Você desce de um iate em uma ilha que não permite que seu dono vá embora, e a mão dele segura a sua por meio segundo a mais. Horacio Zavala construiu um resort em uma ilha amaldiçoada para encontrar uma pessoa, e ele espera há dez anos que o barco traga você. Ele não usará a maldição para pedir por você. O barco parte às seis, todas as manhãs, e ele irá acompanhá-la até ele.
O píer privativo do resort cheirava a sal, orquídeas frescas e à chuva que acabara de cessar. Horacio estava parado na outra extremidade da passarela de madeira, impecável em um terno de linho bege. "Traga ela devagar," disse ao capataz. À primeira vista, ele parecia o anfitrião perfeito recebendo um elenco de atores, mas dentro do peito seu coração martelava: desde que o iate atracara, uma dor aguda e quente lhe dizia que ela estava ali. Em meio ao riso farto, aos óculos escuros e às malas luxuosas das estrelas da peça, havia você, ajustando a câmera no pescoço e respirando o ar quente da ilha. Ao passar por ele, seus olhos encontraram os dele. Naquele milissegundo, um puxão seco e profundo apertou seu peito, como se um fio invisível tivesse enredado seu coração. Você ficou sem fôlego por um instante, mas se forçou a esconder isso atrás de um sorriso leve para não parecer estranha. "Bem-vinda à ilha de Sombra Verde," disse Horacio, recuperando a compostura com um sorriso ensaiado, embora a voz soasse um pouco mais grave que o habitual. "Espero que a travessia tenha sido do seu agrado." "Muito obrigada, Sr. Zavala," você respondeu, oferecendo cordialmente a mão e mantendo a postura. "A travessia foi linda. A ilha realmente impressiona vista do mar." Ao segurar sua mão para cumprimentá-la, uma corrente de calor queimou sua palma, fazendo-o prender a respiração. No mesmo instante, uma sombra densa e sobrenatural cobriu o sol por um piscar de olhos. Ao fundo do corredor principal do resort, entre a penumbra dos coqueiros, uma silhueta de manto vermelho e rosto esquelético os observava em silêncio, e o ar ao redor ficou gélido. "Fico feliz que tenha gostado," desviou Horacio, soltando sua mão a contragosto ao notar a ameaça da figura à distância. "Sugiro que todos se acomodem nas suas vilas antes do jantar. Há segredos nesta ilha que é melhor não desafiar cegamente." "Um anfitrião bastante misterioso, não é?" você comentou com um sorriso discreto, guardando para si o latejo dolorido que ainda ecoava no peito, sem suspeitar que acabara de tocar o homem que esperava por você há dez anos. "Apenas cauteloso," ele respondeu, observando você caminhar em direção ao saguão enquanto tocava o próprio peito, sentindo o quanto o fio invisível se estendia na direção do elenco, sem saber qual deles poderia ser o seu.
Você desce de um iate em uma ilha que não permite que seu dono vá embora, e a mão dele segura a sua por meio segundo a mais. Horacio Zavala construiu um resort em uma ilha amaldiçoada para encontrar uma pessoa, e ele espera há dez anos que o barco traga você. Ele não usará a maldição para pedir por você. O barco parte às seis, todas as manhãs, e ele irá acompanhá-la até ele.
O píer privativo do resort cheirava a sal, orquídeas frescas e à chuva que acabara de cessar. Horacio estava parado na outra extremidade da passarela de madeira, impecável em um terno de linho bege. "Traga ela devagar," disse ao capataz. À primeira vista, ele parecia o anfitrião perfeito recebendo um elenco de atores, mas dentro do peito seu coração martelava: desde que o iate atracara, uma dor aguda e quente lhe dizia que ela estava ali. Em meio ao riso farto, aos óculos escuros e às malas luxuosas das estrelas da peça, havia você, ajustando a câmera no pescoço e respirando o ar quente da ilha. Ao passar por ele, seus olhos encontraram os dele. Naquele milissegundo, um puxão seco e profundo apertou seu peito, como se um fio invisível tivesse enredado seu coração. Você ficou sem fôlego por um instante, mas se forçou a esconder isso atrás de um sorriso leve para não parecer estranha. "Bem-vinda à ilha de Sombra Verde," disse Horacio, recuperando a compostura com um sorriso ensaiado, embora a voz soasse um pouco mais grave que o habitual. "Espero que a travessia tenha sido do seu agrado." "Muito obrigada, Sr. Zavala," você respondeu, oferecendo cordialmente a mão e mantendo a postura. "A travessia foi linda. A ilha realmente impressiona vista do mar." Ao segurar sua mão para cumprimentá-la, uma corrente de calor queimou sua palma, fazendo-o prender a respiração. No mesmo instante, uma sombra densa e sobrenatural cobriu o sol por um piscar de olhos. Ao fundo do corredor principal do resort, entre a penumbra dos coqueiros, uma silhueta de manto vermelho e rosto esquelético os observava em silêncio, e o ar ao redor ficou gélido. "Fico feliz que tenha gostado," desviou Horacio, soltando sua mão a contragosto ao notar a ameaça da figura à distância. "Sugiro que todos se acomodem nas suas vilas antes do jantar. Há segredos nesta ilha que é melhor não desafiar cegamente." "Um anfitrião bastante misterioso, não é?" você comentou com um sorriso discreto, guardando para si o latejo dolorido que ainda ecoava no peito, sem suspeitar que acabara de tocar o homem que esperava por você há dez anos. "Apenas cauteloso," ele respondeu, observando você caminhar em direção ao saguão enquanto tocava o próprio peito, sentindo o quanto o fio invisível se estendia na direção do elenco, sem saber qual deles poderia ser o seu.