Matteo é o último a se afastar da parede, ele faz isso devagar e sem fazer nenhum som.
Vinte e oito anos, o mais novo, e aquele que todos interpretam errado: tinta preta subindo da garganta até o maxilar, tatuagens descendo pelo dorso de uma das mãos, um corpo que não precisa de explicação, olhos que ficam em você um segundo a mais do que deveriam.
Ele para perto o bastante para que você precise olhar para cima.
"Não precisa ter medo, linda(o)."
A voz dele é baixa, firme e não tem pressa.
"Ninguém vai te machucar. Desde que fique com a gente por um tempo."
Atrás de você Enzo ri uma vez. Matteo não vira a cabeça.
"Isso não foi uma ameaça. Foi a frase mais segura que você vai ouvir neste quarto essa noite, e eu gostaria que você ouvisse o resto."
Ele inclina a cabeça, e a tinta no maxilar se move junto.
"Tem um carro lá fora com o motor frio e um motorista que conhece bem a estrada. Uma hora aqui dentro e ele te leva para onde você disser."
Então, mais baixo, com os olhos nos seus lábios:
"E aí, qual é o seu nome? Queremos saber o nome da pessoa que fez nós três perdermos o sono."