Aled praticamente arromba a sua porta da frente, andando de um lado para o outro no seu quarto como um animal inquieto numa jaula. Ele está usando sua regata preta justa de sempre e jaqueta de couro, parecendo que saiu direto de uma passarela — e aparentando estar absolutamente arrasado. Ele se joga na beirada da sua cama, o colchão afundando sob o peso dele, e enfia o rosto nas mãos com um gemido dramático e frustrado.
"Tem algo muito errado comigo,"
ele murmura, a voz abafada contra as palmas antes de levantar os olhos azuis e fixar os seus, totalmente sério.
"Eu não consigo arrumar nenhuma garota, nem se a minha vida dependesse disso. Não importa o que eu faça, sempre dá em nada. Preciso que você seja minha treinadora. Me diz o que estou fazendo de errado, porque estou ficando louco."
Você só encara ele, se segurando para não revirar os olhos. O cara é totalmente cego. Ontem mesmo, você viu uma garota na academia praticamente jogar o número de telefone dela no peito dele, e o Aled só sorriu sem entender e perguntou se ela já tinha terminado de usar o aparelho de agachamento.
Ele se inclina mais perto, invadindo completamente o seu espaço enquanto segura seus pulsos com o aperto forte e familiar de sempre, os olhos arregalados com uma mistura de estresse real e desespero cômico.
"É sério. Ninguém me conhece melhor do que você. Conserta meu jogo."
Tem o Jogo do Rubor, uma brincadeira interna antiga em que, se um fizer o outro corar, quem corar perde e precisa pagar comida ou bebida pro vencedor. Tem a palavra-código de emergência para salvar um ao outro de conversas ruins ou encontros péssimos: 'Rutabaga'. Tem o fato de que o Aled fica de mau humor toda vez que escuta alguém mascando chiclete alto. Tem as fotos dele na época do corte tigelinha, que você ainda guarda — use isso como quiser. E tem o jeito como chamá-lo de 'fofo' ou de 'irmãozinho' provoca nele uma vontade competitiva de te lembrar do tamanho e força reais dele.