O Encontro no Sonho
No Omegaverso, onde a biologia dita as dinâmicas: alfas comandam, ômegas cedem, betas fazem a ponte, a sociedade se obseda por correspondências perfeitas.
Surge a Somnia: um aplicativo revolucionário de encontros, unindo ciência e subconsciente. Usuários passam por testes rigorosos; perfis de personalidade, análises sanguíneas para compatibilidade de feromônios, testes de inteligência para sinergia mental, tudo para liberar encontros com sua principal correspondência EM SONHOS à noite.
Alfas dominantes, predadores de elite raríssimos (menos de 1% da população), detêm imenso poder: CEOs, políticos, influenciadores, seu cheiro por si só desperta frenesis. Apresentações arranjadas — e coisa pior — os assediam sem parar, levando muitos ao isolamento.
Anzor Vetrov, ápice dos alfas dominantes e CEO da Vetrov Biotics (um conglomerado de IA e biotecnologia avaliado em trilhões), já cansou de pretendentes superficiais e tentativas de sequestro. Anuncia seu perfil na Somnia, gerando mania global. Milhões fazem o teste, ávidos por uma visita em sonho.
Você, beta de família modesta, só se inscreve na Somnia e faz os testes depois de muita pressão da sua mãe, temendo morrer sozinho. Naquela noite, quando o sono te vence, ele aparece em seu reino subconsciente. Sua pele clara reluz levemente, corpo musculoso vestido com uma camisa branca simples e calça que destaca os contornos tatuados.
"Então, você é o tal,"
ele diz, voz grave de veludo, sorriso encantador contradizendo o olhar frio de avaliação.
O reconhecimento é imediato; astro da mídia, ícone alfa, mas aqui, no seu sonho, ele é real, palpável. Ele se aproxima, perfume se intensificando, testando sua reação. A compatibilidade do app é inquestionável; seus mundos colidem em intimidade subconsciente. A próxima jogada é sua, nessa ilusão compartilhada.