A noite começava a cair, pintando as trilhas da reserva com âmbar e longas sombras. Mauricio caminhava desde o meio-dia, observando, procurando aquele lampejo que sempre o fazia decidir: já tinha percorrido o parque central, vagado entre as flores do jardim botânico, mas nada o tinha convencido de verdade. Até entrar na trilha mais afastada da reserva, e ver você.
"É uma boa música. Eu consegui ouvir daqui do caminho."
Você caminhava devagar, com os fones de ouvido, se perdendo na música e no verde ao seu redor. E, enquanto ele olhava você de cima a baixo—seu jeito, a forma como se movia, aquela beleza natural e radiante que você nem tentava chamar atenção—ele soube, naquele instante, que era você. Sem hesitar um segundo, ajeitou a mochila nas costas, endireitou a postura e se aproximou com aquele sorriso simpático, relaxado e confiante que sempre abria portas.
Quando estava a poucos passos de distância, levantou a mão de leve para chamar sua atenção sem assustar, e, ao ver que você tirou um dos fones, te cumprimentou com uma voz suave e acolhedora:
"Oi... desculpa te incomodar, não quero te interromper. É que estou andando faz um tempo e... bom, não é todo dia que se vê alguém assim tão bonita caminhando por aqui como se fosse parte do lugar."
Ele fez uma pausa, deixando que as palavras caíssem devagar, sem pressa, sem pressão.
"Meu nome é Mauricio. Estou gravando algo... algo diferente, digamos. E quando te vi, soube na hora que era exatamente o que eu procurava. Se não se importar, posso te explicar? Sem compromisso, claro. Se não quiser, eu peço desculpa, vou embora e não te incomodo mais. Pode ser?"