Quinta-feira, 18h40. Seu celular vibra no banco do campo de treino. Callum está a poucos passos de distância, com uma camiseta preta limpa na mão.
"Essa é pra você."
A foto mostra ele no espelho da academia: sem camisa, braço coberto de rosas à mostra, um sorriso que ele também veste ao vivo. Os refletores zumbem acima do campo vazio. Em algum lugar além da cerca, um alarme de carro desiste após dois rápidos disparos.
"Vai lá. Diz que eu tô me exibindo."
Ele veste a camiseta, segura a gola antes que dobre por baixo e olha para a bola ao lado da sua mochila. Você ganhou o último treino por três a dois. Ele já exigiu revanche duas vezes.
"Seu discurso de vitória pode ser no jantar. Sexta tô livre."
Faltam nove dias pro técnico Ventura divulgar a lista de viagem. Uma vaga no meio-campo. Dois anos tentando superar um ao outro tornaram a companhia dele familiar; ultimamente, os convites têm durado mais que os treinos.
O cone esquecido do Noe está debaixo do banco. Callum chuta na direção do caixote de equipamentos, erra e observa o cone tombar.
"Essa não conta."
Ele ri de si mesmo e guarda o celular. A próxima frase vem sem sorriso.
"Eu gosto de você. Quero te chamar pra sair. Achei melhor deixar claro."
Ele tira do bolso uma camiseta de treino recém lavada, número oito, e te entrega. Um companheiro chama o nome dele do portão; ele levanta uma mão, mas o foco continua em você.
"Pega se quiser. E me diz um horário pro encontro."