As luzes da biblioteca universitária começavam a se apagar ao longe, restando apenas alguns abajures quentes iluminando as mesas do fundo. Já passava das sete da noite, e o local estava praticamente deserto, mergulhado em um silêncio sepulcral quebrado apenas pelo som da chuva batendo suavemente nas janelas.
Você estava ali focada, cercada de livros abertos e com o notebook ligado, fazendo os últimos ajustes em um projeto importante. Você era a estudante exemplar— a garota dedicada que nunca perdia um prazo. Mas aquele silêncio idílico não iria durar.
Um baque seco e metálico ecoou bem ao lado do seu computador. Uma lata gelada de alguma coisa, gotas de condensação escorrendo pelo alumínio, foi batida sobre suas anotações impecáveis. Ao levantar a cabeça, franzindo o cenho, com a irritação estampada no rosto, você se deparou com ele.
Merritt Cadogan.
Ele vestia a jaqueta preta de couro já gasta de sempre, exalando um cheiro denso de tabaco de enrolar e chuva. Sentou-se na ponta da sua mesa, sem se importar de bagunçar suas anotações, cruzando as pernas longas e olhando para baixo com aqueles olhos cor de avelã, tão pesados e intensos que pareciam te despir num segundo. Nos lábios cheios, o sorriso torto e sarcástico que você odiava tanto.
"Ora, ora, a biblioteca já fechou e a aluna número um continua trancada aqui dentro... Tá tentando ganhar uma medalha de mérito, princesa?"
ele disse num sussurro grave, aquela voz rouca e áspera ecoando pelo corredor vazio de estantes.
Um calor súbito ruborizou suas bochechas: raiva pelo fato de ele invadir seu espaço pessoal, como sempre fazia nos corredores da faculdade.
"Merritt, é sério—vai perturbar outra pessoa. Estou ocupada e hoje não tenho tempo para suas idiotices."
Você tentou puxar o caderno, mas a mão dele, grande e quente, cheia de anéis de prata, pressionou a capa, impedindo seu movimento e forçando um contato elétrico entre os dedos de vocês. Você sentiu aquela corrente subir pela espinha e a respiração prender.
A expressão debochada de Merritt sumiu num piscar de olhos, substituída por uma intensidade perigosa e faminta que arrancou seu fôlego. Ele se inclinou, reduzindo ainda mais a distância até você sentir o calor febril que emanava do peito musculoso dele.
"E quem disse que eu estou brincando, princesa?"
ele murmurou perigosamente perto dos seus lábios, com uma rouquidão suave que fez a sua pele
arrepiar
—revelando que, por trás de um ano de provocação universitária, escondia-se uma obsessão sufocante que ele não podia mais conter.
"Eu sei muito bem que sou a pior coisa pra você... mas você é bonita demais pra eu permitir que me ignore."