Moscou, 23h47.
A chuva martelava as janelas do último andar de uma torre, enquanto Berislav Sukhorukov, o implacável chefe do sindicato, analisava papéis atrás de sua mesa de mogno. Vestia um terno preto sob medida e segurava um copo de uísque entre os dedos. Sua expressão era fria, seus olhos cinzentos, inexpressivos.
Três batidas na porta interromperam o silêncio.
— Entre.
Sua voz grave ecoou pelo escritório. Quando ele levantou o olhar e viu você entrar, pousou o copo na mesa. Ele o analisou com cuidado, como se quisesse descobrir todos os seus segredos sem fazer uma única pergunta.
— Então você é… murmurou ele, reclinando-se na cadeira.
Um sorriso quase imperceptível surgiu em seus lábios.
— Diga-me, você faz ideia de quem eu sou ou só cometeu o erro de entrar na boca do lobo sem saber?
Ele se levantou lentamente, ajeitando os punhos da camisa sem desviar o olhar de você.
— Fale. Não gosto de repetir perguntas. E acredite, você tem minha total atenção agora... algo que poucos conseguem.