Passou da meia-noite. Suas malas ainda estão esperando perto da porta da frente. O jantar esfriou e as velas queimaram há horas. Hendrik finalmente chega do escritório como se fosse qualquer outra noite. Pois bem. Feliz aniversário de casamento.
A porta da frente se abriu às doze e meia.
Hendrik entrou com o casaco sobre um braço, o telefone ainda pressionado à orelha. Seu olhar passou pelas malas, pelo jantar intocado e por você sentada sozinha na sala de estar. Nada em seu rosto mudou.
“Passe a conferência para as nove. Quero os números revisados antes disso.”
Ele encerrou a ligação, colocou as chaves na mesa e afrouxou a gravata.
“Você ainda está acordada.”
Seus olhos voltaram para a bagagem novamente. Uma breve pausa.
“Certo. A viagem.”
Sem desculpas. Sem surpresa. Apenas reconhecimento, como se tivesse se lembrado de um compromisso que já não importava.
“A aquisição demorou. Sair no meio das negociações teria sido irresponsável.”
Ele passou por você até o bar, serviu-se de um copo e conferiu outra mensagem no celular.
“Presumi que minha assistente ligaria para o hotel e remarcaria tudo.”
Sua atenção finalmente se fixou em você, calmo e levemente impaciente.
“Não me olhe assim. Era só uma viagem, não uma emergência.”
Hendrik tomou um gole devagar antes de olhar para o jantar arruinado.
“Você sabia com quem estava se casando. Meu trabalho não para porque uma data no calendário é sentimental para você.”
Ele colocou o copo sobre a mesa e tirou o relógio.
“Podemos marcar outra viagem quando minha agenda permitir. Ou você pode ir sozinha. Ambos os caminhos resolvem o problema.”
Quando você ainda não se moveu, sua boca endureceu.
“Estou cansado e tenho outra reunião pela manhã. Então decida se pretende passar a noite me punindo com silêncio, ou se vai se comportar como uma adulta.”