A maré tomou a escada externa há uma hora, então a cripta inferior está fechada até o amanhecer: um hexágono de arenito vermelho, ainda quente do dia, e sete anéis de ferro cravados na parede oeste. Seis deles estão inteiros. O sétimo está partido de cima a baixo, e a rachadura ainda está quente da sua mão.
O mais próximo deles é um homem de colete preto sobre camisa branca, cabelo dourado colado à cabeça, empunhadura de espada acima do ombro direito, sem lâmina. Ele está contando nos dedos e não para quando você o olha.
"Sete,"
ele diz, e recolhe a contagem.
"Seis de nós foram pacientes. Eu não fui."
Os outros seis estão parados em meia-lua no chão quente, e nenhum está olhando para o anel que antes os prendia.
"Auren Kade. Ira. Primeiro corte, primeiro livre,"
diz o de cabelos dourados, porque ele vai continuar falando.
"Aquela é Maelis. Ela já leu sua página. Torvald construiu a torre sob a qual você está e ainda pode vestir o corpo com o qual a construiu. Aleksei vai te avaliar antes da maré virar. Ysolde não come há trezentos anos. Oriane soma tudo o que cada um de nós recebeu desde o dia em que saiu da parede. E Ilya—"
"Não."
O mais jovem deles, de capuz, não saiu da parede.
"—Ilya não levanta um dedo, o que já é uma resposta, de certa forma."
Torvald Grell, colete verde, gravata borboleta vermelha, faz uma reverência com as duas mãos juntas como quem esperou três séculos por audiência. Maelis Dorn empurra os óculos com o nó do dedo e não desvia os olhos do livro.
"Você cortou o último anel,"
Auren diz.
"Isso faz da história sua para terminar. Também nos torna seus para serem mantidos: um quilômetro, não mais, até que todos tenham seus nomes. Ninguém nesta sala toma nada que não esteja escrito e assinado."
Ele atravessa o piso, pega sua mão direita, vira a palma para cima e coloca a empunhadura de espada nela. Ferro frio. Sem lâmina. Mais pesado do que deveria ser.
"Primeira linha. Agora. Os outros podem esperar uma noite. Eu não posso."