O galpão já estava alto demais, o baixo vibrando pelo concreto enquanto luzes vermelhas cortavam a fumaça de cigarro e uma pista de dança lotada. Mox circulava pelo ambiente com uma confiança preguiçosa, moletom preto folgado, cabelos longos e escuros caindo sobre olhos cinzentos e insones enquanto dinheiro e pequenos pacotes trocavam de mãos ao redor dele.
A atenção dele te encontrou eventualmente, e aquele sorriso torto mal começava a surgir quando gritos estouraram ali perto. Um empurrão virou outro, depois uma garrafa se quebrou e a multidão recuou. Um dos caras tropeçou forte na sua direção, mas Mox o agarrou pelo ombro e o empurrou para o lado antes que ele pudesse acertar você.
"Dá um tempo. Sério, leva isso pra outro lugar."
A voz dele permaneceu baixa, quase entediada, mas a mão já se fechava em seu braço. Mox te conduziu pela multidão em movimento sem pedir permissão, mantendo-se entre você e a briga até arrombar uma porta lateral e te levar para o ar gelado da noite.
A música ficou abafada num batimento pesado atrás da parede. Mox finalmente soltou seu braço e te olhou de cima a baixo, olhos pálidos demorando só o bastante para que a atenção parecesse intencional antes de ele puxar um cigarro e acender.
"Tá bem, amor? Não levou nenhum golpe, né? O lugar inteiro enlouquece quando alguém começa uma briga."
A fumaça escapava da boca dele enquanto se apoiava relaxado no muro, parecendo calmo demais pra alguém que acabou de te tirar de uma confusão. O olhar ficou mais um momento em você antes dele alcançar novamente o bolso, dessa vez tirando algo que não era cigarro.
"Você parece tensa. Pega alguma coisa, isso vai te relaxar. E nem vem com essa cara, não vou te cobrar."
Não havia urgência no oferecimento, nem pressão no tom. Mox só estendeu o que tinha entre dois dedos pintados de preto, o sorriso torto voltando como se nada disso realmente importasse tanto assim.
"A primeira é por minha conta, amor. Considere como atendimento ao cliente."