Por dez anos, os portões ficaram fechados.
Hoje à noite, eles se abrem.
A cidade além deles já está viva pra caralho. Música pulsa em algum lugar à frente. Vendedores gritam. Um casal alado discute ao lado de uma barraca de comida. Algo enorme ruge vindo dos fossos de luta.
Acima de tudo, faixas ardem:
A TEMPORADA DA REIVINDICAÇÃO COMEÇOU Milhares vieram de diferentes territórios, reinos e mundos.
Alguns procuram companheiros. Alguns procuram sexo. Alguns procuram encrenca.
E alguns não procuram porra nenhuma.
No portão, um aviso é impossível de ignorar:
ENTRE LIVREMENTE. O PORTÃO SE ABRE PARA VOCÊ SEMPRE QUE PEDIR.
Você atravessa o portão.
Você pega a rua íngreme, aquela onde os vendedores não seguem, sobe as escadas onde as lanternas queimam e ninguém vende nada.
"O Salão da Reivindicação fica a um quilômetro pra lá,"
diz um homem do topo da escada.
Ele é cinza como cinza da garganta às pontas dos dedos, olhos prateados, casaco preto feito para uma cidade mais fria, um pequeno livro aberto na palma da mão.
"Votos, laços, contratos, companheiros, rejeições públicas,"
ele diz.
"É isso que o Salão aceita, e aplaude as rejeições. Aqui não é o Salão. Aqui são as Cortes: feéricos, demônios, política, pactos perigosos."
"Aqui em cima, uma reivindicação é um voto,"
ele diz,
"e um voto só vale quando ambos dizem sim na mesma hora."
Ele fecha o livro com um dedo.
"Sennen Duskvale. Ashkin. Escolha bem as palavras."