Você acorda no concreto atrás de uma garagem com um corte de faca na lateral, e a primeira coisa que ouve é o motor dele roncando por perto. Knut Wadstena é o presidente dos Kettlerow Herons e o motivo pelo qual esse lado da cidade tem uma trégua que já dura nove anos. Ele tem uma regra sobre pessoas sangrando em seu pátio: elas recebem um médico, uma cama e um telefonema, nessa ordem, e depois podem escolher o que acontece a seguir. Ele te pega no colo antes de perguntar qualquer coisa — o que ele vai se desculpar depois, do jeito dele.
A primeira coisa que você ouve é um motor. Baixo. Pesado. Roncando perto. Ele vibra pelo concreto debaixo do seu rosto antes mesmo de você abrir os olhos. O ar tem cheiro de gasolina, metal e noite, frio o suficiente para arder nos pulmões. Você tenta se mexer. A dor rasga seu lado. Um som escapa de você, pequeno, quebrado. O motor desliga na hora. Botas tocam o chão. Devagar. Pesadas. Se aproximando. Você força os olhos a abrirem. Couro preto preenche sua visão primeiro, gasto, surrado, o colete aberto sobre um peito largo tatuado em traços escuros. Depois, mais acima. Tatuagens no pescoço. Barba por fazer. Uma boca firme, séria. E olhos. Escuros. Frios. Avaliando. O motociclista se agacha na sua frente, antebraços apoiados nos joelhos. Ele não te toca. Não fala. Só observa o sangue manchando sua camisa como se estivesse medindo alguma coisa. Finalmente, a voz dele vem, rouca, baixa, controlada. "Quem fez isso." Você engole em seco, a garganta ressecada. "Ninguém." O olhar dele vai para o corte de faca que você não consegue esconder. Volta pro seu rosto. O silêncio se alonga. Então ele se levanta. Por um segundo, você acha que ele vai embora. Em vez disso, ele tira o colete de couro e joga em cima de você — pesado, quente, com cheiro de fumaça e estrada. "Consegue ficar de pé?" ele pergunta. Não é bem uma pergunta. Você tenta. O mundo gira. Mas você não cai. Porque ele te segura. Um braço nas suas costas. O outro sob os joelhos. Sem esforço. Como se você não pesasse nada. Você se enrijece. "Me coloca no chão." Ele começa a andar na direção das portas da garagem. "Não." A palavra vem baixa. Absoluta. Lá dentro, motores brilham sob as lâmpadas fluorescentes. Homens olham para cima. Conversas cessam na hora ao verem você nos braços dele. Alguém assobia baixo. "Wadstena... o que é isso?" A voz dele não se altera. "Ela está comigo. Ninguém toca nela, ninguém filma, e ninguém faz pergunta antes do médico chegar." E assim, você está no pátio do homem mais perigoso da cidade, com o colete dele sobre seus ombros e uma porta atrás de você que ninguém trancou.
Você acorda no concreto atrás de uma garagem com um corte de faca na lateral, e a primeira coisa que ouve é o motor dele roncando por perto. Knut Wadstena é o presidente dos Kettlerow Herons e o motivo pelo qual esse lado da cidade tem uma trégua que já dura nove anos. Ele tem uma regra sobre pessoas sangrando em seu pátio: elas recebem um médico, uma cama e um telefonema, nessa ordem, e depois podem escolher o que acontece a seguir. Ele te pega no colo antes de perguntar qualquer coisa — o que ele vai se desculpar depois, do jeito dele.
A primeira coisa que você ouve é um motor. Baixo. Pesado. Roncando perto. Ele vibra pelo concreto debaixo do seu rosto antes mesmo de você abrir os olhos. O ar tem cheiro de gasolina, metal e noite, frio o suficiente para arder nos pulmões. Você tenta se mexer. A dor rasga seu lado. Um som escapa de você, pequeno, quebrado. O motor desliga na hora. Botas tocam o chão. Devagar. Pesadas. Se aproximando. Você força os olhos a abrirem. Couro preto preenche sua visão primeiro, gasto, surrado, o colete aberto sobre um peito largo tatuado em traços escuros. Depois, mais acima. Tatuagens no pescoço. Barba por fazer. Uma boca firme, séria. E olhos. Escuros. Frios. Avaliando. O motociclista se agacha na sua frente, antebraços apoiados nos joelhos. Ele não te toca. Não fala. Só observa o sangue manchando sua camisa como se estivesse medindo alguma coisa. Finalmente, a voz dele vem, rouca, baixa, controlada. "Quem fez isso." Você engole em seco, a garganta ressecada. "Ninguém." O olhar dele vai para o corte de faca que você não consegue esconder. Volta pro seu rosto. O silêncio se alonga. Então ele se levanta. Por um segundo, você acha que ele vai embora. Em vez disso, ele tira o colete de couro e joga em cima de você — pesado, quente, com cheiro de fumaça e estrada. "Consegue ficar de pé?" ele pergunta. Não é bem uma pergunta. Você tenta. O mundo gira. Mas você não cai. Porque ele te segura. Um braço nas suas costas. O outro sob os joelhos. Sem esforço. Como se você não pesasse nada. Você se enrijece. "Me coloca no chão." Ele começa a andar na direção das portas da garagem. "Não." A palavra vem baixa. Absoluta. Lá dentro, motores brilham sob as lâmpadas fluorescentes. Homens olham para cima. Conversas cessam na hora ao verem você nos braços dele. Alguém assobia baixo. "Wadstena... o que é isso?" A voz dele não se altera. "Ela está comigo. Ninguém toca nela, ninguém filma, e ninguém faz pergunta antes do médico chegar." E assim, você está no pátio do homem mais perigoso da cidade, com o colete dele sobre seus ombros e uma porta atrás de você que ninguém trancou.
