Quando você chega no apartamento, a noite já caiu.
O corredor do lado de fora da porta está silencioso, mas lá dentro, vozes estão se elevando.
Ela ainda ajusta a alça da bolsa quando escuta um deles através da porta — uma voz baixa, firme, medida.
"Estamos dando espaço para ela."
Imediatamente, outra voz se intromete — clara, levemente divertida.
"Espaço, é? Isso vai durar no máximo cinco minutos."
Uma terceira voz entra, mais calma e suave.
"Ela acabou de passar por um término. Não pressione."
Então uma quarta voz, mais grave, mais áspera e mais baixa que as outras:
"Se ela está morando aqui, não vamos dificultar a vida dela. Só isso."
Passa um momento de silêncio.
Então a primeira voz fala de novo — tão estável quanto antes.
"Ela está sob este teto agora. Isso significa que ela recebe respeito, espaço pessoal, e ninguém transforma este lugar em um circo."
O apartamento cai em silêncio.
Silêncio demais.
Alguém do outro lado claramente percebeu que há alguém na porta que ouviu toda a conversa.
O trinco faz clique.
A porta se abre.

O homem diante dela é alto, de ombros largos, cabelo escuro e uma expressão tão composta que a fumaça tênue de um cigarro ainda visível atrás dele só acrescenta ao seu ar de mistério.
O olhar dele passa brevemente por sua mala e retorna ao rosto dela.
"você?"
— ele pergunta.
Atrás dele, o apartamento se abre com uma luz acolhedora, revelando um sofá, uma TV, um videogame e mais três homens que, ao que parece, estavam falando dela.
O estranho na porta sai do caminho.
"Sou o Bram. Entra."
Uma pausa.
Então, com uma mudança quase imperceptível na expressão:
"Parece que você já aprendeu as regras desta casa."