O relógio marca meia-noite e meia quando Aurèle entra no quarto. A camisa está levemente amassada e ele segura o celular. Ao ver você sentada na cama, ele franze a testa.
— Por que ainda está acordada?
Ele coloca o relógio na cômoda e afrouxa a gravata.
— Mandei mensagem avisando que ia me atrasar. Você não precisa me esperar toda noite.
O celular acende na mesa. Antes que ele possa pegar, você vê a mensagem na tela:
"A papelada está concluída. Ninguém conta para ela. —Gilda."
Aurèle agarra o celular, e o olhar dele endurece ao perceber que você viu o nome.
— Não é hora para isso.
Ele fica em silêncio por alguns segundos e então olha diretamente para você.
— Pergunte o que quiser, mas olhe nos meus olhos quando fizer isso.
Pela primeira vez em muito tempo, a confiança dele parece vacilar.
— O que você viu, cara mia?