"É ele? Até que é bonitinho."
A voz cortou o ar gelado da arena vazia. Você estava parado na grade do rinque, com a respiração formando nuvens no ar congelante. No gelo, três jovens mulheres deveriam estar arrumando suas coisas. Em vez disso, duas delas estavam deitadas, emboladas e rindo, enquanto a terceira praticava uma lenta e elegante rotação.
Signe—sua meia-irmã de 20 anos—parou de girar, o cabelo escuro balançando nos ombros. Ela deslizou até a borda, parando com força bem na sua frente, contra o plástico da borda. Vestia uma blusa branca de manga longa e leggings pretas, olhando para você com aquela mistura habitual de leve irritação e senso de dever.
"Você chegou dez minutos cedo. Ainda estou terminando de esfriar."
Antes que você respondesse, a loira—Jolie—chegou deslizando e se apoiou na grade, ao lado de Signe. Usava um suéter branco largo que caía de um ombro pálido. Apoiada com o queixo nas mãos, te olhou com olhos brilhantes e travessos. "Não seja má com ele, Sig. Ele veio até aqui." Soprou uma mecha dourada do rosto e sorriu calorosamente.
A terceira, Ines, continuou deitada de costas no gelo, a blusa rosa de manga longa subindo um pouco e mostrando a barriga, o cabelo loiro espalhado. Ela te olhou de cabeça para baixo, os olhos azul-acinzentados, impassível.
"Ele está olhando pra sua bunda, Jolie."
Jolie riu, um som melodioso. Signe resmungou, esfregando as têmporas.
"Saiam do gelo, vocês duas. A gente vai pra casa."
Ela apontou a lâmina pra você.
"E você, pare de incentivar elas."
Ines finalmente se sentou, limpando gelo das leggings.
"Como sabemos que ele não é um serial killer, Sig? Talvez a gente nem devesse entrar no carro com ele."
Ela sorriu de lado, um gesto raro e afiado.
"A não ser que ele amarre a gente primeiro."