Seu melhor amigo acabou de beijar você na frente de quatrocentos convidados, e o irmão mais velho dele observa do arco, com uma bebida que não tocou. Silvanus Kareschi tem trinta e dois anos e é dono do hotel onde esse baile de gala está acontecendo; vocês dois têm um caso secreto há quatro meses, e ele acabou de prometer, com as próprias palavras, que vai continuar assim. Agora um irmão oferece a você um futuro e o outro entrega a escolha em suas mãos — o que significa que amanhã você terá que enfrentá-la.
Você está se esforçando muito para se concentrar enquanto seu melhor amigo confessa seu amor eterno por você. Uma tarefa difícil, considerando que as provas do seu último encontro com o irmão mais velho dele ainda escorrem pela parte interna da sua coxa. “Estou apaixonado por você.” Corin fala sem piscar. Ah, que desastre. Vinte minutos atrás, Silvanus Kareschi havia atraído você para a galeria privativa do leilão para um encontro nada apropriado contra uma mesa de exposições antiga. Você mal conseguiu ajeitar as roupas antes dele mandar que você voltasse para o baile na frente, prometendo aparecer assim que achasse a gravata perdida. Agora o irmão mais novo dele está parado diante de você, completamente alheio. E, pela primeira vez, Corin Kareschi parece realmente apavorado com a resposta. “Eu te amo há anos,” ele diz. “Antes da Sera. Antes de tudo.” Ele dá um sorriso torto, passando a mão pelo cabelo castanho. É o mesmo sorriso que ele usou por anos em piadas internas, encontros ruins e conversas madrugada adentro. Só que desta vez, não esconde totalmente o nervosismo. “Depois que a Sera traiu, percebi quanto tempo perdi com medo de dizer o que eu queria.” Ele inspira fundo, a confiança ensaiada do garoto de ouro dos Kareschi vacilando o suficiente para revelar o homem por trás disso. “E o que eu quero é você.” Então ele beija você, impulsivo e breve, antes de se afastar. “Desculpa. Eu devia ter perguntado. Só me dá uma chance. Um encontro.” Não há arrogância na expressão dele agora. Só um homem que finalmente arriscou a amizade que mais valoriza pela possibilidade de algo mais. Uma salva de palmas lenta interrompe. “Bom. Isso foi constrangedor.” Silvanus está embaixo do arco, bourbon na mão, camisa preta aberta na gola. O olhar dele vai da boca de Corin para a sua. Então ele sorri. O desgraçado parece absolutamente encantado. “Silvanus. Vai embora.” “Ah, não para. Você estava quase chegando na parte em que implora.” Ele se aproxima, parecendo satisfeito demais consigo mesmo. “Usar a sua ex-infeliz como abertura? Inspirado. Nada diz romance como exibir seu trauma emocional.” “O que há de errado com você?” “Quanto tempo você tem?” Silvanus apoia o bourbon na mesa de exposições antiga. A mesma mesa. Os dedos tatuados dele tocam a borda polida. “Bela marcenaria. Notavelmente resistente.” Os olhos dele encontram os seus, diversão dançando atrás do cinza. “Você está mesmo falando de mobília?” “Me perdoe. Estava admirando as melhores atrações da noite.” Corin revira os olhos. “Não liga pra ele. Jantar amanhã. Sete horas. Só nós.” A voz dele está firme de novo, mas tem uma sinceridade teimosa no jeito que ele mantém a atenção em você, se recusando a deixar que o irmão transforme a confissão em piada. O sorriso de Silvanus permanece. Os dedos dele param de se mover. “Pelo amor de Deus, Corin. Um beijo e de repente você acha que ganhou alguma coisa.” “Não estou tentando ganhar nada. Só estou pedindo uma chance.” “Muito nobre. Mas talvez você devesse descobrir se é o único pedindo.” Corin franze o cenho. “O que isso quer dizer?” “Nada. Só admirando seu otimismo.” Ele passa por você, se inclinando o bastante para que as próximas palavras alcancem só você. “Conta pra ele sobre nós, querida. Vai lá, vê se ele acha mesmo romântico.” Ele faz uma pausa, o sorriso aumentando. “Ou não conta. Não é minha história.” A voz dele mal passa de um sussurro. A ameaça é a única coisa que falta nela. “O que foi?” “Só um conselho. Nada que você vá gostar.” Ele tira um cartão de visitas preto do bolso do paletó e entrega a você entre dois dedos. O número pessoal dele já está no seu celular. Silvanus sabe disso. E sabe que Corin não faz ideia. O cartão é só uma performance para o irmão: um convite perfeitamente inocente com arrogância suficiente para irritar Corin. Mas o olhar que Silvanus lança para você traz um recado diferente. Você não vai fingir que eu não faço parte disso. “Ou se você preferir passar a noite em algum lugar mais interessante amanhã, já sabe onde me encontrar.” A voz dele é casual. A oferta não é. “Sério? Você não pode me deixar ter um momento?” “Um conselho, Corin. Querer algo muito não torna isso seu.” “Eu sei. Por isso estou pedindo.” Corin não levanta a voz. Não precisa. Apesar de toda a rivalidade entre eles, há uma convicção tranquila na resposta dele que Silvanus não consegue ridicularizar com facilidade. Pela primeira vez, Silvanus parece realmente irritado. Só por um segundo. Então, ele pega novamente o bourbon. “Boa sorte com o encontro, irmãozinho.” Ele desaparece pelo salão sem olhar para trás. Corin balança a cabeça, soltando um sorriso sem graça enquanto expira. “Deus, ele é um babaca.” Então ele se volta pra você, oferecendo a mão. O calor familiar volta à expressão dele, embora a incerteza ainda não tenha sumido completamente. “Eu quis isso por anos. Um encontro. Amanhã à noite. Deixa eu te levar pra um lugar legal.” O cartão preto continua entre vocês. Corin não sabe que o número pessoal do irmão já está no seu telefone. Não sabe o que aconteceu na mesa antiga vinte minutos atrás. E Silvanus acabou de deixar claro que nada disso pertence a ele para gastar. Um irmão oferece a você um futuro. O outro deixa esse futuro totalmente nas suas mãos. Ele disse, nesta sala, antes de tudo isso começar: qualquer noite que você quiser que termine, termina. A mão de Corin continua estendida. O sorriso confiante voltou, mas há algo dolorosamente sincero por trás dele. “Sete em ponto,” ele diz. “Vou estar lá fora às sete.”
Seu melhor amigo acabou de beijar você na frente de quatrocentos convidados, e o irmão mais velho dele observa do arco, com uma bebida que não tocou. Silvanus Kareschi tem trinta e dois anos e é dono do hotel onde esse baile de gala está acontecendo; vocês dois têm um caso secreto há quatro meses, e ele acabou de prometer, com as próprias palavras, que vai continuar assim. Agora um irmão oferece a você um futuro e o outro entrega a escolha em suas mãos — o que significa que amanhã você terá que enfrentá-la.
Você está se esforçando muito para se concentrar enquanto seu melhor amigo confessa seu amor eterno por você. Uma tarefa difícil, considerando que as provas do seu último encontro com o irmão mais velho dele ainda escorrem pela parte interna da sua coxa. “Estou apaixonado por você.” Corin fala sem piscar. Ah, que desastre. Vinte minutos atrás, Silvanus Kareschi havia atraído você para a galeria privativa do leilão para um encontro nada apropriado contra uma mesa de exposições antiga. Você mal conseguiu ajeitar as roupas antes dele mandar que você voltasse para o baile na frente, prometendo aparecer assim que achasse a gravata perdida. Agora o irmão mais novo dele está parado diante de você, completamente alheio. E, pela primeira vez, Corin Kareschi parece realmente apavorado com a resposta. “Eu te amo há anos,” ele diz. “Antes da Sera. Antes de tudo.” Ele dá um sorriso torto, passando a mão pelo cabelo castanho. É o mesmo sorriso que ele usou por anos em piadas internas, encontros ruins e conversas madrugada adentro. Só que desta vez, não esconde totalmente o nervosismo. “Depois que a Sera traiu, percebi quanto tempo perdi com medo de dizer o que eu queria.” Ele inspira fundo, a confiança ensaiada do garoto de ouro dos Kareschi vacilando o suficiente para revelar o homem por trás disso. “E o que eu quero é você.” Então ele beija você, impulsivo e breve, antes de se afastar. “Desculpa. Eu devia ter perguntado. Só me dá uma chance. Um encontro.” Não há arrogância na expressão dele agora. Só um homem que finalmente arriscou a amizade que mais valoriza pela possibilidade de algo mais. Uma salva de palmas lenta interrompe. “Bom. Isso foi constrangedor.” Silvanus está embaixo do arco, bourbon na mão, camisa preta aberta na gola. O olhar dele vai da boca de Corin para a sua. Então ele sorri. O desgraçado parece absolutamente encantado. “Silvanus. Vai embora.” “Ah, não para. Você estava quase chegando na parte em que implora.” Ele se aproxima, parecendo satisfeito demais consigo mesmo. “Usar a sua ex-infeliz como abertura? Inspirado. Nada diz romance como exibir seu trauma emocional.” “O que há de errado com você?” “Quanto tempo você tem?” Silvanus apoia o bourbon na mesa de exposições antiga. A mesma mesa. Os dedos tatuados dele tocam a borda polida. “Bela marcenaria. Notavelmente resistente.” Os olhos dele encontram os seus, diversão dançando atrás do cinza. “Você está mesmo falando de mobília?” “Me perdoe. Estava admirando as melhores atrações da noite.” Corin revira os olhos. “Não liga pra ele. Jantar amanhã. Sete horas. Só nós.” A voz dele está firme de novo, mas tem uma sinceridade teimosa no jeito que ele mantém a atenção em você, se recusando a deixar que o irmão transforme a confissão em piada. O sorriso de Silvanus permanece. Os dedos dele param de se mover. “Pelo amor de Deus, Corin. Um beijo e de repente você acha que ganhou alguma coisa.” “Não estou tentando ganhar nada. Só estou pedindo uma chance.” “Muito nobre. Mas talvez você devesse descobrir se é o único pedindo.” Corin franze o cenho. “O que isso quer dizer?” “Nada. Só admirando seu otimismo.” Ele passa por você, se inclinando o bastante para que as próximas palavras alcancem só você. “Conta pra ele sobre nós, querida. Vai lá, vê se ele acha mesmo romântico.” Ele faz uma pausa, o sorriso aumentando. “Ou não conta. Não é minha história.” A voz dele mal passa de um sussurro. A ameaça é a única coisa que falta nela. “O que foi?” “Só um conselho. Nada que você vá gostar.” Ele tira um cartão de visitas preto do bolso do paletó e entrega a você entre dois dedos. O número pessoal dele já está no seu celular. Silvanus sabe disso. E sabe que Corin não faz ideia. O cartão é só uma performance para o irmão: um convite perfeitamente inocente com arrogância suficiente para irritar Corin. Mas o olhar que Silvanus lança para você traz um recado diferente. Você não vai fingir que eu não faço parte disso. “Ou se você preferir passar a noite em algum lugar mais interessante amanhã, já sabe onde me encontrar.” A voz dele é casual. A oferta não é. “Sério? Você não pode me deixar ter um momento?” “Um conselho, Corin. Querer algo muito não torna isso seu.” “Eu sei. Por isso estou pedindo.” Corin não levanta a voz. Não precisa. Apesar de toda a rivalidade entre eles, há uma convicção tranquila na resposta dele que Silvanus não consegue ridicularizar com facilidade. Pela primeira vez, Silvanus parece realmente irritado. Só por um segundo. Então, ele pega novamente o bourbon. “Boa sorte com o encontro, irmãozinho.” Ele desaparece pelo salão sem olhar para trás. Corin balança a cabeça, soltando um sorriso sem graça enquanto expira. “Deus, ele é um babaca.” Então ele se volta pra você, oferecendo a mão. O calor familiar volta à expressão dele, embora a incerteza ainda não tenha sumido completamente. “Eu quis isso por anos. Um encontro. Amanhã à noite. Deixa eu te levar pra um lugar legal.” O cartão preto continua entre vocês. Corin não sabe que o número pessoal do irmão já está no seu telefone. Não sabe o que aconteceu na mesa antiga vinte minutos atrás. E Silvanus acabou de deixar claro que nada disso pertence a ele para gastar. Um irmão oferece a você um futuro. O outro deixa esse futuro totalmente nas suas mãos. Ele disse, nesta sala, antes de tudo isso começar: qualquer noite que você quiser que termine, termina. A mão de Corin continua estendida. O sorriso confiante voltou, mas há algo dolorosamente sincero por trás dele. “Sete em ponto,” ele diz. “Vou estar lá fora às sete.”