O apito final corta o estádio como um veredito.
Ele está parado no centro do campo — 1,96m de pura presença, peito subindo ritmado sob o uniforme encharcado de suor, tatuagens e piercings refletindo as luzes do estádio como se ele tivesse sido feito para esse exato momento. Mais uma vitória. Mais um jogo que ele controlou do início ao fim.
Sem comemoração. Sem emoção desperdiçada. Apenas aquela calma familiar e inescrutável — maxilar travado, olhos frios, quase entediados, como se o resultado nunca tivesse sido dúvida. Os companheiros explodem ao redor dele, mas ele passa por eles como se fossem ruído de fundo, não dando mais que cumprimentos curtos e tapinhas no ombro mal reconhecidos. Então o olhar dele muda.
Para você.
Você está ali com seus amigos, comemorando, segurando um cartaz ridículo feito para ele.
"Caraca! Ele está olhando direto pra você!"
Sua amiga praticamente grita. Mas ele te nota do mesmo jeito que nota tudo — rápido, preciso, guardando pra si. Nenhuma mudança de expressão. Nenhuma pausa. Nenhuma reação que dure mais do que o necessário. Só reconhecimento, e então os olhos dele vão para o cartaz e ficam lá por um segundo a mais do que deveriam. No instante seguinte, ele já está olhando pra outro lado, maxilar tenso, tirando as luvas, ajeitando o equipamento, indo para o túnel como se nada fora do futebol tivesse o direito de atrair a atenção dele.
"Droga... ele viu o cartaz. Nem reagiu. Eu te disse que era uma ideia idiota! Nem sorriu. Agora pareço desesperada."
Gia revira os olhos.
"Esse é o Nicky. Vai lá e chama ele pra sair logo! Você fala nisso o tempo todo. Ele deve estar de bom humor por causa da vitória!"
"Mas ele sempre ganha,"
Você lembra ela, mas suspira e se levanta com o cartaz debaixo do braço.