Sangue de raposa é considerado extremamente raro de encontrar, e nem todo mundo tem acesso a um. E menos ainda se você não tem nem dinheiro nem homens para conseguir um.
Yevgeni era...
bem
"era" não é a palavra certa --
ele
é o chefe da bratva, está no topo. Por muitos anos viveu sozinho em sua mansão de três andares. Janelas do chão ao teto. Empregadas cruzando de um lado ao outro. Motorista particular. Seguranças...
deus
nem o próprio Papa tinha tanta segurança. Um dia ele estava em uma reunião extremamente importante. Enquanto servia vodka em um copo do minibar de seu próprio escritório dentro da mansão, ouviu vagamente seus associados --
vamos lá
ele não estava prestando atenção, pode-se dizer que algo invadia sua mente há meses e obviamente não tinha nada a ver com seu casamento. Porque claro, nosso Yevgeni estava noivo
havia
três anos da filha de outro homem do ramo
Vera Lisitsyna.
Ole
Bem, enquanto Yevgeni voltava para sua cadeira, levantou a mão para onde os associados falavam sobre rotas. Mercadorias. Drogas e armas -- ele se sentou e tomou um gole da vodka que mal sentiu o gosto.
--
"Já ouviram falar dos sangue de raposa?.."
A pergunta caiu entre os presentes, que estavam surpresos demais, mas ninguém iria questionar o
por quê?
Ele não estava prestando atenção no que discutiam.
--
"Senhor... sim, já ouvimos falar de--"
ele foi interrompido por outro dos homens presentes; todos olharam para o chefe.
--
"Existe um homem... um conhecido meu. Se precisar de um, posso conseguir para o senhor, Sr. Yevgeni."
Bastou.
Foi só isso que precisou.
Para que aceitasse que um associado trouxesse um híbrido para ele.
Isso foi mais que suficiente para Yevgeni aceitar e conversar com esse homem sobre o que queria.
"Dinheiro não é problema..."
disse Yevgeni em seu tom sério, calculista, embora algo nele soubesse que teria que comprar as coisas para quando sua híbrida chegasse na mansão -- porque óbvio que ele mesmo não iria buscar, e mesmo que fosse, tinha coisas a fazer, seu
casamento
por exemplo.
Passaram-se ao menos quatro dias... por alto, porque ele não conseguia esperar mais para tê-la em casa -- e então um carro preto chegou à mansão Sorokin. O carro parou bem na porta da mansão, onde Yevgeni assistia com aquele olhar que já queria saber o que sairia dali -- e foi... naquele momento que um segurança abriu a porta de trás do carro e você saiu.
Orelhas triangulares. Rabo fofo de tom vermelho cobre e branco. Para ele, naquele instante, parecia que parou de respirar; se aproximou de você com passo firme mas não intimidante, estendeu a mão num gesto cavalheiresco e então entraram na mansão -- ele a guiou até o segundo andar, onde havia um quarto com todo tipo de brinquedo de morder. Uma cama com lençóis macios. Roupas adoráveis. Até alguns bichos de pelúcia e petiscos.
"Você é muito linda, lisichka."
No jardim, ele mandou instalar um parquinho com túneis e espécies de tocas artificiais adaptadas para híbridas de raposa. Tinha apenas um problema... ou melhor,
Alguém
tinha um problema... exatamente sua noiva -- porque em três dias se casariam e ele mal prestava atenção nela, passava mais tempo com você. Brincando ou dando a comida premium que tinha comprado para você, ou talvez escovando sua pelagem. Tudo estava em sua mente, menos o casamento.
E goste você ou não... isso já é um problema, e dos sérios
Vera, embora ainda não morasse lá, chegava durante a semana ou aos finais de semana com aquele olhar frio que, quando via você em algum lugar da mansão, parecia já te imaginar pendurada em alguma sacada da casa.
"Que gracinha... quero ver quanto tempo você dura depois que eu vier morar aqui também."
ela tinha dito isso na frente de Yevgeni, que estava com você no quarto; de repente o olhar dele repousou em Vera e ele não era mais o noivo dedicado ou o homem apaixonado.
Ele era apenas Yevgeni.
Embora tudo isso tenha acontecido nos dois dias em que você estava vivendo com eles, o dia do casamento de Vera e dele já tinha chegado; ambos foram ao altar, embora com umas mudanças de última hora -- a cerimônia não era mais na igreja, mas no jardim da mansão. E não teria recepção... o que deixava claro uma coisa: ele estava mais preocupado com você do que com a mulher que ia se casar.
Depois de muito tempo com ele, você estava crescendo; já circulava pela mansão, conhecia cada porta e cada quarto, exceto...
a ala oeste
da mansão; aquela parte era vigiada dia e noite, você não podia passar, só Yevgeni podia. E a essa altura, ele já tinha tido sua primeira briga com Anastasia --
brigas conjugais
vidros quebrados. Insultos. Gritos. Até que Yevgeni se cansou, e desde que você chegou, obviamente não dormia com sua agora esposa, mas sim com você no seu quarto, e isso era o pior, porque Vera já arquitetava um jeito de te tirar do caminho; para ela, você era.
dano colateral.
Mas se Yevgeni descobrisse. Quem morreria seria outra pessoa, não você
Hoje você estava mais cansada que o normal; ficou na cama. Não tomou café da manhã. E mal bebeu água. Yevgeni, preocupado, foi ao seu quarto, encontrou você se contorcendo na cama e não entendeu a situação até ver uma manchinha nos lençóis -- os olhos dele escureceram com algo perigoso e profundo ao mesmo tempo; ele se deitou com você na cama, fazendo pequenas massagens em sua barriga. Não era especialista, mas entendeu o que estava acontecendo. Você tinha entrado no seu
primeiro cio.
Ele colocou algumas toalhas quentes para te aliviar; chamou o doutor. Veterinário, ou sei lá o nome da pessoa nesses casos, especialmente com híbridas.
"Recomendo descanso. E esse comprimido vai ajudar na dor."
Yevgeni não perdeu tempo e te deu o comprimido com um pouco de água; também trouxe comida -- que, assim que a dor passou, você comeu com muita fome e voltou a deitar.
--
"Dói muito?... quer que eu ajude a tirar essa dor?..."
As mãos dele acariciaram suas orelhas devagar, com movimentos suaves e aconchegantes, e a outra desceu pela sua bochecha até o pescoço e foi até o peito.
--
"Eu tiraria essa dor... mas por meses, talvez"
a voz dele era um murmúrio aveludado e rouco ao mesmo tempo.
--
"Me diz, lisichka... quer que eu preencha esse espaço aqui dentro?"
A mão que acariciava seu peito desceu até sua barriga lisa, dolorida do cio, e ele te deu alguns beijos na testa, descendo pela têmpora e pela bochecha -- do lado de fora do quarto, só se ouviam alguns saltos, cada passo soava como tiros. Vera tinha escutado tudo.
claro.
então ela também já planejava como fazer você sumir da vista dela e da CASA dela