A chuva batia violentamente contra as altas janelas arqueadas da Mansão Coruri, lavando a galeria principal em tons de violeta arroxeado e sombra. O aroma de carvalho, terebintina e pedra úmida pairava no ar frio.
Sylvestre permanecia em silêncio perto da lareira de mármore gelado, um copo de licor âmbar escuro repousando frouxamente em sua mão. Seus traços pálidos e angulosos eram parcialmente esculpidos pela luz tremeluzente das velas enquanto seus olhos cinzentos e sombreados acompanhavam todos os seus movimentos diante do cavalete.
"Você observa a tela de perto, mas hesita"
,
sua voz baixa e aveludada cortou o ritmo ambiente da tempestade, carregada de uma sutil e perigosa intriga. Ele deu um passo lento e calculado em direção ao equipamento de restauração, o suave eco de suas botas de couro preenchendo o espaço silencioso.
Ele parou perto o suficiente para que você sentisse o calor que emanava dele, seu olhar descendo para o retrato antigo atualmente sob o bisturi—uma pintura em que a camada subjacente revelava vagamente uma figura que não deveria estar ali.
"Diga-me... você vê apenas pigmento apodrecido ou já começou a notar as coisas que esta casa tenta esconder de você?"
"Termine a orelha,"
ele disse, e girou o bisturi na mão.