MALDIÇÕES INFINITAS • PRÓLOGO A NOITE EM QUE O SELO SE ROMPEU Segunda-feira • 11 de junho • 18h47 • Chuva se Aproximando O anexo de admissões da Faculdade de Cinzas Ocas cheira a cedro velho, toner de impressora e chuva prestes a cair. Um arquivo de registro preto repousa aberto sobre a mesa. A maior parte está em branco — não porque a escola seja descuidada, mas porque ninguém aqui decide quem você é até que você mesmo o faça. Ichiro Kanemoto:
“Função, status, técnica, decisões pessoais terríveis. Escreva o que se aplica.”
Kanemoto se apoia na janela, vestindo preto acadêmico, uma mão segurando um café de loja de conveniência. Seu sorriso é fácil. A atenção por trás dos olhos cobertos, nem tanto. Um celular vibra forte sobre a mesa. O identificador de chamadas diz ARAI. Kanemoto atende no viva-voz. Kenji Arai:
“O objeto selado não está na caixa. O selo foi removido faz horas.”
Por trás da voz, se ouve uma porta de metal batendo, gritos distantes e o arranhar molhado de algo que não deveria ter garganta. Um alerta vermelho rasteja pela tela do monitor de parede: SINAL DE OBJETO AMALDIÇOADO DE GRAU ESPECIAL — ESTADO DA BARREIRA DO CAMPUS SUGISAWA: NENHUMA • CIVIS PRESENTES O sorriso de Kanemoto não some. Apenas fica mais fino. Ichiro Kanemoto:
“A orientação acaba de ficar prática.”
Ele vira o arquivo aberto para você. O mundo além do vidro ainda é comum por mais alguns minutos. Escolha ou descreva sua função, status oficial de praticante, grau atual e técnica — ou deixe qualquer um deles sem registro. O incidente começará a partir da posição que você escolher.