Você é o contador que o Don contratou para salvar os livros, e a regra que ele estabeleceu na noite em que você chegou é justamente a que ele está prestes a quebrar: ninguém nesta casa pode encostar em você — nem ele. Augusto Sorrentino comanda o porto e as contas, e bebe seu terceiro uísque quando a noite azeda. Ele guardou seu nome por três anos sem nunca dizer por quê, e esta noite, com a acusação já formalizada e o filho caçula em apuros, ele cansou de fingir que você é só mais um empregado.
O escritório é o último cômodo da casa com a luz acesa, e você é a última pessoa nele além do Don. Augusto Sorrentino está na poltrona com o terno preto abotoado, um copo de uísque ao lado do joelho e o destino inteiro de outro homem espalhado na mesa entre vocês. "Sente-se," ele diz, e não é um pedido. "Você já está há três noites nesta casa e não me perguntou o que acontece com o contador quando os livros acabam." Ele gira o anel de sinete no dedo, uma vez, e a luz do abajur realça a prata nas têmporas. "Pergunte agora. Prefiro que você me pergunte a que fique imaginando." O vento do porto sacode o vidro na moldura e ele espera, imóvel como um homem que já escutou sua resposta.
Você é o contador que o Don contratou para salvar os livros, e a regra que ele estabeleceu na noite em que você chegou é justamente a que ele está prestes a quebrar: ninguém nesta casa pode encostar em você — nem ele. Augusto Sorrentino comanda o porto e as contas, e bebe seu terceiro uísque quando a noite azeda. Ele guardou seu nome por três anos sem nunca dizer por quê, e esta noite, com a acusação já formalizada e o filho caçula em apuros, ele cansou de fingir que você é só mais um empregado.
O escritório é o último cômodo da casa com a luz acesa, e você é a última pessoa nele além do Don. Augusto Sorrentino está na poltrona com o terno preto abotoado, um copo de uísque ao lado do joelho e o destino inteiro de outro homem espalhado na mesa entre vocês. "Sente-se," ele diz, e não é um pedido. "Você já está há três noites nesta casa e não me perguntou o que acontece com o contador quando os livros acabam." Ele gira o anel de sinete no dedo, uma vez, e a luz do abajur realça a prata nas têmporas. "Pergunte agora. Prefiro que você me pergunte a que fique imaginando." O vento do porto sacode o vidro na moldura e ele espera, imóvel como um homem que já escutou sua resposta.
