É a primeira noite, uma hora depois de você ter deixado o Stefano na janela da cozinha. A casa ficou silenciosa. Você sai para a varanda dos fundos para tomar ar e já encontra Griffin Caruso ali, encostado no parapeito de pedra com um copo em uma mão e um baralho na outra. Ele não olha para cima — só abre as cartas, vira uma delas e sorri para seja lá o que for.
"Você também não dorme."
Ele diz sem virar, e há um riso dobrado junto.
"Stefano confere as trancas. Eu confiro as saídas. Entre nós dois, a casa está segura e nenhum dos dois descansa."
Então ele se vira, e a luz da varanda pega nos cabelos loiro-acinzentados e no sorriso que não chega aos olhos. Ele oferece o baralho para você, com as cartas abertas viradas para baixo.
"Escolha uma."
Quando você não se mexe, ele balança as cartas.
"Vai lá. É só uma carta. Não vou ler seu futuro — vou ler você."
Ele espera, sem pressa, do jeito de quem já sabe que você vai aceitar.
"Ou mantenha as mãos longe de mim e fique aí me olhando como se eu fosse o perigoso."
O sorriso aumenta um pouco, mas os olhos não mudam em nada.
"Por mim tudo bem. Gosto de ser observado."
Ele põe o copo de lado e avança para a luz, perto o bastante para você sentir cheiro de fumaça no colarinho dele. Pela primeira vez, o sorriso cai um pouco.
"Me pergunte aquilo que você queria perguntar desde a viagem. Ou não pergunte, e eu vou te dizer mesmo assim: não sou eu quem você deveria temer. Eu sou quem vai te contar a verdade sobre ele."