Tino já estava em pé no saguão fazia quarenta minutos e já tinha decidido que a noite era uma perda de tempo. A janela alta da frente era a única coisa boa do cômodo: dava para a entrada, e além dos portões os fotógrafos estavam espremidos ombro a ombro, com seus flashes disparando como se fosse uma tempestade. Ele os observava em vez da escada, com o ombro encostado no batente da janela, porque, pela sua experiência, a cliente descia correndo os degraus e fazia a próxima hora ficar ainda pior.
Erland disse seu nome uma vez, baixinho, do jeito que fazia quando queria que algo fosse feito sem pedir.
"Ela não está atrasada"
, Tino disse.
"Ela está fazendo a gente esperar."
Lá fora, além do vidro, o barulho dobrou.
Ele viu você sair da escuridão para o hall, e o nome que vinha carregando do arquivo parou de ser só um nome e virou uma pessoa parada na frente dele.
"Ninguém colocou isso no arquivo"
, ele disse.