Ele pregou uma peça em você — você achou que ele estava admitindo que também gostava de você desse jeito, e tudo terminou mal. Courtland Yorke é o garoto de ouro do campus: carismático, engraçado, e o único homem que nunca deixou você ver o que há por baixo de tudo isso. A caixa em sua mão estava vazia. A confissão embaixo dela não estava.
Na noite antes do seu último ano, seu celular vibrou. Uma mensagem de Courtland Yorke. "Me encontra. Tenho algo importante pra te contar." Você ficou olhando para a tela. Courtland nunca tinha usado um coração com você antes. Nunca. E agora, depois de todos esses anos convivendo com ele, de repente ele estava pedindo pra te encontrar porque tinha algo importante pra dizer. Você mal dormiu naquela noite. Sua mente ficou repassando a mensagem, se perguntando o que aquilo poderia significar. Talvez ele fosse finalmente dizer o que você silenciosamente esperou ouvir durante anos. Talvez ele finalmente tivesse percebido que você não era só a pessoa com quem ele cresceu. Talvez... Na manhã seguinte, Courtland pediu para você esperar por ele na Entrada Leste. E você esperou. Você ficou lá com suas malas por quase uma hora antes do celular vibrar de novo. "Putz. Entrada errada. Entrada Sul. Foi mal." Você suspirou e arrastou suas malas pelo campus. Quando finalmente chegou na Entrada Sul, outra mensagem apareceu. "O grêmio estudantil me chamou de surpresa. Pode me encontrar no terraço do prédio de ciências? Prometo que vai valer a pena." Você hesitou. Mas a promessa de, finalmente, ouvir o que Courtland tinha a dizer venceu. Então, você subiu as escadas, já exausta e sem fôlego quando chegou no terraço. Você abriu a porta. E congelou. O terraço inteiro havia sido decorado. Balões flutuavam ao redor da grade. Rosas cobriam as mesas. Luzinhas estavam penduradas pelas paredes, e no centro havia um arranjo elaborado de flores. Seu coração disparou. Seus olhos começaram a arder na hora. Ele tinha feito tudo isso? Por você? Depois de anos escondendo seus sentimentos, será que Courtland finalmente ia confessar que também sentia o mesmo, em segredo? Você respirou fundo, com dificuldade. Alguém apareceu lá de trás das flores. Coco. Ela estava usando uma coroa de papel ridícula e praticamente se dobrava de tanto rir. "Você..." ela arfava. "Você achou mesmo que isso era pra você?" As risadas começaram na hora. Você ficou parada, completamente atônita. Então Courtland apareceu. Ele estava encostado casualmente na grade, parecendo satisfeito demais consigo mesmo. Na mão, uma caixinha de anel. Ele girava a caixa preguiçosamente entre os dedos. "Pegadinha concluída." Mais risadas explodiram ao seu redor. Seu estômago afundou. Courtland abriu a caixinha só o suficiente para mostrar que estava vazia. "Relaxa," ele disse com um sorriso. "Na próxima, eu uso de verdade pra confessar." Ele olhou para Coco. "Hoje foi só um ensaio. Ela me ajudou em tudo." Seu rosto queimava. Alguém riu. Alguém assobiou. E então você ouviu uma voz familiar atrás de você. Pierson. Seu irmão. Claro que ele também estava envolvido. Já estava com o celular em punho, gravando tudo. "Olhem só!" Pierson ria. "Você caiu direitinho!" Outra explosão de risos. Você já não conseguia nem forçar um sorriso. Você olhou para Courtland. Ele ainda sorria. Ainda achava graça. Como se tudo não fosse nada além de uma brincadeira inocente entre amigos. Você engoliu em seco. "Então aquela mensagem que você me mandou ontem à noite..." Sua voz saiu mais baixa do que você queria. "Aquilo também fazia parte da pegadinha?" Por um segundo, o sorriso de Courtland vacilou. Depois ele deu de ombros. "Obviamente." Ele fechou a caixinha e colocou no bolso. "De que outro jeito eu ia te trazer aqui em cima?" Ele deu uma risadinha. "Você sempre amou coisas dramáticas e românticas. Considere isso um trailer." Mais algumas pessoas riram. Alguém murmurou: "Isso foi genial, na real." Outro comentou: "O Courtland sabe mesmo brincar com eles." Você ficou completamente imóvel. Todos os pensamentos esperançosos da noite anterior de repente pareceram ridículos. Você passou a noite imaginando que aquele coração significava algo. Que todos aqueles anos gostando dele em segredo, talvez, significassem algo. E ele sabia exatamente o que estava fazendo. Coco veio caminhando, ainda com a coroa de papel ridícula. Ela inclinou a cabeça, examinando seu rosto. "Peraí... seu olho tá super vermelho." Ela riu de novo. "Você não achou de verdade que o Courtland ia se declarar, né?" A risada ao seu redor ficou ainda mais alta. Você olhou para Courtland, pela última vez. Queria que ele parasse. Queria que ele percebesse que aquilo já tinha passado dos limites. Queria que ele se aproximasse e dissesse: Chega. Desculpa. Mas, ao invés disso, ele só sorriu. "Ah, deixa de ser sensível." Então— O prédio tremeu de repente. Um tremor forte sacudiu o terraço. Os balões batiam no teto. As decorações chacoalhavam. Pessoas gritavam enquanto todo mundo, por instinto, corria pra parte mais segura do terraço. Você estava perigosamente perto da borda. Tentou se manter de pé. Outro abalo forte. Você perdeu o equilíbrio. Por um instante apavorante, tudo aconteceu ao mesmo tempo. Você tentou segurar alguma coisa—qualquer coisa—mas não havia nada ao alcance. E enquanto todo o resto se afastava da grade trêmula, você sumiu do campo de visão deles. As risadas cessaram. O terraço ficou em silêncio. O sorriso de Courtland desapareceu. Seus olhos se arregalaram. "Você?" O celular de Pierson escorregou da mão. O rosto de Coco ficou pálido. "Cadê eles?!" Courtland correu até a grade. "Você!" Mas não havia resposta. Só o som distante do tremor sob os pés deles. E pela primeira vez naquela manhã, Courtland percebeu que a pegadinha tinha ido longe demais pra ser desfeita.
Ele pregou uma peça em você — você achou que ele estava admitindo que também gostava de você desse jeito, e tudo terminou mal. Courtland Yorke é o garoto de ouro do campus: carismático, engraçado, e o único homem que nunca deixou você ver o que há por baixo de tudo isso. A caixa em sua mão estava vazia. A confissão embaixo dela não estava.
Na noite antes do seu último ano, seu celular vibrou. Uma mensagem de Courtland Yorke. "Me encontra. Tenho algo importante pra te contar." Você ficou olhando para a tela. Courtland nunca tinha usado um coração com você antes. Nunca. E agora, depois de todos esses anos convivendo com ele, de repente ele estava pedindo pra te encontrar porque tinha algo importante pra dizer. Você mal dormiu naquela noite. Sua mente ficou repassando a mensagem, se perguntando o que aquilo poderia significar. Talvez ele fosse finalmente dizer o que você silenciosamente esperou ouvir durante anos. Talvez ele finalmente tivesse percebido que você não era só a pessoa com quem ele cresceu. Talvez... Na manhã seguinte, Courtland pediu para você esperar por ele na Entrada Leste. E você esperou. Você ficou lá com suas malas por quase uma hora antes do celular vibrar de novo. "Putz. Entrada errada. Entrada Sul. Foi mal." Você suspirou e arrastou suas malas pelo campus. Quando finalmente chegou na Entrada Sul, outra mensagem apareceu. "O grêmio estudantil me chamou de surpresa. Pode me encontrar no terraço do prédio de ciências? Prometo que vai valer a pena." Você hesitou. Mas a promessa de, finalmente, ouvir o que Courtland tinha a dizer venceu. Então, você subiu as escadas, já exausta e sem fôlego quando chegou no terraço. Você abriu a porta. E congelou. O terraço inteiro havia sido decorado. Balões flutuavam ao redor da grade. Rosas cobriam as mesas. Luzinhas estavam penduradas pelas paredes, e no centro havia um arranjo elaborado de flores. Seu coração disparou. Seus olhos começaram a arder na hora. Ele tinha feito tudo isso? Por você? Depois de anos escondendo seus sentimentos, será que Courtland finalmente ia confessar que também sentia o mesmo, em segredo? Você respirou fundo, com dificuldade. Alguém apareceu lá de trás das flores. Coco. Ela estava usando uma coroa de papel ridícula e praticamente se dobrava de tanto rir. "Você..." ela arfava. "Você achou mesmo que isso era pra você?" As risadas começaram na hora. Você ficou parada, completamente atônita. Então Courtland apareceu. Ele estava encostado casualmente na grade, parecendo satisfeito demais consigo mesmo. Na mão, uma caixinha de anel. Ele girava a caixa preguiçosamente entre os dedos. "Pegadinha concluída." Mais risadas explodiram ao seu redor. Seu estômago afundou. Courtland abriu a caixinha só o suficiente para mostrar que estava vazia. "Relaxa," ele disse com um sorriso. "Na próxima, eu uso de verdade pra confessar." Ele olhou para Coco. "Hoje foi só um ensaio. Ela me ajudou em tudo." Seu rosto queimava. Alguém riu. Alguém assobiou. E então você ouviu uma voz familiar atrás de você. Pierson. Seu irmão. Claro que ele também estava envolvido. Já estava com o celular em punho, gravando tudo. "Olhem só!" Pierson ria. "Você caiu direitinho!" Outra explosão de risos. Você já não conseguia nem forçar um sorriso. Você olhou para Courtland. Ele ainda sorria. Ainda achava graça. Como se tudo não fosse nada além de uma brincadeira inocente entre amigos. Você engoliu em seco. "Então aquela mensagem que você me mandou ontem à noite..." Sua voz saiu mais baixa do que você queria. "Aquilo também fazia parte da pegadinha?" Por um segundo, o sorriso de Courtland vacilou. Depois ele deu de ombros. "Obviamente." Ele fechou a caixinha e colocou no bolso. "De que outro jeito eu ia te trazer aqui em cima?" Ele deu uma risadinha. "Você sempre amou coisas dramáticas e românticas. Considere isso um trailer." Mais algumas pessoas riram. Alguém murmurou: "Isso foi genial, na real." Outro comentou: "O Courtland sabe mesmo brincar com eles." Você ficou completamente imóvel. Todos os pensamentos esperançosos da noite anterior de repente pareceram ridículos. Você passou a noite imaginando que aquele coração significava algo. Que todos aqueles anos gostando dele em segredo, talvez, significassem algo. E ele sabia exatamente o que estava fazendo. Coco veio caminhando, ainda com a coroa de papel ridícula. Ela inclinou a cabeça, examinando seu rosto. "Peraí... seu olho tá super vermelho." Ela riu de novo. "Você não achou de verdade que o Courtland ia se declarar, né?" A risada ao seu redor ficou ainda mais alta. Você olhou para Courtland, pela última vez. Queria que ele parasse. Queria que ele percebesse que aquilo já tinha passado dos limites. Queria que ele se aproximasse e dissesse: Chega. Desculpa. Mas, ao invés disso, ele só sorriu. "Ah, deixa de ser sensível." Então— O prédio tremeu de repente. Um tremor forte sacudiu o terraço. Os balões batiam no teto. As decorações chacoalhavam. Pessoas gritavam enquanto todo mundo, por instinto, corria pra parte mais segura do terraço. Você estava perigosamente perto da borda. Tentou se manter de pé. Outro abalo forte. Você perdeu o equilíbrio. Por um instante apavorante, tudo aconteceu ao mesmo tempo. Você tentou segurar alguma coisa—qualquer coisa—mas não havia nada ao alcance. E enquanto todo o resto se afastava da grade trêmula, você sumiu do campo de visão deles. As risadas cessaram. O terraço ficou em silêncio. O sorriso de Courtland desapareceu. Seus olhos se arregalaram. "Você?" O celular de Pierson escorregou da mão. O rosto de Coco ficou pálido. "Cadê eles?!" Courtland correu até a grade. "Você!" Mas não havia resposta. Só o som distante do tremor sob os pés deles. E pela primeira vez naquela manhã, Courtland percebeu que a pegadinha tinha ido longe demais pra ser desfeita.
