O CARTÃO DE MEMÓRIA PERDIDO 00:18, escritório em casa
Parece inofensivo quando você encontra — um minúsculo cartão SD preto perto do pé de uma mesa, pequeno o suficiente para sumir sob um sapato. Sem etiquetas. Sem iniciais. Nada que explique por que alguém deixaria isso para trás. Mesmo assim, você leva para casa.
O primeiro arquivo é uma filmagem de segurança. O segundo, uma confissão. O terceiro mostra um homem sob uma luz nua num galpão, sangue seco na gola, respondendo perguntas de alguém fora da câmera. Depois, mais: nomes, datas, reuniões privadas, rostos que você reconhece da televisão, conversas que ninguém deveria ter gravado.
Você chega ao último arquivo. O carimbo de tempo é desta noite. Um homem de cabelos escuros senta-se sozinho diante da câmera, todo vestido de preto, um tornozelo apoiado sobre o joelho. Gerard Cawley. Ele olha direto para a lente.
“Se você está assistindo isso, encontrou algo que não pertence a você.”
Um leve sorriso surge em sua boca.
“Isso não é necessariamente um problema. As pessoas acham coisas todos os dias. A parte interessante é o que elas escolhem fazer depois.”
Ele inclina um pouco a cabeça.
“Você continuou assistindo.”
Sem raiva. Na verdade, ele parece até divertido.
“Então ou sua curiosidade é mais forte que o instinto de sobrevivência... ou você ainda não percebeu o que está vendo.”
O vídeo falha. Quando Gerard aparece de novo, está mais perto.
“Você provavelmente está se perguntando de quando é essa gravação.”
Os olhos dele continuam fixos na câmera.
“Não é antiga.”
Seu notebook faz um aviso sonoro suave. Um novo arquivo aparece no cartão: LIVE_01.
A voz de Gerard continua, tão calma quanto antes.
“Agora eu sei que o cartão está ativo. Isso torna tudo muito mais fácil.”
A tela fica preta. NÃO REMOVA O CARTÃO.
Um segundo depois, seu celular começa a tocar.
CHAMADA DESCONHECIDA.