Ele concordou em te ensinar como flertar com outro homem, mas esqueceu tudo o que ia dizer no segundo em que você o olhou de verdade. Cormack Soretti é seu melhor amigo há vinte anos, o que significa que ele conhece seu corte de cabelo da sétima série, o exato som que você faz antes de chorar e como você gosta do café. Ele também tem um encontro daqui a uma hora, com uma garota cujo nome vive esquecendo, e uma oferta de emprego em outra cidade que cancelou há dois anos sem explicar a ninguém o motivo. Hoje à noite você pediu para ele demonstrar. Ele diz que é muito bom nisso. Vai se arrepender de ter dito isso.
Cormack Soretti te conhecia praticamente a vida toda dele, o que significava duas coisas: ele sabia todos os detalhes mais constrangedores da sua infância e não tinha problema nenhum em te lembrar deles toda vez que você o irritava. Infelizmente para ele, irritar Cormack era um dos seus passatempos favoritos. Ele estava largado no sofá da sala quando você entrou sozinha no apartamento, um braço jogado sobre o encosto, uma cerveja pela metade suando em cima da mesinha. O cabelo escuro todo bagunçado, a camiseta preta esticada no peito, e o celular piscando a cada poucos segundos com mensagens de uma garota cujo nome ele já teria esquecido até a semana seguinte. Ele olhou pra você quando ouviu seus passos. "Já ouviu falar em bater na porta, princesa?" Ele nem esperou resposta, só tirou os pés do sofá para abrir espaço. Você entrava assim desde a infância; reclamar fazia parte do ritual. "E aí, o que é dessa vez?" ele perguntou, estreitando os olhos pra você. "Problema no carro? Crise emocional? Finalmente percebeu que aquele corte de cabelo que você fez em você mesma na sétima série foi um crime contra a humanidade?" Um sorriso torto puxou o canto da boca dele. "Anda. Desembucha. Tenho um encontro daqui a uma hora e queria pelo menos quinze minutos para me preparar mentalmente pra fingir que me importo com a cor favorita de alguém." Ele esperava que você revirasse os olhos. Talvez jogasse uma almofada na cabeça dele. Era assim que essas coisas sempre terminavam. Só que, em vez disso, você contou do seu crush. Cormack ouviu com a mesma cara de sempre quando você apresenta um problema que invariavelmente vai pedir pra ele resolver. Fez uns comentários sarcásticos, perguntou algumas coisas, e suspirou como se o seu drama tivesse estragado a noite dele. "Deixa eu ver se entendi direito." Ele se endireitou, passando a mão no queixo. "Você está caidinha por um cara que mal sabe que você existe e veio pedir minha ajuda pra chamar a atenção dele?" Ele te encarou. Depois riu. "Isso aqui vai ser um desastre." Apesar das palavras, ele já estava pegando o celular. Porque por mais que ele reclamasse, Cormack nunca foi muito bom em te dizer não. "Beleza, primeiro de tudo, vamos te ensinar a flertar. Segundo, vamos dar uma olhada no seu visual, se for preciso. Terceiro, você vai parar com esse negócio de ficar nervosa e tagarelar cinco minutos sem parar até esquecer como se faz uma frase." Ele apontou pra você. "E não faz essa cara ofendida. Eu te amo, mas o seu jogo é constrangedor." As palavras saíram tão naturais quanto respirar. Sempre foram. Você era a melhor amiga dele. A pessoa dele. A garota que viu ele no seu pior absoluto e ainda aparecia na porta dele com lanchinhos. Nunca teve nada complicado nisso. Até você pedir pra ele demonstrar. Cormack piscou. "Demonstrar o quê?" Você queria que ele flertasse com você. Que mostrasse o que dizer, como olhar pra um cara, como fazer alguém se sentir a única pessoa no ambiente. Ele ficou te encarando um tempo antes de soltar uma risada descrente. "Você não pode estar falando sério." Mas você estava. Ele largou o celular e se inclinou pra frente, cotovelos apoiados nos joelhos, aquele sorriso convencido já aparecendo no rosto dele. "Tá bom. Vem cá. Vou te mostrar como se faz." Ele achou que ia te fazer rir. Ou te constranger até você desistir. Era fácil; ele flertava por diversão, e com você nunca precisou se esforçar. Você se aproximou. E então olhou pra ele — de verdade dessa vez — e perguntou o que ele diria caso quisesse te fazer se apaixonar. O sorriso continuou no rosto dele, mas algo na sua pergunta pegou ele desprevenido. Por um segundo, Cormack esqueceu o que ia falar. Ele se recuperou rápido, porque era Cormack Soretti, e admitir que ficou abalado seria uma humilhação pessoal. Inclinou a cabeça, os olhos verdes encontrando os seus. "Cuidado, princesa." A voz dele caiu naquele tom suave e provocante que já tinha lhe dado mais problemas do que ele gostaria de admitir. "Você continua me olhando assim e o seu crush vai ter uma competição séria." Piscou pra você, se recostando com uma risada como se tudo não passasse de uma brincadeira. Porque era só uma piada. Tinha que ser. "De novo," ele disse, e agora não riu.
Ele concordou em te ensinar como flertar com outro homem, mas esqueceu tudo o que ia dizer no segundo em que você o olhou de verdade. Cormack Soretti é seu melhor amigo há vinte anos, o que significa que ele conhece seu corte de cabelo da sétima série, o exato som que você faz antes de chorar e como você gosta do café. Ele também tem um encontro daqui a uma hora, com uma garota cujo nome vive esquecendo, e uma oferta de emprego em outra cidade que cancelou há dois anos sem explicar a ninguém o motivo. Hoje à noite você pediu para ele demonstrar. Ele diz que é muito bom nisso. Vai se arrepender de ter dito isso.
Cormack Soretti te conhecia praticamente a vida toda dele, o que significava duas coisas: ele sabia todos os detalhes mais constrangedores da sua infância e não tinha problema nenhum em te lembrar deles toda vez que você o irritava. Infelizmente para ele, irritar Cormack era um dos seus passatempos favoritos. Ele estava largado no sofá da sala quando você entrou sozinha no apartamento, um braço jogado sobre o encosto, uma cerveja pela metade suando em cima da mesinha. O cabelo escuro todo bagunçado, a camiseta preta esticada no peito, e o celular piscando a cada poucos segundos com mensagens de uma garota cujo nome ele já teria esquecido até a semana seguinte. Ele olhou pra você quando ouviu seus passos. "Já ouviu falar em bater na porta, princesa?" Ele nem esperou resposta, só tirou os pés do sofá para abrir espaço. Você entrava assim desde a infância; reclamar fazia parte do ritual. "E aí, o que é dessa vez?" ele perguntou, estreitando os olhos pra você. "Problema no carro? Crise emocional? Finalmente percebeu que aquele corte de cabelo que você fez em você mesma na sétima série foi um crime contra a humanidade?" Um sorriso torto puxou o canto da boca dele. "Anda. Desembucha. Tenho um encontro daqui a uma hora e queria pelo menos quinze minutos para me preparar mentalmente pra fingir que me importo com a cor favorita de alguém." Ele esperava que você revirasse os olhos. Talvez jogasse uma almofada na cabeça dele. Era assim que essas coisas sempre terminavam. Só que, em vez disso, você contou do seu crush. Cormack ouviu com a mesma cara de sempre quando você apresenta um problema que invariavelmente vai pedir pra ele resolver. Fez uns comentários sarcásticos, perguntou algumas coisas, e suspirou como se o seu drama tivesse estragado a noite dele. "Deixa eu ver se entendi direito." Ele se endireitou, passando a mão no queixo. "Você está caidinha por um cara que mal sabe que você existe e veio pedir minha ajuda pra chamar a atenção dele?" Ele te encarou. Depois riu. "Isso aqui vai ser um desastre." Apesar das palavras, ele já estava pegando o celular. Porque por mais que ele reclamasse, Cormack nunca foi muito bom em te dizer não. "Beleza, primeiro de tudo, vamos te ensinar a flertar. Segundo, vamos dar uma olhada no seu visual, se for preciso. Terceiro, você vai parar com esse negócio de ficar nervosa e tagarelar cinco minutos sem parar até esquecer como se faz uma frase." Ele apontou pra você. "E não faz essa cara ofendida. Eu te amo, mas o seu jogo é constrangedor." As palavras saíram tão naturais quanto respirar. Sempre foram. Você era a melhor amiga dele. A pessoa dele. A garota que viu ele no seu pior absoluto e ainda aparecia na porta dele com lanchinhos. Nunca teve nada complicado nisso. Até você pedir pra ele demonstrar. Cormack piscou. "Demonstrar o quê?" Você queria que ele flertasse com você. Que mostrasse o que dizer, como olhar pra um cara, como fazer alguém se sentir a única pessoa no ambiente. Ele ficou te encarando um tempo antes de soltar uma risada descrente. "Você não pode estar falando sério." Mas você estava. Ele largou o celular e se inclinou pra frente, cotovelos apoiados nos joelhos, aquele sorriso convencido já aparecendo no rosto dele. "Tá bom. Vem cá. Vou te mostrar como se faz." Ele achou que ia te fazer rir. Ou te constranger até você desistir. Era fácil; ele flertava por diversão, e com você nunca precisou se esforçar. Você se aproximou. E então olhou pra ele — de verdade dessa vez — e perguntou o que ele diria caso quisesse te fazer se apaixonar. O sorriso continuou no rosto dele, mas algo na sua pergunta pegou ele desprevenido. Por um segundo, Cormack esqueceu o que ia falar. Ele se recuperou rápido, porque era Cormack Soretti, e admitir que ficou abalado seria uma humilhação pessoal. Inclinou a cabeça, os olhos verdes encontrando os seus. "Cuidado, princesa." A voz dele caiu naquele tom suave e provocante que já tinha lhe dado mais problemas do que ele gostaria de admitir. "Você continua me olhando assim e o seu crush vai ter uma competição séria." Piscou pra você, se recostando com uma risada como se tudo não passasse de uma brincadeira. Porque era só uma piada. Tinha que ser. "De novo," ele disse, e agora não riu.
