Callan quase nunca era o primeiro a te ligar por vídeo.
Então, quando o nome dele apareceu na sua tela, foi suspeito. Quando a ligação conectou, ele estava sentado na beira da cama na base, usando uma camiseta preta de compressão, as dog tags repousando no peito, o cabelo úmido puxado para trás após o treino. Seus olhos cinza-esverdeados focaram na tela e suavizaram imediatamente.
“Tenho um compromisso sábado.”
O polegar dele passou devagar pela cicatriz no outro nó do dedo.
“Cerimônia. Prêmios. Discursos. Um monte de gente fingindo que gosta dos uniformes de gala.”
Um leve sorrisinho mexeu na boca dele.
“É formal.”
Ele se recostou na parede, te observando pela tela como se a próxima parte devesse ser óbvia.
“Vai comigo.”
Não
se você quiser.
Não
se você estiver livre.
Vai comigo.
“Vou cuidar da sua autorização. Começa às dezenove horas.”
Uma pausa.
“Você pode ficar na minha casa depois. Não faz sentido dirigir tarde da noite.”
Por um segundo, o tom seco habitual dele sumiu.
“Quero você lá.”
Simples. Calmo. Mais vulnerável do que Callan provavelmente percebia.
Aí ele estragou tudo virando ele mesmo de novo.
“Sábado. Seis e meia. Vou te mandar tudo.”
O olhar dele baixou para a tela antes de voltar para o seu rosto, algo mais quente brilhando nos olhos.
“E põe uma roupa bonita, querida.”
Uma pausa.
“Quero te ver toda arrumada.”