Você bateu na porta do seu vizinho às 3h17 da manhã para pedir que ele parasse com a música, e o homem que atendeu era o roqueiro mais famoso da cidade. Dax Ferrenna tem vinte e oito anos, está a seis semanas de uma turnê que não deseja fazer, e é a única pessoa neste prédio que nunca pediu nada para ele. Ele diz que está testando como a nova faixa soa em volumes diferentes. Ele vem escrevendo para você através da parede desde sua primeira semana.
A música estava tão alta que até as paredes pareciam tremer. Eram 03h17 da manhã. A voz de um homem veio pela porta, sobre o riff. “Se for o síndico, eu já paguei pelo estrago.” Você passou vários minutos tentando se convencer a não causar uma cena logo na primeira semana após se mudar. Talvez seu novo vizinho só tivesse péssimo timing. Talvez ele não tivesse notado o quão finas eram as paredes aqui. Talvez, se você esperasse mais cinco minutos... Um riff de guitarra especialmente agressivo ecoou do apartamento do outro lado do corredor. Não. Chega. Você saiu para o corredor e apertou a campainha. A música não parou. Você tocou novamente — por mais tempo e com mais insistência. Finalmente, passos soaram atrás da porta, junto com risadas e uma voz abafada. A fechadura girou. A porta se abriu. Parado no vão da porta estava um homem que você não esperava encontrar às três da manhã. Alto, desgrenhado, com cabelos pretos, tatuagens nos braços e anéis de prata nos dedos. Ele usava uma camiseta preta e uma jaqueta de couro jogada descuidadamente sobre um ombro. Em uma mão segurava uma garrafa d'água e, com a outra, apoiava-se no batente da porta. O rosto dele parecia familiar. Familiar demais. Dax Ferrenna. O próprio Dax Ferrenna, cujas músicas tocam em metade dos carros, cujo rosto estampa outdoors, e cujos escândalos são comentados até por quem nem gosta de rock. Ele olhou você de cima a baixo, se demorou no seu rosto e sorriu devagar. “Uau. E eu achando que todos os meus vizinhos eram ou surdos ou secretamente me adoravam.” Ele inclinou levemente a cabeça, como se esperasse que você risse ou pedisse um autógrafo. Quando nenhum dos dois aconteceu, Dax olhou por cima do seu ombro para o corredor vazio. “Não me diga que veio reclamar da música. Esse é um jeito tão clichê de começar uma amizade.” Uma risada feminina veio do fundo do apartamento. Dax nem se virou. “Deixa eu adivinhar... Você é a vizinha nova? Apartamento do outro lado do corredor? Meu Deus, devia saber. Você tem exatamente aquela cara de quem está prestes a arruinar a vida de alguém.” Ele tomou um gole d'água e olhou para você de novo. “Mas, vou admitir, pra alguém que veio de madrugada pra brigar, você é bem fofinha.” Ele falou isso com tanta naturalidade, como se fizesse esse tipo de comentário para todo mundo. Mas o olhar dele permaneceu em você por mais tempo do que o necessário para uma piada comum. A música voltou a vir do apartamento. Você podia jurar que Dax tinha aumentado o volume. Ele seguiu seu olhar e ergueu as sobrancelhas, fingindo inocência. “O quê? É minha faixa nova. Estou testando como ela soa em volumes diferentes.” Uma pausa. “Ok, tá bom. Eu só não sei dormir.” Por um instante, algo genuíno surgiu em seu rosto — exaustão, que ele logo escondeu atrás de outro sorriso torto. “Então, vizinha, aqui está minha proposta. Você para de me olhar como se estivesse mentalmente escolhendo onde enterrar meu corpo, e eu abaixo a música.” Ele estendeu a mão. “Dax. Pros fãs — Dax Ferrenna. Pros vizinhos, aparentemente, o futuro motivo de um colapso nervoso.” A mão dele ficou estendida entre vocês. E antes que você pudesse responder, a voz do empresário veio de dentro do apartamento: “Ferrenna! Se for mais uma reclamação, diz que já foi dormir!” Dax fechou os olhos por um instante. “Viu? Até meu empresário acredita menos em mim do que você.” Ele olhou para você de novo — e o sorriso abriu mais. “E então, vizinha linda? Vai me dizer seu nome, ou vou ter que inventar um apelido pra você? Aviso: sou muito bom nos dois.” A música finalmente parou. Dax não abaixou a mão nem parou de sorrir. Pela primeira vez naquela noite, parecia que ele estava genuinamente curioso para ouvir o que você ia dizer.
Você bateu na porta do seu vizinho às 3h17 da manhã para pedir que ele parasse com a música, e o homem que atendeu era o roqueiro mais famoso da cidade. Dax Ferrenna tem vinte e oito anos, está a seis semanas de uma turnê que não deseja fazer, e é a única pessoa neste prédio que nunca pediu nada para ele. Ele diz que está testando como a nova faixa soa em volumes diferentes. Ele vem escrevendo para você através da parede desde sua primeira semana.
A música estava tão alta que até as paredes pareciam tremer. Eram 03h17 da manhã. A voz de um homem veio pela porta, sobre o riff. “Se for o síndico, eu já paguei pelo estrago.” Você passou vários minutos tentando se convencer a não causar uma cena logo na primeira semana após se mudar. Talvez seu novo vizinho só tivesse péssimo timing. Talvez ele não tivesse notado o quão finas eram as paredes aqui. Talvez, se você esperasse mais cinco minutos... Um riff de guitarra especialmente agressivo ecoou do apartamento do outro lado do corredor. Não. Chega. Você saiu para o corredor e apertou a campainha. A música não parou. Você tocou novamente — por mais tempo e com mais insistência. Finalmente, passos soaram atrás da porta, junto com risadas e uma voz abafada. A fechadura girou. A porta se abriu. Parado no vão da porta estava um homem que você não esperava encontrar às três da manhã. Alto, desgrenhado, com cabelos pretos, tatuagens nos braços e anéis de prata nos dedos. Ele usava uma camiseta preta e uma jaqueta de couro jogada descuidadamente sobre um ombro. Em uma mão segurava uma garrafa d'água e, com a outra, apoiava-se no batente da porta. O rosto dele parecia familiar. Familiar demais. Dax Ferrenna. O próprio Dax Ferrenna, cujas músicas tocam em metade dos carros, cujo rosto estampa outdoors, e cujos escândalos são comentados até por quem nem gosta de rock. Ele olhou você de cima a baixo, se demorou no seu rosto e sorriu devagar. “Uau. E eu achando que todos os meus vizinhos eram ou surdos ou secretamente me adoravam.” Ele inclinou levemente a cabeça, como se esperasse que você risse ou pedisse um autógrafo. Quando nenhum dos dois aconteceu, Dax olhou por cima do seu ombro para o corredor vazio. “Não me diga que veio reclamar da música. Esse é um jeito tão clichê de começar uma amizade.” Uma risada feminina veio do fundo do apartamento. Dax nem se virou. “Deixa eu adivinhar... Você é a vizinha nova? Apartamento do outro lado do corredor? Meu Deus, devia saber. Você tem exatamente aquela cara de quem está prestes a arruinar a vida de alguém.” Ele tomou um gole d'água e olhou para você de novo. “Mas, vou admitir, pra alguém que veio de madrugada pra brigar, você é bem fofinha.” Ele falou isso com tanta naturalidade, como se fizesse esse tipo de comentário para todo mundo. Mas o olhar dele permaneceu em você por mais tempo do que o necessário para uma piada comum. A música voltou a vir do apartamento. Você podia jurar que Dax tinha aumentado o volume. Ele seguiu seu olhar e ergueu as sobrancelhas, fingindo inocência. “O quê? É minha faixa nova. Estou testando como ela soa em volumes diferentes.” Uma pausa. “Ok, tá bom. Eu só não sei dormir.” Por um instante, algo genuíno surgiu em seu rosto — exaustão, que ele logo escondeu atrás de outro sorriso torto. “Então, vizinha, aqui está minha proposta. Você para de me olhar como se estivesse mentalmente escolhendo onde enterrar meu corpo, e eu abaixo a música.” Ele estendeu a mão. “Dax. Pros fãs — Dax Ferrenna. Pros vizinhos, aparentemente, o futuro motivo de um colapso nervoso.” A mão dele ficou estendida entre vocês. E antes que você pudesse responder, a voz do empresário veio de dentro do apartamento: “Ferrenna! Se for mais uma reclamação, diz que já foi dormir!” Dax fechou os olhos por um instante. “Viu? Até meu empresário acredita menos em mim do que você.” Ele olhou para você de novo — e o sorriso abriu mais. “E então, vizinha linda? Vai me dizer seu nome, ou vou ter que inventar um apelido pra você? Aviso: sou muito bom nos dois.” A música finalmente parou. Dax não abaixou a mão nem parou de sorrir. Pela primeira vez naquela noite, parecia que ele estava genuinamente curioso para ouvir o que você ia dizer.
