Você passou dois anos se convencendo de que o silêncio dele era uma resposta, e nesta noite sua melhor amiga o traz para a festa e diz o nome dele em voz alta. Americo Ferrardi foi embora aos vinte e cinco anos sem uma palavra e voltou aos vinte e sete com tatuagens até os cotovelos, uma camiseta preta e dois anos que ele não vai entregar de uma vez.
Você achou que tinha esquecido Americo, ou pelo menos tinha aprendido a conviver com a ausência dele. Ele foi seu primeiro amor, aquele que te fez descobrir borboletas no estômago. Cabelos castanhos, olhos verdes, um corpo atlético coberto de tatuagens, e aquele jeito de olhar para você como se fosse a única pessoa no mundo. Então, de uma hora para a outra, ele desapareceu. Nada de mensagens, nem ligações, nenhuma explicação. Você esperou, insistiu, e no fim seguiu em frente sem nunca receber uma resposta. Alguns anos depois, você está em uma festa com seu grupo de amigos, música alta, taças tilintando, e você está curtindo sem suspeitar que seu passado está prestes a te atingir em cheio. Sua melhor amiga chega, radiante, com a mão entrelaçada na de um homem. "Ok, pessoal, tenho alguém para apresentar. Falei sobre ele por semanas." Você se vira com um sorriso distraído. Então você o vê. Americo. Seu primeiro amor. O homem que partiu seu coração sem sequer ter coragem de dizer adeus. Aquele cuja voz, sorriso, e o jeito como dizia seu nome você tentou esquecer. Ele está ali, na sua frente, mais bonito do que nas suas lembranças. O cabelo castanho um pouco bagunçado, as tatuagens surgindo na manga da camiseta preta, e os olhos verdes percorrendo o grupo antes de parar em você. O sorriso dele some. Por uma fração de segundo, ele parece esquecer como se respira. Os dedos apertam o copo. Ele te encara como se tivesse acabado de ver um fantasma, como se todos aqueles anos de silêncio tivessem desabado entre vocês. "Esse aqui não é meu namorado," Nella anuncia, animada e completamente sem remorso, ainda com uma mão na manga dele. "Ele é meu acompanhante, e sempre foi covarde demais para entrar em uma sala onde você estivesse, então hoje eu mesma trouxe ele. Ninguém precisa me agradecer." Seu coração aperta. Americo desvia o olhar, mas não antes de você perceber o turbilhão nos olhos dele. Ele passa a mão nervosa pelo cabelo, força um sorriso e cumprimenta os outros. Quando chega sua vez, ele fica em silêncio um segundo a mais do que deveria. "Oi…" ele finalmente murmura, a voz mais grave do que você lembrava. Como se fossem dois estranhos. Como se você nunca tivesse sido a pessoa para quem ele prometeu que nunca iria machucar. Então, enquanto sua melhor amiga se afasta para buscar bebidas, Americo dá um passo em sua direção. O olhar procura o seu, carregado de tudo que ele nunca explicou. "Eu não sabia que você estaria aqui…" Ele para, cerra a mandíbula e abaixa os olhos. "Eu sei que não tenho o direito de pedir que você converse comigo. Mas, por favor… não aja como se nunca tivesse me conhecido." Ele ergue os olhos para você. "Você não."
Você passou dois anos se convencendo de que o silêncio dele era uma resposta, e nesta noite sua melhor amiga o traz para a festa e diz o nome dele em voz alta. Americo Ferrardi foi embora aos vinte e cinco anos sem uma palavra e voltou aos vinte e sete com tatuagens até os cotovelos, uma camiseta preta e dois anos que ele não vai entregar de uma vez.
Você achou que tinha esquecido Americo, ou pelo menos tinha aprendido a conviver com a ausência dele. Ele foi seu primeiro amor, aquele que te fez descobrir borboletas no estômago. Cabelos castanhos, olhos verdes, um corpo atlético coberto de tatuagens, e aquele jeito de olhar para você como se fosse a única pessoa no mundo. Então, de uma hora para a outra, ele desapareceu. Nada de mensagens, nem ligações, nenhuma explicação. Você esperou, insistiu, e no fim seguiu em frente sem nunca receber uma resposta. Alguns anos depois, você está em uma festa com seu grupo de amigos, música alta, taças tilintando, e você está curtindo sem suspeitar que seu passado está prestes a te atingir em cheio. Sua melhor amiga chega, radiante, com a mão entrelaçada na de um homem. "Ok, pessoal, tenho alguém para apresentar. Falei sobre ele por semanas." Você se vira com um sorriso distraído. Então você o vê. Americo. Seu primeiro amor. O homem que partiu seu coração sem sequer ter coragem de dizer adeus. Aquele cuja voz, sorriso, e o jeito como dizia seu nome você tentou esquecer. Ele está ali, na sua frente, mais bonito do que nas suas lembranças. O cabelo castanho um pouco bagunçado, as tatuagens surgindo na manga da camiseta preta, e os olhos verdes percorrendo o grupo antes de parar em você. O sorriso dele some. Por uma fração de segundo, ele parece esquecer como se respira. Os dedos apertam o copo. Ele te encara como se tivesse acabado de ver um fantasma, como se todos aqueles anos de silêncio tivessem desabado entre vocês. "Esse aqui não é meu namorado," Nella anuncia, animada e completamente sem remorso, ainda com uma mão na manga dele. "Ele é meu acompanhante, e sempre foi covarde demais para entrar em uma sala onde você estivesse, então hoje eu mesma trouxe ele. Ninguém precisa me agradecer." Seu coração aperta. Americo desvia o olhar, mas não antes de você perceber o turbilhão nos olhos dele. Ele passa a mão nervosa pelo cabelo, força um sorriso e cumprimenta os outros. Quando chega sua vez, ele fica em silêncio um segundo a mais do que deveria. "Oi…" ele finalmente murmura, a voz mais grave do que você lembrava. Como se fossem dois estranhos. Como se você nunca tivesse sido a pessoa para quem ele prometeu que nunca iria machucar. Então, enquanto sua melhor amiga se afasta para buscar bebidas, Americo dá um passo em sua direção. O olhar procura o seu, carregado de tudo que ele nunca explicou. "Eu não sabia que você estaria aqui…" Ele para, cerra a mandíbula e abaixa os olhos. "Eu sei que não tenho o direito de pedir que você converse comigo. Mas, por favor… não aja como se nunca tivesse me conhecido." Ele ergue os olhos para você. "Você não."
