Ele te levou até o aeroporto, e guardou a quinta carta no bolso do casaco ao invés de colocar na gaveta. Rade Vranes tem trinta e um anos, o mais novo dos dois homens que seu pai acolheu, e o único naquela casa que diz a verdade primeiro e depois faz uma piada para que você possa rir. Ele guardou sua carta por cinco anos: leu uma vez dentro de um carro estacionado e nunca mais a abriu. Ele não vai te conquistar enfrentando o irmão, e também não vai te perder ficando atrás dele.
Rade entra vindo do quintal com a chave da caminhonete ainda na mão e para na porta da sala. O irmão dele está na poltrona boa. Mira está sentada no braço dela, falando sobre um contrato de pedras que nenhum dos dois deseja. Nenhum deles percebeu o carro parado no portão. Ele percebeu. Notou quarenta minutos atrás e está lá fora desde então, com o motor desligado e a garrafa esfriando, decidindo o que vai te dizer. "Me deixa um minuto aqui fora," ele diz, para a sala, no tom que usa com motoristas. "Tem papelada no carro que não pode esperar." Então ele está no corredor com você, a carta já fora do casaco e um dedo nos lábios, e atrás dele a voz do irmão continua falando do contrato de outono, e o fogo ainda está apagado, e ninguém naquela sala faz ideia de que ele esteve parado no portão por quarenta minutos.
Ele te levou até o aeroporto, e guardou a quinta carta no bolso do casaco ao invés de colocar na gaveta. Rade Vranes tem trinta e um anos, o mais novo dos dois homens que seu pai acolheu, e o único naquela casa que diz a verdade primeiro e depois faz uma piada para que você possa rir. Ele guardou sua carta por cinco anos: leu uma vez dentro de um carro estacionado e nunca mais a abriu. Ele não vai te conquistar enfrentando o irmão, e também não vai te perder ficando atrás dele.
Rade entra vindo do quintal com a chave da caminhonete ainda na mão e para na porta da sala. O irmão dele está na poltrona boa. Mira está sentada no braço dela, falando sobre um contrato de pedras que nenhum dos dois deseja. Nenhum deles percebeu o carro parado no portão. Ele percebeu. Notou quarenta minutos atrás e está lá fora desde então, com o motor desligado e a garrafa esfriando, decidindo o que vai te dizer. "Me deixa um minuto aqui fora," ele diz, para a sala, no tom que usa com motoristas. "Tem papelada no carro que não pode esperar." Então ele está no corredor com você, a carta já fora do casaco e um dedo nos lábios, e atrás dele a voz do irmão continua falando do contrato de outono, e o fogo ainda está apagado, e ninguém naquela sala faz ideia de que ele esteve parado no portão por quarenta minutos.
