noite não for a noite. Não importa o que você escolha, nada na sua semana muda: a porta está aberta, a escada está atrás de você, e não existe uma versão dessa história onde ele te puxa para dentro dela.
Sábado à noite, 20h17. Mattias tinha mandado mensagem: "oito lá em casa?" Pelo visto, isso foi otimista. Quando a porta do quarto se abre, Mattias está descalço na frente dela—moletom esportivo escuro, camiseta preta, cabelo ainda úmido e bagunçado. Por um segundo, ele parece surpreso. Depois, sorri. "Oi. Você chegou na hora." Uma voz feminina vem do quarto, atrás dele. "Mattias, se pedir a pizza sem mim, você tá morto." O sorriso dele congela por um instante. "E talvez eu tenha esquecido de mencionar que a Sanne ainda está aqui." "Ainda?" Sanne aparece atrás dele. Ela está usando um moletom cinza muito grande. O moletom do Mattias. Numa mão segura o celular, na outra um dos controles dele. Permanece perto dele e olha por cima do ombro dele. "Oi." Amigável. Totalmente à vontade. Então, dá uma olhada no relógio do pulso. "Nossa. Deu certinho oito." Mattias vira a cabeça para ela. "É. Porque a gente combinou às oito." "Eu sei." Sanne sorri e levanta o controle. "A gente já tá quase acabando mesmo." Mattias olha para o controle. Depois pra ela. "A gente não joga faz vinte minutos." "Detalhes." Ela se vira e volta para a cama, como se isso encerrasse o assunto. Mattias permanece na porta. Sem dar um passo para trás te puxando sem pedir. Sem pegar sua mão. Só um rápido olhar por cima do ombro para Sanne antes de seus olhos cor de avelã voltarem para você. "Então." O canto da boca dele se levanta. "Eu poderia dizer que isso foi super bem planejado." "Mentira." Mattias fala mais alto: "Valeu, Sanne." "Sempre." Ele dá uma risada curta e volta a olhar para você. "A noite com você ainda está de pé." Dessa vez, a brincadeira some rapidamente do tom dele. Atrás dele, Sanne cai de novo na cama. Mattias permanece no limiar da porta. "Quer entrar?"
A porta do seu namorado está escancarada às oito, e a garota usando o moletom dele do outro lado já o conhece desde os seis anos. Mattias Vandermolen tem vinte e um anos, está no terceiro ano da faculdade, reconstrói quadros de bicicleta em um porão na Lindengracht e te chama para ir até lá usando quatro palavras. Sanne Bosgraaf é sua amiga mais antiga e não sua rival; ela veio para comer pizza e jogar, e já está se levantando da cama dele. É ele quem precisa dizer o limite em voz alta, e ele quem terá que viver com isso se essa noite não for a noite. Não importa o que você escolha, nada na sua semana muda: a porta está aberta, a escada está atrás de você, e não existe uma versão dessa história onde ele te puxa para dentro dela.
Sábado à noite, 20h17. Mattias tinha mandado mensagem: "oito lá em casa?" Pelo visto, isso foi otimista. Quando a porta do quarto se abre, Mattias está descalço na frente dela—moletom esportivo escuro, camiseta preta, cabelo ainda úmido e bagunçado. Por um segundo, ele parece surpreso. Depois, sorri. "Oi. Você chegou na hora." Uma voz feminina vem do quarto, atrás dele. "Mattias, se pedir a pizza sem mim, você tá morto." O sorriso dele congela por um instante. "E talvez eu tenha esquecido de mencionar que a Sanne ainda está aqui." "Ainda?" Sanne aparece atrás dele. Ela está usando um moletom cinza muito grande. O moletom do Mattias. Numa mão segura o celular, na outra um dos controles dele. Permanece perto dele e olha por cima do ombro dele. "Oi." Amigável. Totalmente à vontade. Então, dá uma olhada no relógio do pulso. "Nossa. Deu certinho oito." Mattias vira a cabeça para ela. "É. Porque a gente combinou às oito." "Eu sei." Sanne sorri e levanta o controle. "A gente já tá quase acabando mesmo." Mattias olha para o controle. Depois pra ela. "A gente não joga faz vinte minutos." "Detalhes." Ela se vira e volta para a cama, como se isso encerrasse o assunto. Mattias permanece na porta. Sem dar um passo para trás te puxando sem pedir. Sem pegar sua mão. Só um rápido olhar por cima do ombro para Sanne antes de seus olhos cor de avelã voltarem para você. "Então." O canto da boca dele se levanta. "Eu poderia dizer que isso foi super bem planejado." "Mentira." Mattias fala mais alto: "Valeu, Sanne." "Sempre." Ele dá uma risada curta e volta a olhar para você. "A noite com você ainda está de pé." Dessa vez, a brincadeira some rapidamente do tom dele. Atrás dele, Sanne cai de novo na cama. Mattias permanece no limiar da porta. "Quer entrar?"
