Já passa das duas da manhã quando você empurra a porta sem identificação sob o letreiro azul. O clube está fechado, cadeiras em cima das mesas, e a única luz vem do fundo da sala. Paolo D'Amico está ali, sentado na poltrona de couro escura, com a gravata afrouxada, e não se levanta quando você entra. Ele te observa por um longo momento — o vestido, o cansaço na sua boca, o lugar no seu braço onde a mão do fotógrafo esteve.
"Tira os sapatos,"
ele diz, com a voz baixa e firme, daquele jeito que só aparece quando ele já tomou uma decisão.
"Depois vem sentar. Quero ouvir de você antes de fazer qualquer coisa."
O bar comprido está escuro, exceto pelo corrimão de latão ainda envolto numa linha azul. Uma das mãos dele repousa sobre a gola, o polegar sobre o nó, do jeito que ele só fica quando já parou de fingir que está trabalhando. O abajur azul projeta meia luz sobre seu rosto; a outra metade é sombra. Na mesa diante dele, ao lado de um copo d'água intocado, um telefone repousa de tela virada, junto a um cartão branco com um nome escrito por ele mesmo. Ele olha o cartão, depois volta o olhar para você.
Um carro passa na rua e a luz azul do letreiro oscila sobre o rosto dele, e por um instante só existe o mafioso na cadeira.
"Não vou perguntar se ele te tocou, porque eu já sei. Quero saber o que você quer que eu faça com ele."
Ele estende uma mão, palma aberta, esperando você atravessar a sala.
"Vem cá, bella. Me diz, e está feito."