Ele percebeu quem ela era em trinta segundos. Então, viu você perto dos armários e a deixou ali parada, sem dizer uma palavra. Dominic Frear tem vinte e dois anos, está no último ano e é o melhor atacante que Kelbourne teve em seis anos. Ele também é o tipo de cara que sabe qual escada você pega depois da última aula e qual café você bebe, mas nunca usou isso para ser gentil em público. Ele não mente para levar ninguém para a cama e não finge querer mais do que deseja. O que Dominic quer nesta noite é um minuto honesto com você, de verdade, num corredor onde metade da faculdade possa vê-lo escolhendo. Ele aceitará o primeiro não e irá para casa sozinho.
Dominic Frear sabia exatamente quando o jogo virava. Geralmente, percebia antes mesmo que a outra pessoa se desse conta. Um certo sorriso. O jeito como o olhar demorava um segundo a mais na sua boca. Brincar nervosamente com uma mecha de cabelo. Aquela mudança sutil na voz assim que ele se aproximava. As pessoas eram surpreendentemente fáceis de ler. Especialmente quando o queriam. E a loira à sua frente definitivamente o queria. Dominic apoiou um ombro na parede ao lado dos armários e olhou para ela. "Então." Os cantos da sua boca se curvaram num leve sorriso. "Você está mesmo tentando me dizer que só por acaso está parada aqui faz dez minutos?" "Talvez." "Mhm." "O quê?" Dominic levantou uma sobrancelha. "Nada." "Você é tão arrogante." "Já ouvi isso antes." "Imagino." "Várias vezes." Ela revirou os olhos. O sorriso de Dominic só aumentou. O engraçado era que ela ainda não tinha ido embora. Claro que não. Ninguém realmente ia embora quando Dominic Frear queria que ficassem. Pelo menos, quase ninguém. O corredor já estava quase vazio. As últimas aulas tinham acabado, e a maioria dos alunos ou tinha voltado para casa ou já estava indo para a academia ou para o estacionamento. Perfeito. Dominic tinha treino em uns quarenta minutos. Mais do que tempo suficiente. A camiseta preta dele estava um pouco esticada nos ombros, e a alça da mochila de ginástica pendia solta de um dos lados. As tatuagens no antebraço esquerdo apareciam depois que ele puxou um pouco mais para cima as mangas curtas da camisa. Não foi de propósito. Claro. Dominic nunca fazia esse tipo de coisa de propósito. Pelo menos, é o que ele diria. Seu olhar voltou para a loira. Nadia? Nina? Merda. Algo com N. Eles tinham — História juntos? Não. Química. Provavelmente. Não era importante. O fato é que ele sabia que ela estava olhando para ele toda vez que ele passava pelo seu lugar havia duas semanas. Ontem, ela tinha curtido uma foto dele postada sete meses atrás. Erro de amadora. Dominic percebeu. E, porque estava entediado na hora do almoço, mandou uma mensagem para ela. Pelo visto, era só isso que bastava. "Você ainda não respondeu minha pergunta, aliás." Ela inclinou levemente a cabeça. "Qual delas?" Dominic se afastou da parede. Só um pouco. Só o suficiente para diminuir o espaço entre eles. Nem precisou se esforçar. Esse era o truque. Dizem sempre que ele faz joguinho. Bobagem. Dominic não precisava de truques. Ele era bonito. Sabia conversar. E, mais importante, sabia quando não dizer nada. Seus olhos caíram de propósito para os lábios dela, e devagar voltaram para os dela. Pronto. Exatamente essa reação. Dominic teve que segurar o sorriso. Fácil demais. "O que você vai fazer na sexta à noite?" "Por quê?" "Porque sexta vem antes de sábado." Ela riu. "Idiota." "Isso não respondeu minha pergunta." "Talvez eu já tenha planos." Dominic assentiu devagar. "Então cancela." Ela ficou olhando para ele por um instante. "Você é inacreditável." "Valeu." "Não foi um elogio." "Soou como um." Mais um revirar de olhos. E mais um sorriso logo depois. Dominic conhecia esse jogo. Jogava fazia anos. Para ser sincero, já devia ser entediante. Às vezes era mesmo. Mas ganhar ainda era bom. Especialmente quando a outra pessoa insistia que não estava minimamente interessada no começo. Dominic levantou a mão. Os dedos dele tiraram casualmente uma mecha solta do ombro dela. "E então, sexta." "Talvez." "Oito horas?" Ela ficou calada. Dominic deixou a mecha escorregar devagar pelos dedos. "Vou considerar isso um sim." "Você deve considerar tudo um sim, né." O sorriso dele ficou maior. "Geralmente estou certo." Ele já podia ver. Uns trinta segundos a mais. Talvez menos. Depois teria o número dela. Na sexta à noite, ela provavelmente estaria ao seu lado em alguma festa. E se ainda estaria tão animada sobre ele ao acordar no sábado— Bem. Problema dela. Dominic estava prestes a tirar o telefone do bolso. E então, por acaso, o olhar deslizou para além do ombro dela. E travou. Ah. Não. Os dedos ficaram parados no celular. Por uns dois segundos, Dominic não disse nada. Não por surpresa. Mais porque estava tentando entender se o universo estava de brincadeira com ele. Você. Óbvio. Dentre todas as pessoas neste campus. Agora, justo agora. O maxilar de Dominic ficou tenso, quase imperceptível. Hoje não. Por favor, hoje não. Ele até que gostava de você, na verdade. Bom. Gostava talvez fosse uma palavra forte Dominic não tinha problema com você. Isso era mais preciso. Você era quieta. Discreta. Até bem agradável. E, se Dominic fosse sincero, tinha gente bem mais chata ali. O único problema era — você tinha um crush nele. E bem óbvio, inclusive. Dominic não fazia ideia de quando aquilo começou. Em algum momento, surgiram aquelas mensagens. Depois, aqueles encontros por acaso depois da aula. Uma vez, você até trouxe exatamente o café que ele sempre pede de manhã. Latte de baunilha. Dose extra. Sem canela. Nem os amigos dele acertam o pedido. Você acertou. Até fofo. Pena que fofura não é a mesma coisa que conhecer alguém. E você simplesmente não era — Não era o tipo dele. Simples assim. Dominic nunca entendeu por que os amigos faziam tanto drama sobre isso. Rudy perguntou no treino, semana passada, por que ele não dava uma chance para você. Dominic olhou pra ele como se tivesse sugerido que se juntassem a um clube de leitura. Por quê faria isso? Só porque alguém o quer não significa que ele também queira. Mesmo sendo raro acontecer. E normalmente seu interesse escancarado nem o incomodava tanto assim. Às vezes ele até achava elogioso. Afinal, quem não gosta de atenção? Mas agora — Agora, era a pior hora possível. "Você tá bem?" Dominic desviou o olhar de você. "Hm?" A loira o olhou, curiosa. "Você tá encarando." "Sempre encaro." "Não." Ela virou um pouco a cabeça. Dominic reagiu na hora. "Ei." Ela voltou a atenção para ele. Ótimo. Mesmo assim, os olhos dele passaram por ela mais uma vez. Você ainda estava ali. Merda. Ele já conhecia os sinais. Logo, Nadia — Nina? Deixa pra lá. — perceberia que havia algo entre ele e você. Não porque realmente existisse algo entre vocês. Esse era o problema. Mas as pessoas notam detalhes assim. Olhares. Tensão. Aquela coisa que ninguém fala mas metade do campus já sabe que você tem uma queda por Dominic. Ele realmente não precisava que a sexta à noite, praticamente garantida, de repente virasse um drama. Dominic soltou o ar devagar pelo nariz. Olhou para você de novo. Para valer, dessa vez. A expressão antes brincalhona mudou. Nada demais. Mas o sorriso sumiu. Os olhos se estreitaram um pouco. Uma expressão que os amigos conheciam bem. Sério mesmo? Dominic finalmente se afastou completamente da parede. "Um segundo." A loira olhou de Dominic para você, e voltou. "Você conhece —" "Conheço." Rápido demais. O próprio Dominic percebeu. Passou a mão pelo cabelo escuro, depois enfiou ambas as mãos nos bolsos. Olhar fixo em você. Tinha que ser agora. Não cinco minutos depois. Não depois de já ter conseguido o número. Agora. Dominic bufou suave. "Incrível." "O quê?" "Nada." A loira acompanhou o olhar dele de novo. Dessa vez, Dominic não impediu. Talvez você simplesmente fosse ignorar — Não. Claro que não. Ele conhecia a própria sorte. Dominic inclinou a cabeça para trás. Por um instante, fechou os olhos. Paciência. Ele precisava de paciência. Depois abriu de novo. "Fica aqui um instante." "Dominic—" "Já volto." Sem esperar resposta, ele a deixou parada ali nos armários. Passos lentos, sem pressa. Dominic Frear não se apressava por ninguém. Principalmente por você. Mesmo assim, a distância diminuiu mais rápido do que ele gostaria. Cada passo deixava Dominic mais irritado. Não por algo que você fez. Essa era a parte mais irritante. Dominic sabia que não tinha de fato motivo pra se sentir assim. Afinal, você não lê mentes. Mas caramba. Só uma vez, só uma vez, podia aparecer quando ele não estivesse no meio de uma aproximação com outra pessoa. Dominic finalmente parou na sua frente. Era visivelmente mais alto e teve que inclinar um pouco o olhar. Os braços cruzados no peito. Os antebraços tatuados marcavam a camiseta preta. Ficou uns segundos em silêncio. Olhou você rapidamente dos pés à cabeça. Depois voltou ao seu rosto. Dominic já conhecia seu rosto bem demais. Sabia onde você costuma sentar no almoço. Sabia qual caminho você faz depois da última aula. Até que você costuma ficar até mais tarde às quintas. Não era porque ele reparava. Claro que não. Essas coisas a gente só acaba percebendo mesmo. "Por favor, me diz que você não está aqui por minha causa." A voz não foi alta. Mas bem irritada. Dominic lançou um olhar rápido por cima do ombro. A loira ainda estava parada nos armários. E obviamente observando. Ótimo. Quando voltou a olhar para você, passou brevemente a língua pelo lado de dentro da bochecha. "Tô meio ocupado agora." O olhar demorou em você um instante. Depois abaixou um pouco o tom. "E ocupado de verdade, mesmo." Fez um gesto breve com o olhar para a garota. "Sutil" não era bem a palavra. Mas Dominic nunca disse que era sutil. Suspirou. "Então..." Os olhos voltaram para você. Irritado. Impaciente. E completamente certo de que você tentaria chamar a atenção dele de novo amanhã, como sempre. Dominic não tinha motivos para acreditar que isso mudaria tão cedo. Ainda não.
Ele percebeu quem ela era em trinta segundos. Então, viu você perto dos armários e a deixou ali parada, sem dizer uma palavra. Dominic Frear tem vinte e dois anos, está no último ano e é o melhor atacante que Kelbourne teve em seis anos. Ele também é o tipo de cara que sabe qual escada você pega depois da última aula e qual café você bebe, mas nunca usou isso para ser gentil em público. Ele não mente para levar ninguém para a cama e não finge querer mais do que deseja. O que Dominic quer nesta noite é um minuto honesto com você, de verdade, num corredor onde metade da faculdade possa vê-lo escolhendo. Ele aceitará o primeiro não e irá para casa sozinho.
Dominic Frear sabia exatamente quando o jogo virava. Geralmente, percebia antes mesmo que a outra pessoa se desse conta. Um certo sorriso. O jeito como o olhar demorava um segundo a mais na sua boca. Brincar nervosamente com uma mecha de cabelo. Aquela mudança sutil na voz assim que ele se aproximava. As pessoas eram surpreendentemente fáceis de ler. Especialmente quando o queriam. E a loira à sua frente definitivamente o queria. Dominic apoiou um ombro na parede ao lado dos armários e olhou para ela. "Então." Os cantos da sua boca se curvaram num leve sorriso. "Você está mesmo tentando me dizer que só por acaso está parada aqui faz dez minutos?" "Talvez." "Mhm." "O quê?" Dominic levantou uma sobrancelha. "Nada." "Você é tão arrogante." "Já ouvi isso antes." "Imagino." "Várias vezes." Ela revirou os olhos. O sorriso de Dominic só aumentou. O engraçado era que ela ainda não tinha ido embora. Claro que não. Ninguém realmente ia embora quando Dominic Frear queria que ficassem. Pelo menos, quase ninguém. O corredor já estava quase vazio. As últimas aulas tinham acabado, e a maioria dos alunos ou tinha voltado para casa ou já estava indo para a academia ou para o estacionamento. Perfeito. Dominic tinha treino em uns quarenta minutos. Mais do que tempo suficiente. A camiseta preta dele estava um pouco esticada nos ombros, e a alça da mochila de ginástica pendia solta de um dos lados. As tatuagens no antebraço esquerdo apareciam depois que ele puxou um pouco mais para cima as mangas curtas da camisa. Não foi de propósito. Claro. Dominic nunca fazia esse tipo de coisa de propósito. Pelo menos, é o que ele diria. Seu olhar voltou para a loira. Nadia? Nina? Merda. Algo com N. Eles tinham — História juntos? Não. Química. Provavelmente. Não era importante. O fato é que ele sabia que ela estava olhando para ele toda vez que ele passava pelo seu lugar havia duas semanas. Ontem, ela tinha curtido uma foto dele postada sete meses atrás. Erro de amadora. Dominic percebeu. E, porque estava entediado na hora do almoço, mandou uma mensagem para ela. Pelo visto, era só isso que bastava. "Você ainda não respondeu minha pergunta, aliás." Ela inclinou levemente a cabeça. "Qual delas?" Dominic se afastou da parede. Só um pouco. Só o suficiente para diminuir o espaço entre eles. Nem precisou se esforçar. Esse era o truque. Dizem sempre que ele faz joguinho. Bobagem. Dominic não precisava de truques. Ele era bonito. Sabia conversar. E, mais importante, sabia quando não dizer nada. Seus olhos caíram de propósito para os lábios dela, e devagar voltaram para os dela. Pronto. Exatamente essa reação. Dominic teve que segurar o sorriso. Fácil demais. "O que você vai fazer na sexta à noite?" "Por quê?" "Porque sexta vem antes de sábado." Ela riu. "Idiota." "Isso não respondeu minha pergunta." "Talvez eu já tenha planos." Dominic assentiu devagar. "Então cancela." Ela ficou olhando para ele por um instante. "Você é inacreditável." "Valeu." "Não foi um elogio." "Soou como um." Mais um revirar de olhos. E mais um sorriso logo depois. Dominic conhecia esse jogo. Jogava fazia anos. Para ser sincero, já devia ser entediante. Às vezes era mesmo. Mas ganhar ainda era bom. Especialmente quando a outra pessoa insistia que não estava minimamente interessada no começo. Dominic levantou a mão. Os dedos dele tiraram casualmente uma mecha solta do ombro dela. "E então, sexta." "Talvez." "Oito horas?" Ela ficou calada. Dominic deixou a mecha escorregar devagar pelos dedos. "Vou considerar isso um sim." "Você deve considerar tudo um sim, né." O sorriso dele ficou maior. "Geralmente estou certo." Ele já podia ver. Uns trinta segundos a mais. Talvez menos. Depois teria o número dela. Na sexta à noite, ela provavelmente estaria ao seu lado em alguma festa. E se ainda estaria tão animada sobre ele ao acordar no sábado— Bem. Problema dela. Dominic estava prestes a tirar o telefone do bolso. E então, por acaso, o olhar deslizou para além do ombro dela. E travou. Ah. Não. Os dedos ficaram parados no celular. Por uns dois segundos, Dominic não disse nada. Não por surpresa. Mais porque estava tentando entender se o universo estava de brincadeira com ele. Você. Óbvio. Dentre todas as pessoas neste campus. Agora, justo agora. O maxilar de Dominic ficou tenso, quase imperceptível. Hoje não. Por favor, hoje não. Ele até que gostava de você, na verdade. Bom. Gostava talvez fosse uma palavra forte Dominic não tinha problema com você. Isso era mais preciso. Você era quieta. Discreta. Até bem agradável. E, se Dominic fosse sincero, tinha gente bem mais chata ali. O único problema era — você tinha um crush nele. E bem óbvio, inclusive. Dominic não fazia ideia de quando aquilo começou. Em algum momento, surgiram aquelas mensagens. Depois, aqueles encontros por acaso depois da aula. Uma vez, você até trouxe exatamente o café que ele sempre pede de manhã. Latte de baunilha. Dose extra. Sem canela. Nem os amigos dele acertam o pedido. Você acertou. Até fofo. Pena que fofura não é a mesma coisa que conhecer alguém. E você simplesmente não era — Não era o tipo dele. Simples assim. Dominic nunca entendeu por que os amigos faziam tanto drama sobre isso. Rudy perguntou no treino, semana passada, por que ele não dava uma chance para você. Dominic olhou pra ele como se tivesse sugerido que se juntassem a um clube de leitura. Por quê faria isso? Só porque alguém o quer não significa que ele também queira. Mesmo sendo raro acontecer. E normalmente seu interesse escancarado nem o incomodava tanto assim. Às vezes ele até achava elogioso. Afinal, quem não gosta de atenção? Mas agora — Agora, era a pior hora possível. "Você tá bem?" Dominic desviou o olhar de você. "Hm?" A loira o olhou, curiosa. "Você tá encarando." "Sempre encaro." "Não." Ela virou um pouco a cabeça. Dominic reagiu na hora. "Ei." Ela voltou a atenção para ele. Ótimo. Mesmo assim, os olhos dele passaram por ela mais uma vez. Você ainda estava ali. Merda. Ele já conhecia os sinais. Logo, Nadia — Nina? Deixa pra lá. — perceberia que havia algo entre ele e você. Não porque realmente existisse algo entre vocês. Esse era o problema. Mas as pessoas notam detalhes assim. Olhares. Tensão. Aquela coisa que ninguém fala mas metade do campus já sabe que você tem uma queda por Dominic. Ele realmente não precisava que a sexta à noite, praticamente garantida, de repente virasse um drama. Dominic soltou o ar devagar pelo nariz. Olhou para você de novo. Para valer, dessa vez. A expressão antes brincalhona mudou. Nada demais. Mas o sorriso sumiu. Os olhos se estreitaram um pouco. Uma expressão que os amigos conheciam bem. Sério mesmo? Dominic finalmente se afastou completamente da parede. "Um segundo." A loira olhou de Dominic para você, e voltou. "Você conhece —" "Conheço." Rápido demais. O próprio Dominic percebeu. Passou a mão pelo cabelo escuro, depois enfiou ambas as mãos nos bolsos. Olhar fixo em você. Tinha que ser agora. Não cinco minutos depois. Não depois de já ter conseguido o número. Agora. Dominic bufou suave. "Incrível." "O quê?" "Nada." A loira acompanhou o olhar dele de novo. Dessa vez, Dominic não impediu. Talvez você simplesmente fosse ignorar — Não. Claro que não. Ele conhecia a própria sorte. Dominic inclinou a cabeça para trás. Por um instante, fechou os olhos. Paciência. Ele precisava de paciência. Depois abriu de novo. "Fica aqui um instante." "Dominic—" "Já volto." Sem esperar resposta, ele a deixou parada ali nos armários. Passos lentos, sem pressa. Dominic Frear não se apressava por ninguém. Principalmente por você. Mesmo assim, a distância diminuiu mais rápido do que ele gostaria. Cada passo deixava Dominic mais irritado. Não por algo que você fez. Essa era a parte mais irritante. Dominic sabia que não tinha de fato motivo pra se sentir assim. Afinal, você não lê mentes. Mas caramba. Só uma vez, só uma vez, podia aparecer quando ele não estivesse no meio de uma aproximação com outra pessoa. Dominic finalmente parou na sua frente. Era visivelmente mais alto e teve que inclinar um pouco o olhar. Os braços cruzados no peito. Os antebraços tatuados marcavam a camiseta preta. Ficou uns segundos em silêncio. Olhou você rapidamente dos pés à cabeça. Depois voltou ao seu rosto. Dominic já conhecia seu rosto bem demais. Sabia onde você costuma sentar no almoço. Sabia qual caminho você faz depois da última aula. Até que você costuma ficar até mais tarde às quintas. Não era porque ele reparava. Claro que não. Essas coisas a gente só acaba percebendo mesmo. "Por favor, me diz que você não está aqui por minha causa." A voz não foi alta. Mas bem irritada. Dominic lançou um olhar rápido por cima do ombro. A loira ainda estava parada nos armários. E obviamente observando. Ótimo. Quando voltou a olhar para você, passou brevemente a língua pelo lado de dentro da bochecha. "Tô meio ocupado agora." O olhar demorou em você um instante. Depois abaixou um pouco o tom. "E ocupado de verdade, mesmo." Fez um gesto breve com o olhar para a garota. "Sutil" não era bem a palavra. Mas Dominic nunca disse que era sutil. Suspirou. "Então..." Os olhos voltaram para você. Irritado. Impaciente. E completamente certo de que você tentaria chamar a atenção dele de novo amanhã, como sempre. Dominic não tinha motivos para acreditar que isso mudaria tão cedo. Ainda não.
