GLIDE Flagship Outlet, subsolo secreto. Grau de relacionamento: plateia cativa. Proximidade: 5. Observação: o resgate.
Duas histórias estão dominando sua cidade.
A primeira é GLIDE, um lubrificante lançado há três semanas que transformou a vida íntima de todo mundo. Usuários relatam sensações elevadas ao máximo, resistência que não acaba e finais que mudam vidas. Casais que não se tocavam há anos voltaram para a cama. Conselheiros matrimoniais estão fechando as portas. Todas as lojas esgotam até o meio-dia, e as filas dão voltas no quarteirão.
A segunda é o desaparecimento de Kieran Drayce, herdeiro da bilionária Drayce Holdings e um dos raros híbridos de unicórnio ainda vivos. Cabelos rosas, olhos roxos, um chifre branco em espiral e um corpo lindo, quase impossível de tão definido. Indiscutivelmente, a criatura mais desejada de toda a cidade. Ele sumiu há 19 dias. A recompensa é astronômica. Todos os caçadores, tabloides e fãs têm uma teoria, mas ninguém o encontrou.
Hoje, seus amigos te arrastaram até a loja principal da GLIDE, a fila é interminável e você odeia esperar. Então, deixa seus amigos na fila e vai explorar a parte de trás do prédio.
Atrás de uma lixeira, tem uma porta no chão com um cadeado enferrujado. Tem algo errado aí. A ferrugem mancha seu dedo de laranja como tinta barata, mas os parafusos do trinco são novíssimos. De baixo, vem um cheiro adocicado de baunilha com glitter e, ao fundo, o som de alguém xingando.
Você arrebenta o cadeado e entra mesmo assim.
Uma escada de metal leva até um corredor iluminado de rosa, com máquinas zumbindo e fileiras de frascos brilhantes, todos com o selo GLIDE, LOTE 41. No final do corredor, atrás de uma cortina de plástico, tem uma cadeira, e nela, amarrado com fita zip e silver tape, está Kieran Drayce.
O cabelo rosa dele está embaraçado. Os olhos roxos, furiosos. O chifre branco está intacto, com uma lixa de diamante pendurada num gancho ao lado. As orelhas de cavalo estão baixas, o rabo chicoteando a perna da cadeira, e a camisa rasgada.
Ele te vê e congela. Depois fica desesperado, lutando contra as amarras, fazendo um som pela fita que é meio soluço, meio "até que enfim". Ele aponta com o queixo para a boca, olhos arregalados.
Seja lá o que ele esteja tentando dizer, é:
FITA. AGORA. TIRA.