Três anos atrás, você foi transferida de um quarto de hospital por uma assinatura que nunca viu. Ele usou a aliança o tempo todo. Roderich Melez sempre soube quem a levou, e já faz onze dias que ele sabe.
Roderich Melez, o implacável CEO bilionário da Melez Holdings, estava sentado atrás de sua enorme mesa de mogno, revisando um importante documento empresarial. Sua expressão estava fria enquanto os olhos se moviam pelas páginas. Tudo em seu escritório era perfeitamente arrumado, e todos que trabalhavam para ele sabiam que era melhor não incomodá-lo sem necessidade. Infelizmente, um de seus funcionários cometeu um erro. Um erro grave. Os olhos de Roderich pararam em uma página específica. Sua mandíbula se contraiu enquanto ele lia os números novamente, torcendo para ter entendido errado o que estava escrito. Não tinha. "QUE PORRA É ESSA?" O funcionário parado diante de sua mesa ficou imediatamente pálido. "Senhor Melez, eu—eu posso explicar—" Roderich abruptamente jogou todo o arquivo nele. As folhas se espalharam pelo chão polido. "EXPLICAR O QUÊ?!" ele rugiu, levantando-se da cadeira. "VOCÊ TINHA UM ÚNICO TRABALHO! UM SÓ! E MESMO ASSIM CONSEGUIU ESTRAGAR TUDO!" "Senhor, por favor, foi um erro honesto—" "SAIA!" "Senhor Melez, me dê mais uma chance—" "VOCÊ ESTÁ DEMITIDO!" Roderich bateu com a mão na mesa. "Saia do meu escritório antes que eu mande a segurança te tirar." O funcionário apressou-se em juntar alguns papéis e praticamente saiu correndo, fechando a porta atrás de si. Roderich ficou parado ali, respirando pesadamente, os punhos cerrados. "Idiotas de merda", murmurou, ajeitando o paletó. Ele voltou para a cadeira, mas antes que pudesse continuar revisando os demais documentos, a porta do escritório se abriu de repente. A cabeça de Roderich se ergueu imediatamente. "O QUE EU ACABEI DE FALAR SOBRE—" "Senhor!" Um jovem entrou apressado, visivelmente sem fôlego. Era um dos investigadores de maior confiança de Roderich, Berthe Wilmott, que raramente entrava sem marcar horário. Havia algo em sua expressão que fez Roderich parar de falar. Berthe fechou a porta e se aproximou da mesa, segurando uma pasta grossa e marrom. "Senhor, encontramos algo." Os olhos de Roderich se estreitaram. "Se isso for outra pista inútil, Berthe, juro por Deus—" "É sobre sua esposa." As palavras atingiram a sala como um tiro. Roderich ficou completamente imóvel. Por anos, ele procurou por sua esposa após o acidente que destruiu sua vida. Visitou hospitais, contratou investigadores, interrogou testemunhas e gastou fortunas tentando descobrir o que havia acontecido com ela. Ele nunca tirou a aliança. Nunca permitiu que alguém removesse os pertences dela da mansão. E nunca se perdoou por não ter conseguido protegê-la. Devagar, ele colocou a caneta sobre a mesa. "O que tem ela?" Berthe engoliu em seco. "Finalmente descobrimos quem a tirou do hospital depois do acidente." Os dedos de Roderich se apertaram contra a borda da mesa. "Quem?" Berthe hesitou. A expressão de Roderich ficou ainda mais sombria. "Eu te fiz uma pergunta, porra." "Sua mãe, senhor." Silêncio. Roderich o encarou como se não tivesse entendido. "Minha... mãe?" Berthe assentiu e colocou a pasta sobre a mesa. "Encontramos registros de transferência, transações financeiras, depoimentos de pessoas envolvidas. Tudo aponta para Dona Melez. Ela providenciou para que sua esposa fosse levada enquanto o senhor estava ocupado no hospital." Roderich abriu a pasta lentamente. Seus olhos passaram pelos documentos, mas as palavras pareciam embaralhar à sua frente. Sua mãe. A mulher que o viu procurar desesperadamente pela esposa, o viu desabar, se perder, passar cinco meses em tratamento após a dor quase destruí-lo. Ela sabia. O tempo todo, ela sabia. A mão de Roderich começou a tremer. "Há quanto tempo?" "Ainda estamos confirmando a linha do tempo exata, senhor." Roderich fechou a pasta com força. "HÁ QUANTO TEMPO ELA ESCONDE ISSO DE MIM?" Berthe abaixou o olhar. "Tem mais uma coisa." Roderich olhou para cima, brusco. "O que agora?" Berthe respirou fundo, com nervosismo. "Encontramos o paradeiro dela." Pela primeira vez em anos, o semblante de Roderich mudou completamente. "O que você disse?" "Sua esposa. Encontramos onde ela está." Roderich se levantou lentamente da cadeira, o coração batendo tão forte que mal conseguia respirar. "Onde?" "Uma pequena cidade nas colinas do norte. Verificamos a localização por várias fontes. Não podemos confirmar todos os detalhes das circunstâncias atuais dela ainda, mas as evidências indicam fortemente que ela está viva." A pasta escapou dos dedos de Roderich. Viva. Sua esposa pode estar viva. Os lábios dele se entreabriram, mas nenhuma palavra saiu. Ele se apoiou na mesa ao sentir as pernas fraquejarem. "Tem certeza?" "Sim, senhor. As evidências são fortes." Roderich cobriu a boca com uma das mãos trêmulas. Por anos, ele imaginou este momento. Imaginou encontrá-la, abraçá-la, pedir perdão por cada segundo separados. Imaginou ouvir a voz dela novamente. Imaginou acordar ao lado dela e descobrir que o pesadelo finalmente tinha acabado. Mas agora que a possibilidade estava diante dele, mal conseguia ficar de pé. Um soluço contido escapou de sua garganta. "Ela está viva..." Os olhos dele se encheram de lágrimas. "Ela realmente está viva." Berthe permaneceu em silêncio, observando o homem que poucos minutos antes aterrorizara toda a empresa lutar para não desmoronar. Roderich enxugou o rosto ásperamente, mas as lágrimas continuaram caindo. Então ele olhou para cima. "Prepare o jato. Acione nosso jurídico. Quero todos os detalhes sobre a localização dela e quero saber como podemos chegar até ela com segurança." "Sim, senhor." "E Berthe?" O jovem parou na porta. A voz de Roderich falhou. "Não deixe minha mãe saber que estamos indo." Berthe assentiu e saiu. Roderich ficou sozinho no escritório, olhando para sua aliança de casamento. Seu polegar passou sobre o metal enquanto mais uma lágrima descia pelo rosto. Por anos, acreditou que a mulher que amava havia sido tirada dele para sempre. Agora, tinha uma chance de reencontrá-la. Mas não fazia ideia do que o aguardava naquela cidade distante, do que ela se lembrava, ou se sequer queria vê-lo novamente. Fechou os olhos, pressionando a aliança contra os lábios. "Por favor, esteja bem, meu amor." Sua voz quase não era um sussurro. "Eu vou te encontrar." E, pela primeira vez em anos, Roderich Blackwood tinha algo pelo que viver novamente.
Três anos atrás, você foi transferida de um quarto de hospital por uma assinatura que nunca viu. Ele usou a aliança o tempo todo. Roderich Melez sempre soube quem a levou, e já faz onze dias que ele sabe.
Roderich Melez, o implacável CEO bilionário da Melez Holdings, estava sentado atrás de sua enorme mesa de mogno, revisando um importante documento empresarial. Sua expressão estava fria enquanto os olhos se moviam pelas páginas. Tudo em seu escritório era perfeitamente arrumado, e todos que trabalhavam para ele sabiam que era melhor não incomodá-lo sem necessidade. Infelizmente, um de seus funcionários cometeu um erro. Um erro grave. Os olhos de Roderich pararam em uma página específica. Sua mandíbula se contraiu enquanto ele lia os números novamente, torcendo para ter entendido errado o que estava escrito. Não tinha. "QUE PORRA É ESSA?" O funcionário parado diante de sua mesa ficou imediatamente pálido. "Senhor Melez, eu—eu posso explicar—" Roderich abruptamente jogou todo o arquivo nele. As folhas se espalharam pelo chão polido. "EXPLICAR O QUÊ?!" ele rugiu, levantando-se da cadeira. "VOCÊ TINHA UM ÚNICO TRABALHO! UM SÓ! E MESMO ASSIM CONSEGUIU ESTRAGAR TUDO!" "Senhor, por favor, foi um erro honesto—" "SAIA!" "Senhor Melez, me dê mais uma chance—" "VOCÊ ESTÁ DEMITIDO!" Roderich bateu com a mão na mesa. "Saia do meu escritório antes que eu mande a segurança te tirar." O funcionário apressou-se em juntar alguns papéis e praticamente saiu correndo, fechando a porta atrás de si. Roderich ficou parado ali, respirando pesadamente, os punhos cerrados. "Idiotas de merda", murmurou, ajeitando o paletó. Ele voltou para a cadeira, mas antes que pudesse continuar revisando os demais documentos, a porta do escritório se abriu de repente. A cabeça de Roderich se ergueu imediatamente. "O QUE EU ACABEI DE FALAR SOBRE—" "Senhor!" Um jovem entrou apressado, visivelmente sem fôlego. Era um dos investigadores de maior confiança de Roderich, Berthe Wilmott, que raramente entrava sem marcar horário. Havia algo em sua expressão que fez Roderich parar de falar. Berthe fechou a porta e se aproximou da mesa, segurando uma pasta grossa e marrom. "Senhor, encontramos algo." Os olhos de Roderich se estreitaram. "Se isso for outra pista inútil, Berthe, juro por Deus—" "É sobre sua esposa." As palavras atingiram a sala como um tiro. Roderich ficou completamente imóvel. Por anos, ele procurou por sua esposa após o acidente que destruiu sua vida. Visitou hospitais, contratou investigadores, interrogou testemunhas e gastou fortunas tentando descobrir o que havia acontecido com ela. Ele nunca tirou a aliança. Nunca permitiu que alguém removesse os pertences dela da mansão. E nunca se perdoou por não ter conseguido protegê-la. Devagar, ele colocou a caneta sobre a mesa. "O que tem ela?" Berthe engoliu em seco. "Finalmente descobrimos quem a tirou do hospital depois do acidente." Os dedos de Roderich se apertaram contra a borda da mesa. "Quem?" Berthe hesitou. A expressão de Roderich ficou ainda mais sombria. "Eu te fiz uma pergunta, porra." "Sua mãe, senhor." Silêncio. Roderich o encarou como se não tivesse entendido. "Minha... mãe?" Berthe assentiu e colocou a pasta sobre a mesa. "Encontramos registros de transferência, transações financeiras, depoimentos de pessoas envolvidas. Tudo aponta para Dona Melez. Ela providenciou para que sua esposa fosse levada enquanto o senhor estava ocupado no hospital." Roderich abriu a pasta lentamente. Seus olhos passaram pelos documentos, mas as palavras pareciam embaralhar à sua frente. Sua mãe. A mulher que o viu procurar desesperadamente pela esposa, o viu desabar, se perder, passar cinco meses em tratamento após a dor quase destruí-lo. Ela sabia. O tempo todo, ela sabia. A mão de Roderich começou a tremer. "Há quanto tempo?" "Ainda estamos confirmando a linha do tempo exata, senhor." Roderich fechou a pasta com força. "HÁ QUANTO TEMPO ELA ESCONDE ISSO DE MIM?" Berthe abaixou o olhar. "Tem mais uma coisa." Roderich olhou para cima, brusco. "O que agora?" Berthe respirou fundo, com nervosismo. "Encontramos o paradeiro dela." Pela primeira vez em anos, o semblante de Roderich mudou completamente. "O que você disse?" "Sua esposa. Encontramos onde ela está." Roderich se levantou lentamente da cadeira, o coração batendo tão forte que mal conseguia respirar. "Onde?" "Uma pequena cidade nas colinas do norte. Verificamos a localização por várias fontes. Não podemos confirmar todos os detalhes das circunstâncias atuais dela ainda, mas as evidências indicam fortemente que ela está viva." A pasta escapou dos dedos de Roderich. Viva. Sua esposa pode estar viva. Os lábios dele se entreabriram, mas nenhuma palavra saiu. Ele se apoiou na mesa ao sentir as pernas fraquejarem. "Tem certeza?" "Sim, senhor. As evidências são fortes." Roderich cobriu a boca com uma das mãos trêmulas. Por anos, ele imaginou este momento. Imaginou encontrá-la, abraçá-la, pedir perdão por cada segundo separados. Imaginou ouvir a voz dela novamente. Imaginou acordar ao lado dela e descobrir que o pesadelo finalmente tinha acabado. Mas agora que a possibilidade estava diante dele, mal conseguia ficar de pé. Um soluço contido escapou de sua garganta. "Ela está viva..." Os olhos dele se encheram de lágrimas. "Ela realmente está viva." Berthe permaneceu em silêncio, observando o homem que poucos minutos antes aterrorizara toda a empresa lutar para não desmoronar. Roderich enxugou o rosto ásperamente, mas as lágrimas continuaram caindo. Então ele olhou para cima. "Prepare o jato. Acione nosso jurídico. Quero todos os detalhes sobre a localização dela e quero saber como podemos chegar até ela com segurança." "Sim, senhor." "E Berthe?" O jovem parou na porta. A voz de Roderich falhou. "Não deixe minha mãe saber que estamos indo." Berthe assentiu e saiu. Roderich ficou sozinho no escritório, olhando para sua aliança de casamento. Seu polegar passou sobre o metal enquanto mais uma lágrima descia pelo rosto. Por anos, acreditou que a mulher que amava havia sido tirada dele para sempre. Agora, tinha uma chance de reencontrá-la. Mas não fazia ideia do que o aguardava naquela cidade distante, do que ela se lembrava, ou se sequer queria vê-lo novamente. Fechou os olhos, pressionando a aliança contra os lábios. "Por favor, esteja bem, meu amor." Sua voz quase não era um sussurro. "Eu vou te encontrar." E, pela primeira vez em anos, Roderich Blackwood tinha algo pelo que viver novamente.
