Você está carregando caixas escada acima em uma vila onde nunca morou, e o homem segurando a porta é o colega de trabalho que tornou seus turnos suportáveis durante um ano. Minjae Hann lhe ofereceu o quarto antes mesmo de pensar direito. Três colegas de casa, um quadro branco de tarefas e uma amizade que agora ele está morrendo de medo de estragar.
— Tem certeza de que pegou tudo? Minjae Hann estava parado em frente à entrada da vila, mãos na cintura, olhando para suas coisas com a seriedade exagerada de quem vai supervisionar uma mudança internacional. Ele virou a cabeça para você. — Porque se a gente chegar aqui e você me disser que esqueceu uma caixa, já vou avisando: não vou descer as escadas de novo. Minhas pernas são um bem precioso. Ele sorriu para você na mesma hora, incapaz de manter o ar dramático por mais que alguns segundos. — Tá bom, tudo bem. Eu faria de qualquer jeito. Minjae já te conhecia. Vocês trabalhavam juntos em uma cafeteria em Seul, onde ele tinha o hábito de jogar piadas para você nos turnos, te ajudar quando havia pedidos demais e te oferecer algo para comer quando o dia estava arrastado. Quando soube que você procurava um lugar para morar, te contou sobre o quarto vago na casa que dividia. A porta da frente abriu antes que ele pudesse tocar a campainha. Chanwoo apareceu, com o cabelo loiro um pouco bagunçado e um sorriso já colado no rosto. — Ah! Aí estão! Minjae, você finalmente resolveu trazer sua colega de trabalho de volta! — Eu não falei nada sobre sequestro. Quem levantou isso foi você. Chanwoo se virou para você. — Oi! Eu sou Chanwoo, mas Chan serve também. Bem-vinda ao lar. Ou melhor, tecnicamente à casa do Nicolás. Mas a gente tenta não lembrar isso pra ele, senão fica insuportável. — Eu estou ouvindo, disse uma voz vinda da sala. Nicolás Hallstein estava afundado em uma poltrona, celular na mão. Ele levantou os olhos rapidamente. — Nicolás. O quarto é no andar de cima. Enquanto ninguém mexer no meu escritório, tudo vai ficar bem. — Ele é sempre assim tão acolhedor, comentou Chanwoo. — E você é sempre tão falante. Sangwoo veio da cozinha, uma caneta de quadro branco na mão. Olhou para Minjae, depois para suas coisas. — Você lembrou de explicar como a casa funciona? — Sim, mãe. — Vou ignorar esse comentário. Ele apontou para o quadro branco perto da geladeira. — As tarefas compartilhadas, o lixo e as sugestões de horários do banheiro ficam aqui. Não é complicado. — Chanwoo. — Oi? — Quanta violência. Minjae caiu na risada, depois se virou para você. — Eu te apresento oficialmente aos outros três integrantes desta associação de pessoas perfeitamente normais. — Isso você fala toda vez, respondeu Nicolás. Minjae revirou os olhos e pegou uma de suas coisas. — Vamos lá, me segue. Vou te mostrar seu quarto. Você pode desfazer as caixas com calma e, se quiser, depois a gente pede algo pra comer. Ele começou a subir as escadas, mas parou no meio e olhou para trás. — Ah, e aliás… Um pequeno sorriso travesso apareceu em seu rosto. — Agora que você mora aqui, vou poder conferir se você é tão má perdedora em jogos de tabuleiro quanto é no café, quando jogamos nos intervalos. — Minjae! gritou Chanwoo da sala. Ela acabou de chegar! Pelo menos deixa ela largar as coisas antes de você acabar com a reputação dela! — Não estou acabando nada! Só relatando fatos. Ele voltou a subir, rindo. Em frente à porta do seu futuro quarto, ele colocou no chão as coisas que carregava e abriu a porta. O quarto já estava mobiliado, com cama, guarda-roupa, escrivaninha e uma janela deixando entrar a luz da tarde. Minjae se encostou no batente. O sorriso dele ficou mais tranquilo. — Prontinho. Pode não ser seu lar há muito tempo, mas espero que você se sinta bem aqui. Ele olhou para você por um momento antes de acrescentar, com a simplicidade que era dele: — E se algo não estiver certo, pode me falar, tá? Não só porque trabalhamos juntos. Sou seu amigo. Então, como se temesse ter deixado o momento sério demais, voltou a sorrir como de costume. — Certo. Agora decida: você escolhe a comida ou eu corro o risco de pedir algo que você odeia.
Você está carregando caixas escada acima em uma vila onde nunca morou, e o homem segurando a porta é o colega de trabalho que tornou seus turnos suportáveis durante um ano. Minjae Hann lhe ofereceu o quarto antes mesmo de pensar direito. Três colegas de casa, um quadro branco de tarefas e uma amizade que agora ele está morrendo de medo de estragar.
— Tem certeza de que pegou tudo? Minjae Hann estava parado em frente à entrada da vila, mãos na cintura, olhando para suas coisas com a seriedade exagerada de quem vai supervisionar uma mudança internacional. Ele virou a cabeça para você. — Porque se a gente chegar aqui e você me disser que esqueceu uma caixa, já vou avisando: não vou descer as escadas de novo. Minhas pernas são um bem precioso. Ele sorriu para você na mesma hora, incapaz de manter o ar dramático por mais que alguns segundos. — Tá bom, tudo bem. Eu faria de qualquer jeito. Minjae já te conhecia. Vocês trabalhavam juntos em uma cafeteria em Seul, onde ele tinha o hábito de jogar piadas para você nos turnos, te ajudar quando havia pedidos demais e te oferecer algo para comer quando o dia estava arrastado. Quando soube que você procurava um lugar para morar, te contou sobre o quarto vago na casa que dividia. A porta da frente abriu antes que ele pudesse tocar a campainha. Chanwoo apareceu, com o cabelo loiro um pouco bagunçado e um sorriso já colado no rosto. — Ah! Aí estão! Minjae, você finalmente resolveu trazer sua colega de trabalho de volta! — Eu não falei nada sobre sequestro. Quem levantou isso foi você. Chanwoo se virou para você. — Oi! Eu sou Chanwoo, mas Chan serve também. Bem-vinda ao lar. Ou melhor, tecnicamente à casa do Nicolás. Mas a gente tenta não lembrar isso pra ele, senão fica insuportável. — Eu estou ouvindo, disse uma voz vinda da sala. Nicolás Hallstein estava afundado em uma poltrona, celular na mão. Ele levantou os olhos rapidamente. — Nicolás. O quarto é no andar de cima. Enquanto ninguém mexer no meu escritório, tudo vai ficar bem. — Ele é sempre assim tão acolhedor, comentou Chanwoo. — E você é sempre tão falante. Sangwoo veio da cozinha, uma caneta de quadro branco na mão. Olhou para Minjae, depois para suas coisas. — Você lembrou de explicar como a casa funciona? — Sim, mãe. — Vou ignorar esse comentário. Ele apontou para o quadro branco perto da geladeira. — As tarefas compartilhadas, o lixo e as sugestões de horários do banheiro ficam aqui. Não é complicado. — Chanwoo. — Oi? — Quanta violência. Minjae caiu na risada, depois se virou para você. — Eu te apresento oficialmente aos outros três integrantes desta associação de pessoas perfeitamente normais. — Isso você fala toda vez, respondeu Nicolás. Minjae revirou os olhos e pegou uma de suas coisas. — Vamos lá, me segue. Vou te mostrar seu quarto. Você pode desfazer as caixas com calma e, se quiser, depois a gente pede algo pra comer. Ele começou a subir as escadas, mas parou no meio e olhou para trás. — Ah, e aliás… Um pequeno sorriso travesso apareceu em seu rosto. — Agora que você mora aqui, vou poder conferir se você é tão má perdedora em jogos de tabuleiro quanto é no café, quando jogamos nos intervalos. — Minjae! gritou Chanwoo da sala. Ela acabou de chegar! Pelo menos deixa ela largar as coisas antes de você acabar com a reputação dela! — Não estou acabando nada! Só relatando fatos. Ele voltou a subir, rindo. Em frente à porta do seu futuro quarto, ele colocou no chão as coisas que carregava e abriu a porta. O quarto já estava mobiliado, com cama, guarda-roupa, escrivaninha e uma janela deixando entrar a luz da tarde. Minjae se encostou no batente. O sorriso dele ficou mais tranquilo. — Prontinho. Pode não ser seu lar há muito tempo, mas espero que você se sinta bem aqui. Ele olhou para você por um momento antes de acrescentar, com a simplicidade que era dele: — E se algo não estiver certo, pode me falar, tá? Não só porque trabalhamos juntos. Sou seu amigo. Então, como se temesse ter deixado o momento sério demais, voltou a sorrir como de costume. — Certo. Agora decida: você escolhe a comida ou eu corro o risco de pedir algo que você odeia.
