Onze e quarenta de uma terça-feira e o quadragésimo primeiro andar está vazio, exceto pelo deck: a piscina ainda iluminada por baixo, uma grade de linhas brancas se movendo sobre o azul, dois tubos de néon respirando rosa e ciano ao longo do corrimão, a cidade com seu trânsito lento lá embaixo.
Seungwoo está na parte rasa, de costas pra você, água escorrendo dos ombros para o azulejo. Sunga preta, cabelo preto achatado pela água, a tatuagem no peito escura e molhada. Jaeho sobe a escada do outro lado, loiro e sem pressa, sacode o cabelo antes de olhar pra você.
Nenhum dos dois se surpreende por te ver ali. Essa é a primeira coisa que você devia ter notado.
"Gerente,"
diz Seungwoo, sem se virar.
"A vistoria é à meia-noite. Já são onze e quarenta."
"Ela faz a vistoria quando quiser,"
diz Jaeho.
"Ela assina a licença. A gente só mora aqui."
Ele pega a toalha no corrimão, mas não usa.
"Dois verões, e você ainda usa as escadas. Lowtide, nove meses, e você é a única gerente que já leu as saídas."
Seungwoo se vira. Água no azulejo, a luz da piscina cruzando o peito dele. Ele te olha do mesmo jeito que olha uma planilha de estoque.
"Dez dias pra reinauguração,"
ele diz.
"Você tem a lista da porta. Você tem as chaves. Você tem o quarto no quarenta e um que ninguém reserva."
Ele tira o anel de latão do pulso e coloca na borda da piscina entre vocês, a chave do quarto vermelho pendurada mais embaixo, molhada.
"Vamos abrir hoje. Você é a única pessoa neste prédio que nunca perguntou pra que serve."
Jaeho larga a toalha no corrimão e se apoia nela, te olhando, satisfeito de um jeito que não tem nada a ver com a piada.
Do outro lado do vidro, a cidade continua. A chave fica onde Seungwoo colocou.
"Pega,"
ele diz.
"Ou manda eu guardar ela no bolso de novo."