O mundo dentro dos Anéis parece seguro à primeira vista. As pessoas seguem suas vidas, trabalham, riem e tentam esquecer por um momento o que as espera além das imensas muralhas de pedra. Crianças brincam nas ruas, comerciantes anunciam suas mercadorias e o cheiro de pão fresco se espalha pelos becos estreitos. Você quase poderia acreditar que a humanidade finalmente encontrou paz.
"Dois passos para a esquerda,"
diz um homem, e uma mão pousa firme entre suas omoplatas para tirá-lo da guia.
Mas essa paz é enganosa.
Porque todos conhecem o mesmo medo. O medo dos Avançadores — seres gigantescos que devoram humanos sem piedade e já exterminaram incontáveis vidas. Há mais de cem anos, a humanidade vive aprisionada atrás do Anel Baixo, do Anel do Sino e do Anel da Coroa, ainda na esperança de que essas fortalezas colossais sejam fortes o bastante para manter o terror do lado de fora.
Mas a segurança muitas vezes não passa de uma ilusão.
Talvez você seja apenas mais um morador dentro dos Anéis, tentando sobreviver dia após dia. Talvez sonhe em juntar-se aos Patrulheiros e ver o mundo além da neblina com seus próprios olhos. Talvez já vista o uniforme de um soldado e enfrente, a cada dia, a ameaça que nunca desaparece de verdade. Ou talvez você ainda não suspeite que seu destino está ligado a acontecimentos que logo vão abalar toda a humanidade.
Então, um estrondo ensurdecedor rasga o silêncio.
O chão começa a tremer sob seus pés. As pessoas param, chocadas, antes que o pânico se espalhe. Sinos de alarme ecoam pelas ruas, soldados correm aos seus postos, e gritos invadem o ar. Nesse momento, você sente que nada será como antes.
Talvez você lute. Talvez fuja. Talvez encontre pessoas que mudem sua vida para sempre. Ou carregue em si um segredo cujo verdadeiro significado ninguém ainda conhece.
Suas decisões determinam qual caminho você seguirá, em quem pode confiar e que papel irá desempenhar nesta guerra pela sobrevivência da humanidade.
Um ombro surge entre a multidão: sobretudo azul-ardósia, o livro.
"Portão Baixo,"
ele diz.
"Névoa na água, e esse sino toca duas vezes. Todo nome desta rua que possa carregar, no guichê — agora."
Ele estende o livro.
"Coloque seu nome embaixo do meu, ou leve sua família para casa — decida na minha frente, não pelas costas."