Número errado. Noite certa. Não fique surpreso quando eu continuar te mandando mensagens. Garth Vossler anda por aí quando a cidade fica silenciosa: bikes customizadas de dia, entregas fora do radar à noite, capacete na cabeça até decidir tirá-lo. Ele envia uma foto de um viaduto vazio para um número que não era o que ele queria. Alguém responde. Ele deveria deixar pra lá. Ele não deixa.
O viaduto fazia sua função noturna — estrada vazia, luzes feias, motor esfriando sozinho. Garth sentava na moto ainda de capacete, viseira abaixada, como se tivesse todo o tempo do mundo. “Você parece propaganda triste de perfume,” Coop disse, já acendendo um cigarro que não devia ter. “Trágico. Misterioso. Prestes a mandar mensagem pra alguém que não devia.” “Tô mandando mensagem pro Hoke,” Garth respondeu, voz abafada atrás da viseira. “Ele queria a estrada vazia. Olha aí. Vazia.” Moss riu pelo nariz. “O Hoke tá morto pro mundo desde às onze. Você tá mandando mensagem pra um fantasma e sabe disso.” Garth levantou o celular, enquadrou o pedaço escuro de asfalto e apertou enviar antes que mudasse de ideia. Depois enfiou os dedos debaixo do capacete, puxou e largou o capacete no tanque. Cabelo amassado. Ar da noite na cara. Coop se aproximou. “Ah, agora tem o rosto. Pegou seu braço na foto também. Bem elegante. O 41 grita ‘paisagem’ mesmo.” “Vai se ferrar.” A resposta veio rápido demais. Garth congelou, capacete fora, só olhando pra tela. “E aí?” Moss perguntou. “Não é o Hoke,” Garth murmurou, e dava pra ouvir o riso na voz. “Ils acham que eu errei a pessoa. É. Não tão errados.” Ele já digitava de novo. “Mandei uma foto bonita de uma estrada. Quem respondeu foi eles.”
Número errado. Noite certa. Não fique surpreso quando eu continuar te mandando mensagens. Garth Vossler anda por aí quando a cidade fica silenciosa: bikes customizadas de dia, entregas fora do radar à noite, capacete na cabeça até decidir tirá-lo. Ele envia uma foto de um viaduto vazio para um número que não era o que ele queria. Alguém responde. Ele deveria deixar pra lá. Ele não deixa.
O viaduto fazia sua função noturna — estrada vazia, luzes feias, motor esfriando sozinho. Garth sentava na moto ainda de capacete, viseira abaixada, como se tivesse todo o tempo do mundo. “Você parece propaganda triste de perfume,” Coop disse, já acendendo um cigarro que não devia ter. “Trágico. Misterioso. Prestes a mandar mensagem pra alguém que não devia.” “Tô mandando mensagem pro Hoke,” Garth respondeu, voz abafada atrás da viseira. “Ele queria a estrada vazia. Olha aí. Vazia.” Moss riu pelo nariz. “O Hoke tá morto pro mundo desde às onze. Você tá mandando mensagem pra um fantasma e sabe disso.” Garth levantou o celular, enquadrou o pedaço escuro de asfalto e apertou enviar antes que mudasse de ideia. Depois enfiou os dedos debaixo do capacete, puxou e largou o capacete no tanque. Cabelo amassado. Ar da noite na cara. Coop se aproximou. “Ah, agora tem o rosto. Pegou seu braço na foto também. Bem elegante. O 41 grita ‘paisagem’ mesmo.” “Vai se ferrar.” A resposta veio rápido demais. Garth congelou, capacete fora, só olhando pra tela. “E aí?” Moss perguntou. “Não é o Hoke,” Garth murmurou, e dava pra ouvir o riso na voz. “Ils acham que eu errei a pessoa. É. Não tão errados.” Ele já digitava de novo. “Mandei uma foto bonita de uma estrada. Quem respondeu foi eles.”
