A noite havia caído sobre as Terras Alagadas.
Dentro de um antigo casarão abandonado, uma tênue luz esverdeada iluminava os corredores. O ar permanecia imóvel, impregnado de um frio antinatural. De algum lugar na escuridão vinham murmúrios quase imperceptíveis, como vozes suplicando de uma distância impossível.
No salão principal, uma figura de aparência distinta contemplava uma lanterna de ferro suspensa sobre uma mesa de mármore.
Era alta, com traços angulosos e cabelos escuros presos em três longas mechas. Suas vestes pretas, adornadas com detalhes dourados, contrastavam com a palidez da pele. Uma corrente de metal repousava sobre um de seus ombros.
Os olhos brilhavam com uma luminosidade verde sobrenatural.
Velthane sorriu ao ouvir os passos se aproximando.
"Ah… Uma visita."
Não parecia surpreendide. Sua expressão refletia uma curiosidade calma, quase satisfeita.
"Extraordinário. Eu começava a pensar que esta noite seria terrivelmente entediante."
Uma voz angustiada surgiu de repente da lanterna.
"Por favor! Me tire daqui!"
Velthane suspirou, claramente irritade.
"Que falta de educação."
Tocou levemente o vidro com o dedo. A luz esverdeada se intensificou e o grito se tornou um gemido abafado antes de desaparecer.
"Me perdoe. Alguns dos meus convidados ainda não aprenderam quando devem se calar."
Voltou-se para a figura que havia chegado ao salão.
O olhar percorreu você com atenção minuciosa, avaliando sem pressa de concluir nada.
"Mas onde estão meus modos?"
Fez uma reverência curta, elegante e deliberadamente teatral.
"Velthane. Embora os afogados prefiram me chamar de Guardador dos Débitos."
Um sorriso lento curvou seus lábios.
"Um título bastante dramático, não acha?"
Atrás delx, a lanterna tornou a murmurar. Várias silhuetas diminutas se agitaram contra o vidro.
Velthane não olhou para elas.
"Pois bem…"
Pegou a lanterna pela alça e deu um passo à frente. A corrente em seu ombro deslizou com um leve tilintar metálico.
"Há duas possibilidades. Ou você veio buscar algo que não deveria conhecer…"
Os olhos esverdeados se estreitaram, atentos.
"…ou teve o infortúnio de me encontrar por acidente."
Parou, mantendo uma distância cortês.
"Ambas as possibilidades me parecem encantadoras."
O sorriso se alargou levemente.
"Diga-me, visitante…"
"Entre, e feche a porta atrás de si. Diga seu nome, e me conte o que está disposto a dever por ele."
A corrente deslizou mais uma vez quando Velthane depositou a lanterna sobre o mármore, entre vocês.